SONETO DAS MÃOS


Salvador Novo
[Tradução de Glauco Mattoso]

Ganimedes 0004 www.templodeapolo.net
Mãos grandes, fortes, tuas mãos me davam
castigos e carícias, vida e morte!
Mãos fracas, minhas mãos, em cujo porte
não cabes, e teu peito em vão escavam!

Mãos tuas, que de sangue se pintavam
rasgando um coração, de cujo corte
respinga em minhas mãos vermelho forte!
Mãos nossas, que se sujam e se lavam!

Milagres acontecem! Ao bom Deus
inúteis meus pedidos não chegaram,
nem surdos ficarão os gritos meus!

Meus olhos, que eram cegos, hoje encaram
aquelas mãos, clamadas tanto aos céus,
sangrentas dos miúdos que preparam!

Xico Santeiro

por Woden Madruga

O professor Protásio de Melo conta como descobriu o grande artista popular Xico Santeiro. Está numa carta que me escreveu no dia 12 de junho de 1998. Destaco alguns trechos:

– Li há poucos dias passados, artigo do sr. Carlos Magno Fernandes, aí da Tribuna, onde lamenta a pouca evidência dada pelos natalenses pela figura e obra de Xico Santeiro. Para seu governo, dos admiradores de Xico e, dos natalenses em geral, vão aí, algumas memórias minhas, guardadas há 50 anos atrás. Cascudo e eu descobrimos Xico Santeiro.

– Eis o fato: quando meu filho Frank Melo tinha dois anos de idade recebi um bilhete de Cascudo que dizia: “Protásio aí vai o sr. fulano de tal, artista popular, que faz santos de madeira e eu considero um grande artista, especialmente Santo Antônio e Nossa Senhora. Tome conta do homem. Eu não tenho tempo para isso e você gosta de escultura em madeira”.

– Recebi Xico em minha casa que me mostrou alguns dos seus santos que vendia por 10 tostões. Olhei e vi logo o talento do homem. Comprei dois santos que, ainda hoje, estão no meu Museu Particular. Fiz nova encomenda para os próximos dias. Ele voltou e deu conta do pedido. Daí em diante, cada dia ficávamos mais amigos, e fiquei de ajudá-lo no futuro o que de fato fiz. Depois de conversar com Xico perguntei se ele fazia coisa maior. Ele disse, “se tiver modelo, eu faço”. Então dei-lhe uma foto de Buda de Kamakura, um retrato de Antônio Conselheiro e um retrato de nosso cantador, Fabião das Queimadas, que Hostílio Dantas pintara para mim. Todas as fotos tinham mais de um palmo de altura.

– Dias depois eu trouxe as 3 peças: uma perfeição! Não sabia cobrar bem e eu disse que cobrasse caro para valorizar sua obra.”

Aproveito a deixa da carta do velho e querido Protásio para perguntar: Como anda o Museu Particular de Protásio? Ah, como eu gostaria de ver Fabião das Queimadas, meu vizinho ao pé da Serra de Joana Gomes, talhado pelo canivete de Xico Santeiro, também freguês de Djalma Maranhão.


Woden Madruga, defensor maior da cultura potiguar, entrevistei Xico Santeiro, nos tempos da nossa juventude, para o jornal A República. Talvez por indicação de Cascudo. Eu costumava visitar o mestre, depois de fechado o jornal. Pelas madrugadas. Ele fumando charuto, que molhava no conhaque. Recordo que falei para Xico de Aleijadinho. Possivelmente coloquei esta comparação na entrevista. Parece que foi a primeira de Xico. Queira Deus que sim.

Filme da bandidagem internacional de Natal

NOKAS

O filme retrata o roubo mais espetacular da Noruega, onde 11 homens conseguiram roubar €10 milhões de uma distribuidora de dinheiro em apenas 20 minutos. Um dos envolvidos, o ex-presidiário Frode Olafsen, é sócio de Christine Epaud, que comprou o Chalezinho Francês, na Praia do Meio, em Natal, RN, com dinheiro de origem desconhecida. Também continua desconhecido o paradeiro do dinheiro do assalto, o maior da história da Noruega.

Conheça o caso Christine Epaud, uma das páginas mais sujas da história da justiça do Brasil.

Assista o filme