Ano Novo, Festa de Iemanjá

Réveillon no Rio

 

Iemanjá, Portinari clique para ampliar

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por Talis Andrade

 

Na noite festiva
a praia iluminada
esbarro em uma multidão
vestida de branco
Não há como negar a beleza
são milhões de velas acesas
nas areias de Copacabana

Chuva de ouro e prata
cai sobre nossas cabeças
Os fogos de artifício
jorram em cascatas
do alto
de suntuosos edifícios
Os fogos de vista
desenham nos ares
flores e estrelas

Nas areias de Copacabana
o povo presenteia Iemanjá
com vinho e manjares
que as ondas levam
para o largo-mar

Na noite de fim de ano
o solitário desejo
as ondas cobertas de flores
consigam adormecer
meu corpo indefeso

Na iluminada noite
o povo canta e dança
para Iemanjá
O povo dança e reza
Iemanjá devolva
em dobro as oferendas
que as ondas levam
que as ondas levam
para o largo-mar

 

Ratos e urubus, larguem nossas fantasias

 

reveillon
por Fernando Brito

 

“Não há nada mais importante para destruir um povo do que lhe tirar aquilo que o define: sua identidade , a capacidade de sonhar coletivamente e fazer juntos.

E esta identidade, desde os primórdios da civilização, encontra – próprias ou “importadas e adaptadas” – as festas como expressão deste sentir coletivo.
Tão intenso que Leonardo Boff, ao defini-las, disse que são “o tempo forte da vida, onde os homens dizem sim a todas as coisas”.

Os mecanismos de dominação, com todo o seu poder, se apropriam das representações simbólicas desta identidade, esvaziam seu significado, empresariam-nas, comercializam-nas e as tentam moldar aquilo que é da própria natureza da dominação: a exploração econômica.
E, no entanto, aquele sentido permanece.

Talvez seja a coisa mais importante a se aprender em política, em economia, na vida.

Que os ratos e urubus, como delirou genialmente o Joãosinho Trinta, querem sempre rasgar as nossas fantasias coletivas.
Os nossos sonhos e desejos.

Vivemos – ou viveram vocês, porque minha vocação de eremita vem de longe – nestes últimos dias, um destes momentos, o Ano Novo.

Aliás, até o “Réveillon” é outra destas magníficas provas de que o povão recebe, digere e sintetiza, porque não é palavra de uso corrente nem no francês, onde designava uma ceia tardia, própria do Natal. No meu tempo de guri, só os metidos a besta usavam a palavra e eu, na tolice própria dos pretensiosos, custei a ver este macunaímico processo de fagia de sentido.

Sobre isso, recebo e partilho duas reflexões.

A de meu velho mestre Nílson Lage e a do meu ex-calouro (que hoje tem mais cabelos brancos e mais talento do que eu) Fernando Mollica, colunista de O Dia.

É minha maneira, furtada, de desejar a todos que possamos, apesar dos que nos acenam com o inferno e a danação do desastre nacional, um feliz 2015.

 

A festa resiste

reveillon-copacabana-8

por Nílson Lage

 

O importante, no carnaval e no reveillon de Copacabana, é que são invenções e realizações magníficas do nosso povo que, a princípio, tentaram excluir e sabotar e, agora, fingem promover.

Lembro-me bem das medidas “profiláticas” tomadas para impedir que as praias fossem “emporcalhadas” pelos despachos a Iemanjá e os moradores das vizinhanças “perturbados” pela gritaria dos festeiros; das ameaças de repressão policial e das pressões da Arquidiocese sobre a redação do Jornal do Brasil.

Ainda no final da década de 1970, a Rede Globo, empenhada em eliminar da programação resíduos do que os militares consideravam inoportuno ou grotesco, reduziu ao máximo a cobertura dos desfiles de escolas de samba, com o slogan “A programação normal e o melhor do carnaval”.

Foi quando Fernando Pamplona, superintendente da Fundação TV Educativa do Rio de Janeiro, com meu modesto apoio (era gerente de jornalismo), mobilizou os recursos modestíssimos da emissora e pôs no ar a transmissão completa dos desfiles.

Eu estava no controle mestre e recebia, sem parar, telefonemas de todos os estados e do exterior pedindo que abrisse o sinal para inclusão na rede.

Foi aí que a Globo decidiu negociar com os bicheiros das escolas de samba, pagou uma nota, segurou a exclusividade e até hoje reduz a cobertura o quanto pode, com chamadinhas ridículas das músicas, a indefectível novela cobrindo o início do desfile, a narração desinformada e palpiteira, tudo enfeitado com as curvas da Globeleza, invenção romântica do Hans Donner.

Mas a festa resiste. Aos palanques, aos bicheiros, aos carolas, aos Marinho, às vedetes. Foi nela que primeiro se ouviu falar de Chica da Silva, que Delmiro Gouveia foi, enfim, lembrado, que o Cristo Trabalhador coberto em um manto negro mostrou que a fé do povo vai muito além dos ditames seculares da hierarquia da Igreja.

É o DNA, a origem, o que diferencia o carnaval e o reveillon do Rio de quantos o copiaram.

 

A nossa bela insanidade

fogos_abre

por Fernando Mollica

 

O Réveillon de Copacabana é, de longe, campeão em matéria de insanidade carioca que dá certo. A festa tinha tudo para dar errado numa cidade imensa, marcada pela beleza mas também pela violência e exclusão. É inacreditável que o evento se repita há décadas sem que jamais tenha sido registrado um tumulto de grandes proporções — até os de pequena monta são raros. Nem na época em que o Rio era associado a frequentes tiroteios, a passagem de ano na Avenida Atlântica deixou de ser pacífica.

E olha que somos bons em desafiar a lógica. A apresentação das escolas de samba é outro exemplo da nossa capacidade de driblar o impossível. Comecei a frequentar a Sapucaí dois anos antes da construção do Sambódromo, e até hoje não entendo como pode funcionar um espetáculo com 50 mil artistas, quase todos amadores e que se apresentam sem ter participado de um ensaio geral digno desse nome. Conduzir os imensos carros alegóricos pelas ruas e obrigá-los a fazer uma curva de noventa graus para entrar na pista de desfile são atividades que desafiam as leis da física.

Mas nada se compara ao nosso Réveillon, festa que acabou copiada por muitas cidades brasileiras. Aposto que nem no pra lá de organizado e seguro Japão as autoridades teriam coragem de estimular uma confraternização que reunisse tanta gente, a maioria com elevadas doses de álcool no organismo.

Estima-se em dois milhões o número de pessoas presentes na praia — um terço da população carioca. A maior parte do público mora longe de Copacabana, passa sufoco para entrar e, principalmente, sair do bairro, enfrenta filas para ir ao banheiro, gasta uma grana para comer e beber por lá. Tudo isso para acompanhar um espetáculo que dura 16 minutos — as atrações musicais são apenas coadjuvantes e não justificariam o deslocamento de tanta gente.

Nem mesmo a beleza dos fogos explica tamanho sucesso de público, o mesmo espetáculo seria incapaz de reunir tantas pessoas se realizado em outra época do ano. A esperança é que justifica a aglomeração e seu caráter pacífico, ninguém ali parece preocupado em atrapalhar os sonhos e os desejos dos outros. Na passagem do dia 31 para o dia 1º saudamos a vida, comemoramos tudo que correu bem e nos damos outra chance de resolver o que ainda está complicado. Tudo isso merece os fogos e a barulheira. O Réveillon de Copa e o desfile das escolas renovam também a nossa fé no país. Não pode dar errado uma sociedade que reúne pessoas capazes de promover as melhores e loucas festas do mundo.”

 

 

O poeta pernambucano Darue Emerson Arruda

Por Antonio Nelson

Olinda é sua fonte de inspiração! A poesia de Darue Emerson Arruda representa frustrações, medos e solidão, alegria, vida ou morte… Desejos ou pensamentos. Ardores e amores. Sexo e sexualidade estão na sua rede social Diário da Carne, onde o autor instiga nossa libido.

As armas
A mulher em seu poder bélico… Em lingerie e salto alto!

poeta

Não vejo sorriso nas pessoas
Vejo uma robótica vida
Intermediária
Vivem por necessidades arbitrárias
Vagas
Mal pagas
Cadê os sorrisos?
Ficou em rostos frios e perdidos
Aprendi a sorrir sem ter motivos, sabe por que?
Porque tudo é lindo
É vivo!

Acesso a cultura
Num país capitalista a música popular brasileira se torna um produto de primeira…
Maracatu
Cavalo Marinho
Pra quê?
Acesso a shows e seu monopólio do dinheiro. ..
Acesso a cultura?
Ah parem com essa história. .. poeta cadê tu?
Poesia para onde foi?
Virou carne de boi…
Quem paga mais é quem tem acesso
Quer mudar a violência e corrupção, a falta de educação?
Indigesto. ..Num Brasil rico de tantos afins!

Dê cultura para o povo. . cansei de ser tratado como bobo!

O Febeapá é um projeto cultural de sabotagem da Cultura brasileira

arquivo biblioteca barata livro

 

 

Um brasileiro para se tornar conhecido nacionalmente na literatura, primeiro precisa ser conhecido lá fora. Você pode não gostar dos romances dele, mas foi assim que aconteceu com Paulo Coelho. Ou um Jorge Amado, pela propaganda realizada pelo Partido Comunista Internacional.

A CIA fez sua parte como sabotagem. Degradou nossa música, acabou com o cinema nacional e patrocinou um padrão TV Globo de qualidade, que lembra as famosas novelas mexicanas.

A imprensa vendida acabou com os suplementos literários, e não  existem mais ensaio, crítica nem resenha.

As teses acadêmicas seguem um modelo rígido e único de dissertação. Um processamento inimigo da criatividade. Um convite a não leitura.

Não preciso lembrar os 21 anos de chumbo da ditadura militar de caça as bruxas, mas que fique registrado que, em 1964,  Fernando Henrique captava cérebros para a CIA. Eleito presidente duas vezes, criou a Lei Rouanet, que lava notas fiscais de um mecenato maníaco por mega eventos (o quanto mais caro melhor), festivais e espetáculos artísticos, os shows comícios, os embalos de sábado dos prefeitos com a contratação de cantores super faturados.

Quantas bibliotecas públicas, teatros, arquivos, editoras marcam o governo de FHC? As TVs Cultura estão sucateadas. Não criou nenhuma universidade, nenhum museu, e não realizou nenhuma campanha nacional em defesa da nossa Cultura ou de promoção no exterior com repercussão internacional.

Ninguém publica livro de contos, poesia, novela, teatro. Raros romancistas conseguem lançar algum livro novo. Os jovens autores vão envelhecer inéditos, quando o Brasil possui ociosas impressoras para editar os diários oficiais da União, dos Estados, e  no Congresso e universidades.

As livrarias foram monopolizadas pela Saraiva, pela Cultura, pela Siciliano, que apenas vendem autores estrangeiros, e que viraram papelarias e lojas cibernéticas.

Pagas com o dinheiro do povo sobram autoridades culturais: ministro, secretários estaduais e municipais de Cultura, cada um com uma legião de funcionários trabalhando que nem os funcionários dos tribunais eleitorais. O Itamarati mantém em cada país um adido cultural que cuida do nada.

Reverbera o grito franquista do general Millán-Astray: “Muera la intelectualidad traidora! Viva la muerte!”.

O Brasil continua o país do Febeapá. 

 

 

 

polícia ensino estudante repressão indgnados

 

 

 

 

 

 

 

Musica. “Hoy se está revalorizando el baile”

La orquesta, una fanfarria de vientos y percusiones que transita la cumbia mexicana, colombiana, villera, peruana, sonidera y los ritmos de Bolivia, mostrará hoy en el Teatro Mandril cómo suena en vivo el poderoso material de Alborada en el derrumbe.

 

por Sergio Sánchez

 

 

LUCIANO CHOQUE RAMOS, DIRECTOR DE LA ORQUESTA TODOPODEROSO POPULAR MARCIAL: “Hasta hace poco era un embole decir que tocabas en una banda de viento o hacías folklore”

LUCIANO CHOQUE RAMOS, DIRECTOR DE LA ORQUESTA TODOPODEROSO POPULAR MARCIAL: “Hasta hace poco era un embole decir que tocabas en una banda de viento o hacías folklore”

 

 

Un fenómeno cultural ocurre, al menos, hace una década: el acercamiento de las nuevas generaciones urbanas a los folklores latinoamericanos. Esto no significa que antes los músicos de los grandes centros urbanos no se vincularan con géneros rurales o folklóricos, pero lo cierto es que el intercambio musical se viene dando de manera cada vez más sostenida, decidida y masiva. Se multiplicaron, en los últimos años, las propuestas interesadas en recuperar los sonidos nacidos en Latinoamérica, desde la música andina hasta la chacarera, pasando por el reggae, la murga, la bossa nova y el merengue. Y, claro, la cumbia –y sus derivados, como el porro y el vallenato– no fue la excepción. Este género, que desató más de una polémica en la Argentina, hoy también se produce en la ciudad de Buenos Aires y ya no es exclusividad de los márgenes. ¿Moda o cambio cultural? Parece imponerse la segunda opción, aunque el oportunismo nunca falta.

Lo cierto es que este cambio de mirada trajo cambios positivos. La cumbia villera, por ejemplo, pudo escapar del estigma que en 2004 hizo evidente el entonces jefe de Gabinete Alberto Fernández. El funcionario vinculó directamente el aumento de la delincuencia con la difusión de este estilo de cumbia. Porque la cumbia no es una sola, son muchas y se expanden por todo el continente; de tal forma que cada país que se la apropió le puso su sello propio. De esa diversidad da cuenta la orquesta Todopoderoso Popular Marcial, una fanfarria de vientos y percusiones que transita por la cumbia mexicana, colombiana, villera, peruana, sonidera y por ritmos bailables y populares de Bolivia (huaynos, tinkus y caporales) y la región. Todopoderoso integra una nueva camada de orquestas porteñas que ponen el acento en la música tropical, aunque no le escapan a otros géneros folklóricos. Integrada por 21 músicos, este combo de bronces acaba de publicar su primer disco, Alborada en el derrumbe, un trabajo instrumental irresistiblemente bailable que hasta se permite versionar “Puño de acero”, de Rage Against the Machine. Lo presentarán hoy a las 23.30 en el Teatro Mandril (Humberto Primo 2758).

“El prejuicio hacia la cumbia estaba sólo en Argentina, en otros lados del mundo la cumbia estaba invisibilizada y luego se visibilizó. Pero acá no sé si se rompió el prejuicio o lo aceptamos porque en el mundo ‘ahora está bien’”, se pregunta Luciano Choque Ramos, director general y creador de Todopoderoso. “Ya nos pasaron por adelante. Hay cumbia hasta en Inglaterra y en Francia, mucho antes de que se la aceptara en Buenos Aires”, completa el músico, aunque al mismo tiempo reconoce el cambio cultural. “Hace algunas semanas, en un programa de La Tribu, estábamos con las chicas del grupo colombiano Son del Arroyo y contaban que cuando llegaron a Buenos Aires, en 2005, nadie sabía qué era una gaita y una tambora, instrumentos de la cumbia tradicional. Pero decían que ahora hay bocha de gente que no sólo toca esos instrumentos, sino que también los hace. Y está buenísimo que empiece a circular. Hay un claro proceso cultural de intercambio, que no es sólo musical. Esto va de la mano de otras lógicas no sólo musicales, como prestarle atención, por ejemplo, a lo que pasa en el gobierno de Bolivia.”

–¿Por qué la propuesta es instrumental y no hay un frontman?

–Nos gustaba la idea de no tener la lógica televisiva de centralizar en un personaje, sino que sea algo más popular y democrático en su formato y en su forma de transmitir. Es algo en tiempo real, no están todos mirando al cantante. Es una idea, pero no significa que lo que no sea así no esté bueno. Me encanta ver a un cantante en el escenario. De hecho, la idea inicial era no necesariamente tocar en escenarios, sino tocar sin microfonear nada y entre la gente. Después eso fue mutando un poco porque hay ciertas situaciones que no las podemos abarcar: si hay mil personas y nosotros igual seguimos siendo veinte, por más que suene fuerte, no se escucha. Lo instrumental viene un poco por ese lado: que no haya un rol protagónico, como sucede en el mundo del pop y el rock.

–Más allá de tomar distancia, el rock se cuela en la orquesta. ¿Es una cuestión generacional?

–Es casi al revés. De pronto se están colando las orquestas en el mundo del rock. Hasta hace poco era un embole decir que tocabas en una banda de viento o hacías folklore. Cuando estábamos con la Peña Eléctrica, había salido una nota en Rolling Stone que decía “vas a ver que el folklore tiene onda”, como abriendo el juego. En Argentina hay una cosa muy conservadora, de seguir repitiendo el rock, porque fuimos los primeros en Latinoamérica en tener este género. Pero no pasa en ningún otro lado eso. En verdad, no es que ya fue, pero comparte el mismo lugar que otros géneros. La movida acá, claro, responde a un mercado. Por suerte, se empezó a colar toda la movida de las orquestas y gente a la que le interesa tocar otros instrumentos. Alguien que tocaba el acordeón hace veinte años y da clases, seguro te va a decir que hoy tiene más laburo que hace diez años. De todas formas, está bueno que en Todopoderoso hayamos mantenido un lado más rockero, más fuerte. Porque nos gusta saltar y hacer pogo. Para nuestra generación y varias para adelante y para atrás, tener un rato de pogo es liberador, es necesario. La banda tiene pocos temas tranqui, la mayoría son fuertes.

Ramos cuenta que su interés por la cumbia, la música latinoamericana y las fiestas populares nació durante su adolescencia, cuando con su familia iba a la fiesta de la Virgen de Urkupiña, que se hace cada octubre en el Bajo Flores. “Es una fiesta súper multitudinaria e híper invisibilizada; nadie se entera que hay como 30 mil personas en la calle dando vueltas frente a la cancha de San Lorenzo”, cuenta. Durante el festejo, desfilan por la calle comparsas, bandas de viento, grupos de sikuris y ballets de danzas andinas. Por eso, quiso trasladar a la orquesta ese espíritu callejero, orgánico y de tracción a sangre. “Desde la música y lo visual, tenemos más que ver con lo callejero y lo popular, que con espacios cerrados en donde hay que amplificar los instrumentos. En las fiestas tocamos entre la gente y en el escenario”, destaca el músico.

–¿Este proceso también tiene que ver con la necesidad de encontrarse, de recuperar la fiesta popular y de darle valor al baile?

–Sí. Y también responde a otro tipo de encuentro: tener músicos tocando en vivo en lugar de un DJ. Un intercambio más mezclado entre músico y público, que es la lógica de la fiesta popular, como sucede con los sikuris. Los tipos tocan en una ronda y la gente está alrededor. No hay una lógica de espectáculo con escenario. Por otro lado, se está revalorizando el baile. En nuestro caso, llama la atención ver tantos músicos tocando en vivo. También hay una revalorización de lo antiguo, quizás en contraste con lo digital. La vuelta del vinilo responde a eso. Más allá del mercado, hay una necesidad de que pasen otras cosas.

 

Governadores e prefeitos festejam hoje o Dia Nacional da Poesia

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Como acontece com os shows de artistas bregas, governadores e prefeitos promoverão, hoje, recitais de poesia nas ruas do povo.

Os governos estaduais e municipais, através das secretarias de Cultura, realizarão outros  e-ventos que se estenderão até o dia 21, Dia Internacional da Poesia. Destaques para noites de autógrafos e lançamentos de livros.

DIA_MUNDIAL_ 21 março

Há uma grande disputa por um convite nos camarotes dos governadores e prefeitos. A elite pretende assistir as declamações dos poetas, a teatralização de poemas por atores das televisões, e os versos cantados pelos artistas – que faturam milhões nas noites natalinas, réveillon, carnaval, festas juninas e  de santos padroeiros, e mundanas inaugurações de obras super faturadas e comícios – na mordomia das bebidas importadas e comendo do bão e melhor.

Os burocratas adidos culturais abrirão as embaixadas brasileiras, nas principais capitais do mundo, para apresentar a desconhecida Poesia Brasileira, recitada por participantes do programa BBBrazil e a mulata Globeleza 2014, eleita em concorrido concurso de bundas.

Os jornalões brasileiros não beneficiados pelo esquema de distribuição de verbas, estão criticando a exclusividade da  Globo, e exigindo que deveriam ter sido convidados os principais poetas, e sugeriram os nomes de Adélia Prado, Ferreira Gullar, Claudia Roquette-Pinto, Talis Andrade e Olga Savary.

Nota: Para tudo que existe dia internacional, o Brasil cria um dia nacional.

Dias e Semanas Internacionais

  • 1 a 7 de fevereiro – Semana Mundial da Harmonia Inter-religiosa
  • 6 de fevereiro – Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina
  • 13 de fevereiro – Dia Mundial do Rádio
  • 20 de fevereiro – Dia Mundial da Justiça Social
  • 21 de fevereiro – Dia Internacional da Língua Materna
  • 8 de março – Dia Internacional da Mulher
  • 20 de março – Dia lnternacional da Felicidade
  • 21 de março – Dia lnternacional para a Eliminação da Discriminação Racial
  • 21 de março – Dia Mundial da Síndrome de Down
  • 21 de março – Dia Internacional das Florestas e da Árvore
  • 21 de março – Dia Mundial da Poesia
  • 22 de março – Dia Mundial da Água
  • 21 a 28 de março – Semana de Solidariedade corn os Povos em Luta contra o Racismo e a Discriminação Racial
  • 24 de março – Dia Internacional para o Direito à Verdade para as Vítimas de Graves Violações dos Direitos Humanos
  • 25 de março – Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos
  • 2 de abril – Dia Mundial de Sensibilização para o Autismo
  • 4 de abril – Dia Internacional de Sensibilização sobre Minas e Assistência à Desminagem
  • 6 de abril – Dia Internacional do Esporte para Desenvolvimento e Paz
  • 7 de abril – Dia Mundial da Saúde
  • 7 de abril – Dia Internacional para Reflexão do Genocídio de 1994 em Ruanda
  • 22 de abril – Dia Internacional da Mãe Terra
  • 23 de abril – Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor
  • 29 de abril – Dia em Memória de todas as Vítimas de Armas Químicas
  • 3 de maio – Dia Mundial da Liberdade de lmprensa
  • 15 de maio – Dia lnternacional das Famílias
  • 17 de maio – Dia Mundial das Telecomunicações
  • 17 de maio – Dia Mundial da Sociedade da Informação
  • 21 de maio – Dia Mundial para a Diversidade Cultural e para o Diálogo e o Desenvolvimento
  • 22 de maio – Dia Internacional para a Diversidade Biológica
  • 25 de maio – Semana de Solidariedade com os Povos sem Governo Próprio
  • 29 de maio – Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz
  • 4 de junho – Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão
  • 5 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente
  • 8 de junho – Dia Mundial dos Oceanos
  • 12 de junho – Dia Mundial contra o Trabalho Infantil
  • 15 de junho – Dia Mundial da Conscientização Contra o Abuso de Idosos
  • 17 de junho – Dia Mundial de Combate à Desertifição e à Seca
  • 20 de junho – Dia Mundial dos Refugiados
  • 26 de junho – Dia Internacional em Apoio às Vítimas de Tortura
  • 11 de julho – Dia Mundial da População
  • 30 de julho – Dia Internacional da Amizade
  • 9 de agosto – Dia Internacional dos Povos Indígenas
  • 12 de agosto – Dia Internacional da Juventude
  • 19 de agosto – Dia Mundial da Ação Humanitária
  • 23 de agosto – Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição
  • 29 de agosto – Dia Internacional contra Testes Nucleares
  • 30 de agosto – Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados
  • 5 de setembro – Dia Internacional da Caridade
  • 8 de setembro – Dia Internacional da Alfabetização
  • 15 de setembro – Dia Internacional da Democracia
  • 16 de setembro – Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio
  • 21 de setembro – Dia lnternacional da Paz
  • 23 de setembro – Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças
  • 1º de outubro – Dia Internacional das Pessoas Idosas
  • 2 de outubro – Dia Internacional da Não Violência
  • 1ª segunda-feira de outubro – Dia Mundial do Habitat
  • 4 a 10 de outubro – Semana Mundial do Espaço Sideral
  • 5 de outubro – Dia Mundial dos Professores
  • 10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental
  • 11 de outubro – Dia Internacional das Meninas
  • 13 de outubro – Dia Internacional para a Redução de Desastre
  • 13 de outubro – Dia Mundial da Visão
  • 15 de outubro – Dia Internacional das Mulheres Rurais
  • 16 de outubro – Dia Mundial da Alimentação
  • 17 de outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
  • 20 de outubro – Dia Mundial da Estatística
  • 24 de outubro – Dia Mundial do Desenvolvimento da Informação
  • 24 a 31 de outubro – Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz
  • 6 de novembro – Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado
  • Semana de 11 de novembro – Semana Internacional da Ciência e da Paz
  • 14 de novembro – Dia Mundial da Diabetes
  • 16 de novembro – Dia Internacional para a Tolerância
  • 17 de novembro – Dia Mundial da Filosofia
  • 20 de novembro – Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito e seus Familiares
  • 20 de novembro – Dia da Industrialização da África
  • 20 de novembro – Dia Universal da Criança
  • 21 de novembro – Dia Mundial da Televisão
  • 25 de novembro – Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher
  • 29 de novembro – Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina
  • 1º de dezembro – Dia Mundial da Aids
  • 2 de dezembro – Dia Internacional para a Abolição da Escravatura
  • 3 de dezembro – Dia lnternacional das Pessoas com Deficiência
  • 5 de dezembro – Dia Internacional do Voluntário
  • 9 de dezembro – Dia Internacional contra a Corrupção
  • 10 de dezembro – Dia dos Direitos Humanos
  • 11 de dezembro – Dia Internacional das Montanhas
  • 18 de dezembro – Dia Internacional dos Migrantes
  • 19 de dezembro – Dia Mundial do Banheiro
  • 20 de dezembro – Dia Internacional da Solidariedade Humana

Brasil sem plebiscito e Poesia

Não há espaço para a Poesia no Brasil.
Os jornais tradicionais, desde 64, fecharam os suplementos literários. Coisa da ditadura. E de uma imprensa capitalista. Que propaga um Brasil globalizado. Isto é, colonizado.

Países de governos democratas – que realizam plebiscitos – promovem festivais internacionais de Poesia. Incentivam e democratizam a cultura. Que o povo ama a Poesia.

A imprensa brasileira prefere idolatrar as Madonas, as Gagas, as Xuxas.

A Bolívia fez referendo este ano, e promoveu Festival Internacional de Poesia.
O Equador fez referendo este ano, e está realizando o III Festival Internacional de Poesia.

Nas Américas do Sul, Central e México foram premiados com o Nobel de Literatura os poetas Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Miguel Ángel Asturias, Octavio Paz, e os romancistas Gabriel Garcia Márquez e Mario Vargas Llosa

O Brasil neca. Tem apenas um único romancista, e morto. Machado de Assis.
Tem apenas um único poeta, Castro Alves, e morto.

Também só há espaço para um único músico, Carlos Gomes; um único pintor, Vitor Meireles; um único escultor, Aleijadinho.

E um único arquiteto, pela graça divina, o único ainda vivo, Oscar Niemeyer.

La Poesía en Paralelo Cero llegará precedida por su propio pregón.
La Plaza Central de la Ciudad Mitad del Mundo será la sede del acto preinaugural del festival internacional que hasta el 11 de junio será punto de reunión de poetas de 8 naciones iberoamericanas. Confira