Da necessidade de conhecer a cultura africana para combater o preconceito e o racismo

racismo

.

(Escrito por uma criança Angolana)

Quando nasci, era preto.
Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer, continuarei preto!
E tu, cara branco?
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.
E vem me chamar de homem de cor?

.

Seleta da poeta Cláudia Gonçalves

Cinco poemas de Cláudia Gonçalves

Cláudia Gonçalves

.

do_ação

se é pra doar que doe
não pro verbo
pro sujeito
não pro doido
pro doído
__ pro presente
não
pro
tempo
ido

.

Utopia

Não é nada
é só poeira de sonho
de uma noite de outono

até esqueci
e deitei no vácuo
que ocupou meus ais

é só uma miragem
pintando a face
de um amor distraído
que tropeçou no silêncio

e amanheceu você

.

Breve

houve
um tempo
em que
o momento
voou
e passou
em silêncio

.

Distração

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

contando estrelas
talvez…

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e não…
não escutei

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

se o bonde passou
deixei… sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
…desisti

.

Inebrio

que perdure esta sede
que embriaga
os sentidos

que nos metros de saudade
minha ponte encontre
a sua

e no remanso da aurora
não me fuja a poesia

 

.

.