TROCA DE LIVROS

por Rafael Gonzalez/ A Tribuna

LIVROS CRUZADOS

livro

“Se você ama seus livros, deixe-os ir” – The New York Times

Um projeto que parece mesmo uma experiência social ou uma brincadeira de criança, o Bookcrossing faz as pessoas praticarem o desapego promovendo a troca de livros, entre desconhecidos, dessa forma, compartilham histórias e escrevem no mundo encontros improváveis.

Criado em 2001, pelo programador Ron Hornbaker, o projeto está presente em 132 países com mais de 11 milhões de livros compartilhados e mais de 2,5 milhões de membros. O Bookcrossing proporciona a criação de uma rede de livros etiquetados que rodam pelo mundo de forma livre à espera de um leitor.

Qualquer pessoa pode se cadastrar no site, etiquetar um livro com o BCID, que é um código único criado pelo projeto, para que os livros possam ser identificados e assim liberá-lo para que viaje o mundo. Se você quer liberar um livro pode emprestá-lo para alguém, deixar em um “Ponto de bookcrossing” ou simplesmente largar em algum lugar público. Na etiqueta deve conter o código de identificação do livro a algumas instruções ao leitor, existem alguns modelos prontos disponibilizados pelo site.

etiquetas_bookcrossing

Existem algumas estatísticas no site como, por exemplo, os países com maior número de livros libertados nos últimos 30 dias: A Alemanha lidera com 8.647 livros, seguidos EUA com 6.250 e França com 3.028. No Brasil, atualmente são 1.655 livros caminhando soltos por aí. Existe também o ranking dos membros que mais registraram livros, o primeiro colocado já registrou mais de 80 mil livros. Tem rankings sobre os livros que mostram os liberados recentemente, capturados recentemente, mais registrados, mais viajados e outras curiosidades.

O desenvolvedor de software Luís Fernando Tremonti, criou o projeto “Leitura no Vagão” que segue o mesmo conceito do Bookcrossing e ajuda a disseminar a leitura no metrô de São Paulo onde passam milhares de pessoas por dia.

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Ler é ganhar asas para o mundo (autor desconhecido)

[Que outros metrôs realizem projeto idêntico. Em Porto Alegre, a poetisa e artista plástica Sandra Santos vem promovendo criativos projetos de divulgação e doação de livros, para criar o hábito da leitura]

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Um país sem bibliotecas e livrarias

por Gloria Kirinus

Livraria

Uma acolhedora e pequena livraria, em Curitiba, fechará sua portas, neste maio. Pra nós autores, isto significa um des-maio.

Na livraria Poetria Clf estavam todos nossos livros, dispostos e disponíveis, com direito a vitrine, para os leitores.

No meu caso, ainda conto com a livraria Paulus e Paulinas onde também tenho livros publicados. Ainda conto com o excelente trabalho de divulgação da Cortez, em Curitiba. Em outras livrarias da cidade meus livros “estão no sistema”. Ahhh… assim não vale, o leitor quer tocar o livro na hora. Isso de “volte daqui a quinze dias” não tem graça nenhuma.

Deveria existir um apoio especial do governo para quem abre uma pequena, acolhedora, intensa livraria, na sua cidade. Algo assim como liberação do aluguel, em espaços previamente selecionados para funcionarem para tal fim. Ou, quem sabe, os próprios autores poderiam formar cooperativas para criar suas livrarias. O que acham desta idéia, AEILIJ/PR e AEILIJ nacional?

Eu sei, os livros podem ser comprados pela internet, mas essa é a dimensão imediata e prática. Falo, aqui, da troca, da conversa, do encontro, com outros leitores, uma livraria quase casa da gente.

Falo da voz do livreiro: – “chegou um livro que é tua cara” ! Falo da livraria com sua poética fundamental para oxigenar e desintoxicar nossa alma.

Obrigada, livraria Poetria Livros e Arte por acolher todos meus livros ( e meus delírios) no espaço mais cálido e acolhedor de Curitiba.

Max

Max

Concordo com Gloria Kirinus, o Brasil precisa de uma grande campanha para abrir livrarias. No Recife todo, existem livrarias apenas no shopping. E são, realmente, lojas de objetos eletrônicos e/ou papelaria. Possuem o nome de livraria para receber isenções de impostos.

O País possui mais de cinco mil secretarias de cultura municipais e estaduais, e a maioria dessas secretarias jamais inaugurou uma biblioteca, patrocinou a abertura de uma livraria, ou editou um livro, quando os governadores e prefeitos gastam fortunas nas instalações de oficinas e montadoras de indústria estrangeiras no Brasil do Proer dos bancos.

Essas secretarias de cultura, entupidas de funcionários públicos parasitas, são excelentes na arte de não fazer nada, além dos super faturados grandes eventos.

Os secretários de cultura adoram patrocinar o que custa muito caro e/ou o que rende muito dinheiro.

Existe, sim, uma política de degradação da cultura brasileira.

ensino escola biblioteca banco indignados

O Febeapá é um projeto cultural de sabotagem da Cultura brasileira

arquivo biblioteca barata livro

 

 

Um brasileiro para se tornar conhecido nacionalmente na literatura, primeiro precisa ser conhecido lá fora. Você pode não gostar dos romances dele, mas foi assim que aconteceu com Paulo Coelho. Ou um Jorge Amado, pela propaganda realizada pelo Partido Comunista Internacional.

A CIA fez sua parte como sabotagem. Degradou nossa música, acabou com o cinema nacional e patrocinou um padrão TV Globo de qualidade, que lembra as famosas novelas mexicanas.

A imprensa vendida acabou com os suplementos literários, e não  existem mais ensaio, crítica nem resenha.

As teses acadêmicas seguem um modelo rígido e único de dissertação. Um processamento inimigo da criatividade. Um convite a não leitura.

Não preciso lembrar os 21 anos de chumbo da ditadura militar de caça as bruxas, mas que fique registrado que, em 1964,  Fernando Henrique captava cérebros para a CIA. Eleito presidente duas vezes, criou a Lei Rouanet, que lava notas fiscais de um mecenato maníaco por mega eventos (o quanto mais caro melhor), festivais e espetáculos artísticos, os shows comícios, os embalos de sábado dos prefeitos com a contratação de cantores super faturados.

Quantas bibliotecas públicas, teatros, arquivos, editoras marcam o governo de FHC? As TVs Cultura estão sucateadas. Não criou nenhuma universidade, nenhum museu, e não realizou nenhuma campanha nacional em defesa da nossa Cultura ou de promoção no exterior com repercussão internacional.

Ninguém publica livro de contos, poesia, novela, teatro. Raros romancistas conseguem lançar algum livro novo. Os jovens autores vão envelhecer inéditos, quando o Brasil possui ociosas impressoras para editar os diários oficiais da União, dos Estados, e  no Congresso e universidades.

As livrarias foram monopolizadas pela Saraiva, pela Cultura, pela Siciliano, que apenas vendem autores estrangeiros, e que viraram papelarias e lojas cibernéticas.

Pagas com o dinheiro do povo sobram autoridades culturais: ministro, secretários estaduais e municipais de Cultura, cada um com uma legião de funcionários trabalhando que nem os funcionários dos tribunais eleitorais. O Itamarati mantém em cada país um adido cultural que cuida do nada.

Reverbera o grito franquista do general Millán-Astray: “Muera la intelectualidad traidora! Viva la muerte!”.

O Brasil continua o país do Febeapá. 

 

 

 

polícia ensino estudante repressão indgnados

 

 

 

 

 

 

 

Um novo tipo de agente literário

Alfredo Martirena

Alfredo Martirena

Sobre o texto publicado na Folha pela Luciana Villas-Boas, condenando a política de tradução do autor brasileiro, achei grosseiro inclusive no modo como se dirige aos escritores. O que é até certo ponto explicável pelo fato de ter sido empregada durante tanto tempo de casa ligada ao comércio editorial, quem sabe os patrões falavam assim com ela o tempo todo.
Estamos precisando no Brasil de um novo tipo de agente, sem subserviência mercantilista às empresas e com um desenho literário sustentado em qualidade estética e identidade singular.
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A submissão operosa desse tipo de agentes às editoras não adianta de nada porque afinal terminam levando o mesmo pontapé (veja-se a mais recente das ex-Record) e o que os escritores desejam na verdade é serem respeitados e levados mais em conta no sentido que a Villas-Boas e suas colegas fossem mais altivas e ao menos desenhassem um perfil de qualidade literária em suas gestões profissionais.
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Outro dia mesmo fiquei pasma ao saber que uma outra ex- empregada de editora deu um estranho mini-curso no Rio pretendendo ensinar aos escritores os passos necessários como agradar a esses estabelecimentos comerciais para ter seus livros aceitos à publicação: o nome disso é mediocridade capitalista mesmo. É banalização vazia da arte e nada tem a ver com a verdadeira literatura.
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BRA^GO_DDM literatura escondida escritor livro

Estudante brasileiro um dos piores em ranking de leitura

opinião, imprensa, livro

 

Livro no Brasil, uma mercadoria de luxo vendida em papelarias com nome de livrarias, e supermercados. O preço continua absurdo, e apenas oferecem best sellers estrangeiros, que foram temas de filmes.

Os governos estaduais e municipais não investem em bibliotecas públicas, apesar da existência das secretarias de cultura apenas no nome, cujas verbas são desviadas para o pagamento de shows comícios e outros e-ventos políticos.

Nas escolas, os professores  desatualizados empurram os clássicos: Machado de Assis, romancista, e algum poeta parnasiano, também de leitura entediante para quem tem quinze anos. Ou algum livro paradidático, cujo autor escreveu nas coxas, acreditando que o jovem brasileiro, por natureza, não passa de um burro.

Os didáticos são também mal escritos, e não possuem a beleza de um livro, lembram cadernos xerocados, e selecionados via lóbi das editoras que faturam adoidado, repassando parte do lucro como jabá para secretarias de educação, diretores de colégios e alguns professores.

‘Leitores’ analfabetos

Quantas vezes, na Universidade, ouvi de estudantes de comunicação a triste revelação: “li, mas não entendi”?

livro na cara

Brasil melhora mas ainda é um dos últimos em ranking de educação

por Daniela Fernandes

De Paris para a BBC Brasil

Os estudantes brasileiros ocupam os últimos lugares nos rankings de leitura, matemática e ciências em uma lista de 65 países e territórios, segundo um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira.

De acordo com o estudo realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2012, da OCDE, apesar da melhora nos resultados, os estudantes brasileiros na faixa de 15 anos ficaram em 55° lugar em leitura entre os 65 países analisados pelo estudo. O ensino constitui um negócio.

O Brasil totalizou 410 pontos em leitura, resultado semelhante aos registrados pela Colômbia e Tunísia e abaixo da Costa Rica, mas acima da Argentina e do Peru.

A média em leitura dos países que integram a OCDE, na grande maioria economias desenvolvidas, foi de 496 pontos em leitura.

A China, que liderou a classificação também em matemática e ciências, obteve 570 pontos em leitura.

A OCDE ressalta que a performance dos estudantes brasileiros em leitura melhorou desde 2000, passando de 396 para os atuais 410 pontos, o que revela uma evolução média anual de 1,2 ponto.

“Dados relativos a mudanças demográficas e sociais entre 2000 e 2012 no Brasil mostram que a melhora no desempenho na leitura pode ser totalmente explicada pela melhoria no status econômico, social e cultural da população estudantil”, afirma o estudo.

Competências básicas

Mas o PISA revela um dado alarmante em relação ao nível de leitura dos estudantes brasileiros: quase a metade (49,2%) ficou abaixo do nível de competências básicas (classificado como nível 2 – que representa 407 pontos).

“Isso significa que, na melhor das hipóteses, eles podem identificar o assunto principal ou o objetivo do autor em um texto com assunto familiar e fazer uma simples conexão entre a informação do texto e seus conhecimentos diários”, diz o estudo.

Houve, no entanto, um leve progresso, já que esse índice havia sido de 49,6% na pesquisa anterior, divulgada em 2010. Em 2000, a proporção de estudantes brasileiros com nível 2 de leitura havia sido de 55,8%.

Na área de matemática, os alunos brasileiros ficaram em 58° lugar, totalizando 391 pontos.

O resultado é comparável ao da Albânia, Jordânia, Tunísia e Argentina. A média obtida em matemática pelos países da OCDE foi de 494 pontos. A China totalizou 613 pontos nessa disciplina.

A OCDE destaca que o Brasil foi o país que registrou a maior taxa de crescimento no total de pontos em matemática nos últimos dez anos.

O Brasil passou de 356 pontos nessa disciplina em 2003 para 391 pontos em 2012. A evolução média anual no período foi de 4,1 pontos.

Em ciências, os estudantes brasileiros ficaram em 59° lugar, com 405 pontos.

O desempenho nessa disciplina também vem aumentando desde 2006, afirma a OCDE, quando o total de pontos obtidos por estudantes brasileiros havia sido 390. No período, houve uma evolução anual de 2,3 pontos nos resultados.

Quase 20 mil estudantes brasileiros de 837 escolas participaram dos testes do PISA 2012, que avaliou 510 mil alunos em 65 países.

Repetência

A organização destaca ainda no estudo PISA que o nível de repetência ainda é extremamente elevado no Brasil e ocorre em maior número entre os estudantes socialmente desfavorecidos.

“No Brasil, mais de um terço dos estudantes (36%) com 15 anos repetiu um ano pelo menos uma vez no ensino primário ou secundário. Muitos repetiram mais de uma vez. Esta é uma das mais altas taxas de repetência entre os países que participam do PISA”, diz o relatório.

“O Brasil precisa encontrar meios de trabalhar com a baixa performance dos alunos para motivá-los e criar expectativas para todos e reduzir as taxas de abandono dos estudos”, afirma a OCDE.

O Pisa avalia a cada três anos a performance de estudantes em leitura, matemática e ciências, com idade de 15 anos ou mais, matriculados a partir da 7ª série do ensino fundamental.

 

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Para que serve a leitura

Por Cristina Peri Rossi
Tradução Nina Rizzi

livro 

PARA QUE SERVE A LEITURA

Me chamam de um editorial
e me pedem que escreva
cinco folhas sobre a necessidade da leitura

Não pagam muito bem
e quem poderia pagar bem por um tema desses?
mas de qualquer maneira
preciso do dinheiro

assim que ligo meu computador começo a pensar
sobre a necessidade da leitura
mas não me ocorre nada

é algo que seguramente sabia quando era jovem
e lia sem parar
lia na Biblioteca Nacional
e nas bibliotecas públicas

lia nos cafés
e nas consultas ao dentista

lia no ônibus e no metrô

sempre andava olhando os livros

e passava as tardes nos sebos
até ficar sem um tostão nos bolsos

tinha que voltar para casa a pé

por ter comprado um Saroyan ou uma Virginia Woolf

Então os livros pareciam a coisa mais importante da vida

fundamentais

eu não tinha sapatos novos
mas não me faltava um Faulkner ou um Onetti
uma Katherine Mansfield ou uma Juana de Ibarbourou

hoje os jovens estão nas discotecas
não nas bibliotecas

eu fiz uma bela coleção de livros
ocupavam toda a casa

tinham livros em toda parte
menos no banheiro

que é o lugar onde estão os livros
da gente que não lê

as vezes tinha que seguir durante muito tempo
as pegadas de um livro que tinha saído no México
ou em Paris

uma longa pesquisa até consegui-lo

Nem todos valiam a pena
é verdade
mas poucas vezes me enganei
tive meus Pavese meus Salinger meus Sartre meus Heidegger
meus Saroyan meus Michaux meus Camus meus Baudelaire
meus Neruda meus Vallejo meus Huidobro
para não falar dos Cortázar ou dos Borges
sempre andava com anotações nos bolsos
dos livros que queria ler e não encontrava
ali andavam os Pedro Salinas e os Ambrose Bierce
a infame turba de Dante
mas agora não saberia dizer pra que maldita coisa
serve ter lido tudo isso

mais que para saber que a vida é triste

coisa que poderia saber sem precisar tê-los lido

Depois de cinco horas eu ainda não tinha escrito
uma só linha
assim que comecei a escrever esse poema
Chamei os do editorial
e disse creio que a única coisa para que serve
a leitura
é para escrever poemas

não posso dizer mais que isso

então me disseram que um poema não servia,
que precisavam de outra coisa.

 

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livro 3

PARA QUÉ SIRVE LA LECTURA

Me llaman de una editorial
y me piden que escriba
cinco folios sobre la necesidad de la lectura

No pagan muy bien
¿quién podría pagar bien por un tema así?
pero de todos modos
necesito el dinero

así que enciendo el ordenador y me pongo a pensar
sobre la necesidad de la lectura
pero no se me ocurre nada

es algo que seguramente sabía cuando era joven
y leía sin parar
leía en la Biblioteca Nacional
y en las bibliotecas públicas

leía en las cafeterías
y en la consulta del dentista

leía en el autobús y en el metro

siempre andaba mirando libros

y me pasaba las tardes en las librerías de usados
hasta quedarme sin un duro en el bolsillo

tenía que volver a pie a casa

por haberme comprado un Saroyan o una Virginia Woolf

Entonces los libros parecían la cosa más importante de la vida

fundamental

y no tenía zapatos nuevos
pero no me faltaba un Faulkner o un Onetti
una Katherine Mansfield o una Juana de Ibarbourou

ahora la gente joven está en las discotecas
no en las bibliotecas

yo me hice una buena colección de libros
ocupaban toda la casa

había libros en todas partes
menos en el retrete

que es el lugar donde están los libros
de la gente que no lee

a veces tenía que seguirle durante mucho tiempo
las huellas a un libro que había salido en México
o en París

una larga pesquisa hasta conseguirlo

No todos valían la pena
es verdad
pero pocas veces me equivoqué
tuve mis Pavese mis Salinger mis Sartre mis Heidegger
mis Saroyan mis Michaux mis Camus mis Baudelaire
mis Neruda mis Vallejo mis Huidobro
para no hablar de los Cortázar o de los Borges
siempre andaba con papelitos en los bolsillos
con los libros que quería leer y no encontraba
por allí andaban los Pedro Salinas y los Ambrose Bierce
la infame turba de Dante

pero ahora no sabía decir para qué maldita cosa
servía haber leído todo eso

más que para saber que la vida es triste

cosa que hubiera podido saber sin necesidad de leerlos

Cuando habían pasado cinco horas yo todavía no había escrito
una sola línea
así que me puse a escribir este poema
Llamé a los de la editorial
y les dije creo que para lo único que sirve
la lectura
es para escribir poemas

no puedo decirles más que eso

entonces me dijeron que un poema no servía,
que necesitaban otra cosa.

– – –

 

In Substantivo Plural

 

 

Por que admiro Cristina Moreno de Castro

Enfim, minha biblioteca

 

Vista aérea da minha biblioteca! (Fotos: CMC)

por Cristina Moreno de Castro

Quando eu era criança, meu sonho era ter uma biblioteca só para mim, com livros em ordem alfabética, divididos por categorias, forrando uma parede inteira do quarto, com estantes do teto ao chão. Como não tínhamos nem espaço nem dinheiro para isso, os livros ficavam espalhados em vários armários, na sala, na copa, no meu quarto, no quarto dos meus pais… E, na falta de lugar, também em caixas de leite, que eu organizava cuidadosamente, embaixo da minha cama. (Pena que não fiz nenhuma foto disso, para guardar de lembrança).

Eu costumo doar trocentas roupas por ano, algumas novíssimas, sou muito desprendida com doações. Mas confesso que não consigo me desfazer dos meus livros, mesmo os já lidos. Sinto uma necessidade enorme de guardá-los, consultá-los, penso que um dia vou relê-los (e muitas vezes faço isso mesmo). São todos especiais. Se eu dou algum livro, pode saber que é uma droga (tipo Cruz e Sousa, que quase joguei na fogueira de festa junina).

Em São Paulo, eu não tinha tantos assim, então todos cabiam no rack da TV. Agora de volta a Beagá, trouxe todos os livros que estavam na casa dos meus pais e os organizei nas estantes de uma escrivaninha, como se fossem minha tão sonhada biblioteca. Ficaram bem amontoados, alguns atrás, outros na frente, alguns por cima, outros lado a lado, mas desta vez não precisei de apelar para os bagageiros do quarto nem para as caixas de leite. Em resumo, minha biblioteca está linda! :D

Ontem contei 297 livros nela. Apesar de eu não gostar de doar meus livros (por outro lado, adoro comprar de presente para os amigos), gosto muito de emprestar, tanto os livros quanto os DVDs, que também estão crescendo. (Já até perdi alguns por causa dos emprestadores que nunca devolvem.) Portanto, aqueles de vocês que têm contato mais direto comigo, sintam-se à vontade para pedir emprestado :)

Seguem as fotos (cliquem sobre elas para ver em tamanho real e conseguirem ler os títulos dos livros):

Os clássicos.

Os poemas.

Autores de A a F.

Autores de G a L e policiais (atrás).

Autores de M a Z (atrás e na frente).

História, jornalismo, guias, meu livro querido etc :)

Bandas, música, músicos (biografias) etc. (Não sei por que a foto está saindo torta…)

Tanto os motivos para admirar Cristina Moreno de Castro. Pela sua poesia. Pelo seu texto jornalístico. Por seguir o exemplo do pai, o grande jornalista José de Souza Castro. Isso significa amor a verdade, ao jornalismo libertário e nacionalista. Amor ao Brasil, que começa pelo amor ao País da Geral.

Fui líder sindical. Para pedir votos, visitei centenas de casas de jornalistas. Quanta pobreza, meu Deus! Outro choque: não vi nenhum livro. É um lugar que sempre procuro em qualquer residência: a biblioteca.
Um jornalista que não lê não é jornalista. Certo que existem as bibliotecas públicas. Mas o Brasil é um país sem bibliotecas. Cultura no Brasil é investir em megas shows nos finais de semana.
Mais um motivo para admirar Cristina, minha amiga virtual: seu amor aos livros.

Pouca leitura

por Woden Madruga

Saiu uma pesquisa, “Retratos da Leitura no Brasil”, encomendada pelo Instituto Pró-Livro e realizada pelo Ibope Inteligência. Os números entristecem qualquer cristão, judeu ou muçulmano. A conclusão é de que o brasileiro lê apenas dois livros por ano. Lá se vão 365 dias: “A média de leitura do brasileiro é de apenas, 2,1 livros por ano. O estudo revela que, no total, a média de leitura do brasileiro é de 4 livros anuais, dos quais dois não são lidos até o final. O número é menor do que o registrado em 2007. Na época, a média de livros lidos por anos era de 4,7.

A pesquisa foi realizada entre junho e julho de 2011 com mais de 5 mil entrevistas em 315 municípios de todas as regiões do pais. A região que apresenta o melhor índice de livros lidos é o Centro-Oeste, seguido do Nordeste (viva!), Sudeste, Sul e Norte. As mulheres leem mais do que os homens. Entre elas, o índice de leitura é de 53%, enquanto nos homens, 43%. Outro dado que chama a atenção e que machuca, mesmo: 75% da população brasileira nunca frequentou uma biblioteca. Em tempo algum.

O livro mais lido pelo brasileiro – seja mulher, seja homem – é a Bíblia. Em seguida aparecem os livros didáticos, depois os romances, livros religiosos, contos e livros infantis.

A pesquisa traça o perfil da maioria dos que frequentam uma biblioteca: a maioria está na vida escolar. Depois abandonam o hábito ao longo da vida. Mais ou menos 64% dos entrevistados, nessa faixa, usam as bibliotecas das escolas ou das faculdades. Outra informação da pesquisa: Apenas 8% dos brasileiros vão à biblioteca frequentemente; 17% fazem de vez em quando.

A presidente do Instituto Pró-Leitura, Karina Pansa, disse que o maior desafio agora “é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar,com prazer, e não só para estudar”. A pesquisa revela 71% da universo pesquisado afirma saber da existência de uma biblioteca publica, em sua cidade. Li num desses blogues da vida:

– A preocupação de Karine faz sentido quando se joga uma luz sobre os dados. Ao serem questionados sobre o que a biblioteca representa, 71% dos participantes responderam que o local é “para estudar”. Em segundo lugar, “um lugar para pesquisa”, ou um “lugar para estudantes”. Só 16% disseram que a biblioteca existe “para emprestar livros de literatura”. Como um lugar de lazer, somente 12% respondeu.

E como são as bibliotecas natalenses?, pergunto eu. Qual o papel que elas cumprem? Fosse eu 50 anos mais moço sairia por aí para fazer essa reportagem. Em Natal e no interior do Estado. Bibliotecas públicas, estaduais e municipais. Bibliotecas das escolas públicas. Conversar com os professores, os alunos, os habitantes do lugar. Saber, por exemplo, em cada uma dessas bibliotecas, que livros de autores do Rio Grande do Norte existem em suas estantes.


Corrupção

Na charge de Loredano, no Estadão, de ontem, tem uma legenda: “Não se pode mais nem ser corrupto em paz”.

Parece coisa de Millôr. Será? Fui na sua “Bíblia do Caos”, e não vi lá a sentença. Tem outras tantas, genais. Como esta:

“Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder”. Ou esta outra: “O corrupto é um animal extremamente parecido com um não-corrupto. Mas esta espécie está quase extinta por ser fácil de capturar”. Mais esta: “Os corruptos são encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil”. E mais uma: “Uma característica curiosa do corrupto se observa em restaurantes. O corrupto está sempre nas outras mesas”.


Geraldo Edson

Amanhã, domingo, primeiro de Abril, o escritor Geraldo Edson de Andrade, chega aos 80 anos. Contista, cronista, um dos mais importantes críticos de arte do país, este natalense, menino da rua Santo Antônio, radicado há muitos anos no Rio de Janeiro. Aqui e acolá, a saudade aperta e eis, ele de volta à terrinha, flanando pelas calçadas da velha Ribeira, pelas ruas da Cidade Alta, pelas balaustradas de Petrópolis.

Gente muito boa, como atesta o Mestre Gaspar fazendo coro com todos os amigos daqui e os de além-mar.

Sem livros não acontece nada

O Brasil tem mais editoras do que leitores. Como explicar este fenômeno só investigando os negócios das secretarias estaduais e municipais e dos ministérios da Cultura e da Educação.

Publica “livros à mão cheia”, mas o país não possui bibliotecas públicas. As que existem não contam com verbas de manutenção. Existem universidades privadas sem bibliotecas.

As livrarias estão hoje localizadas nos shoppings, e tirando o lixo dos  best sellers, são redes nacionais de papelaria, pontos de venda de CDS, DVDS, Blu-rays, games, brinquedos, aparelhos eletrônicos. Idem telefonia, produtos de beleza e saúde e brinquedos. A Saraiva é isso.

Quem não compra livros

Metade da população tem um rendimento de 375 reais. A maioria dos trabalhadores recebe o salário mínimo do mínimo de 545 reais. A classe média com diploma universitário, que ganha o pisoteado piso, está pendurada no cartão de crédito. Compra fiado alimentos, vestimenta e remédios . É antes de tudo um prestamista no país da agiotagem bancária e dos juros mais altos do mundo.

Raras as casas de professores e de jornalistas com bibliotecas.

 

Sem livros não existe revolução

Fica explicada a apatia do brasileiro.

Em um país de analfabetos de pai e mãe não acontece nada.

Veja os exemplos:

As paradas gays são carnavais fora de época. As procissões dos padres e pastores eletrônicos são explorações da fé do povo. Puro exibicionismo. O povo apenas canta e reza. Faz o mesmo nos shows superfaturados dos prefeitos nos finais de semana. É o circo sem pão dos festivais dos governadores.

É o Brasil do analfabeto político.

Sem marcha dos indignados. Sem protestos estudantis. Sem greves.

 

País das chacinas 

O povo só vai pra rua rezar e cantar e dançar. Podia ser sinal de paz.  Mas a realidade é cruel:

No Brasil, nos últimos 30 anos, 1.091.125 pessoas foram vítimas de homicídio, numa média de 4 brasileiros assassinados por hora, sem contar os milhares de desaparecidos sem que se saiba, referentemente aos que morreram, qual a causa-mortis. Leia

O mito do Brasil cordial sempre foi uma farsa. O “pega, mata e come” é constante. O carcará brasileiro supera o da Colômbia, o do México, com suas guerrilhas,  chacinas promovidas pelos paramilitares e pelas forças armadas do governo.

 

 

 

En plena crisis de lo público, quizá ha llegado el momento de pensar en lo común. A raíz de la revolución #15M han surgido proyectos diversos con distintos objetivos: Bookcamping es uno de ellos, y sobre éste versa esta conversación radiofónica [1].

Al albur de una pregunta en twitter (“¿qué libro te llevarías a tu plaza/acampada/bookcamping?”), un buen número de personas se animó a listar los libros que nos han ayudado a pensar, cuestionar y comprender las realidades turbias de este neocapitalismo feroz, así como las razones de los movimientos contestarios que están intentando echar un pulso -igual de feroz- al poder. Más tarde, pasaron más cosas.

El poder, en estos días, es otro de los conceptos en proceso de redefinición. Desde nuestros portátiles y desde nuestras asambleas estamos experimentando otra forma de poder, uno inclusivo, con vocación horizontal. En relación a los libros, las gestoras de Bookcamping están haciéndose preguntas en torno a la labor editorial, la verticalidad de los procesos industriales del libro, la necesidad de licenciar con permisos de copia, descarga, redifusión y remezcla…

Tal como la realidad de nuestro entorno está mutando cada mañana, así muta la biblioteca que ideó Silvia Nanclares (apenas una lista de libros en sus inicios, hoy un repositorio que busca tener en sus estanterías sólo documentos libres de derechos). El nuevo Bookcamping, en proceso de financiación (por medio de la herramienta de micromecenazgo o crowdfunding Goteo.org), quiere ser además un entorno social en el que discutir y pensar en voz alta las lecturas, la creación, la distribución y la edición libresca. Si te gusta el proyecto, puedes colaborar con dinero y con tareas en este enlace.

Durante el programa, con las voces de nuestras invitadas, conocemos un poco mejor los planes de futuro de esta herramienta que nace con vocación común, libre y distribuida: que será más y mejor cuantas más personas se inmiscuyan en su realización y más usuarias se animen a leer y compartir con los demás.

Nota:

[1] Podcast: Bookcamping: de la nube a la plaza. Descarga este podcast, escúchalo en ivoox, o suscríbete al RSS [Ivoox | RSS | iTunes]

Fuente: http://periodismohumano.com/culturas/sin-libros-no-hay-revolucion.html