O deserto inundável do Brasil

por Jovi Esteve/ El País

 

Os Lençóis Maranhenses, no nordeste brasileiro. / ED VIGGIANI

Os Lençóis Maranhenses, no nordeste brasileiro. / ED VIGGIANI

 

 

Há muitos lugares na Terra que são tão fascinantes quanto desconhecidos. Um deles é o ‘deserto inundável do Brasil’, considerado pelo canal National Geographic um dos locais mais exóticos do planeta, já que é o deserto onde mais chove no mundo. Essa bela paisagem fica no nordeste do Brasil, no litoral do Maranhão, e ali é possível visitar o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que, visto dos ares, parece um lençol branco, já que esse deserto brasileiro é formado por areias brancas devido às grandes quantidades de partículas fósseis que ali se encontram. É tão espetacular que existem até roteiros turísticos para apreciar essa joia da Natureza. O que torna esse deserto único é seu regime de chuvas, que vai de janeiro até setembro. De outubro até o fim do ano é a estação seca, quando o calor evapora as águas.

O segredo de sua beleza reside nesse regime de precipitações que pode chegar a acumular entre 1650 e 1750 l/m2 (300 vezes mais do que o Saara). A temporada úmida transforma os 155.000 hectares que formam esse areal atípico em um lugar totalmente insólito, que se enche de infinitas lagoas de água retida em meio às dunas desérticas.

Os melhores meses para visitá-las são de junho a setembro, que é quando estão cheias de água. Essas lagoas apresentam uma cor esverdeada devido a certos microrganismos presentes na areia branca, que conferem um contraste de cor realmente único. Peixes, crustáceos, mariscos e tartarugas aparecem de maneira surpreendente em uma explosão de vida que parece inexplicável, para depois, no tempo de seca, voltarem a desaparecer, recuperando assim o aspecto típico de deserto árido.

 

 

De Elcyr Carreira da Costa

Luz p’ro meu caminho

atravessei o deserto do mar
a procura de porto seguro
me perdi, fui procurar
uma estrela guia que me mostrasse
uma direção, um lugar seguro
e bom para ficar

o meio do caminho
a virtude, o vício
a cruz, a espada
tormentas, tempestades
ilhas de curiosidades

calmaria vem me acalmar
vento sereno, vem me conduzir
vem tu, Sereno, p’ra me orientar
luz a me guiar, no escuro azul do mar

por não conhecer, naveguei por mares de ilusão
naufraguei no coral da desobediência
vi lá longe a estrela da razão

e agora navego, sigo uma estrela
um ponto claro lá no norte

um guia a me nortear