Com seu corpanzil de Catimbó, Ascenso Ferreira canta a Cavalgada

A Cavalhada
por Ascenso Ferreira

Cavalhada

.

Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis…

Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no vento!…

Foguetes do ar…

— “De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!”

Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis…

— Lá vem Papa-Légua em toda carreira
e vem com os arreios luzindo no sol!
— Danou-se! Vai tirar a argolinha!

— Pra quem será?
— Lá vem Pé-de-Vento!
— Lá vem Tira-Teima!
— Lá vem Fura-Mundo!
— Lá vem Sarará!
— Passou lambendo!
— Se tivesse cabelo, tirava!…
— Andou beirando!…
— Tirou!!!
— Música, seu mestre!
— Foguetes, moleque!
— Palmas, negrada!
— Tiraram a argolinha!
— Foi Sarará!

Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis…

— Viva a cavalhada!
— Vivôô!!!

— “De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!”

INVENTÁRIO (POÉTICO) DO RECIFE
por Sylvio de Oliveira

Ascenso Ferreira

Ascenso Ferreira

(fragmentos)

Mas ainda permanecem
as ruas poéticas
de nomes e de poetas
que cantaram rios
exploraram ruas
e amaram tanto
a cidade sua
que entram em prantos
e quedam mudos
se recordarem
suas figuras
suas passagens
e seus poemas
como os lembrados
e sempre-vivos
Faria Neves Sobrinho
com suas Estrofes
aclarando o Crepúsculo
Olegário Mariano
sob cujos versos
a canção carregando
– em canto de cigarras –
evocou a sua terra
e tombou o solar
do Poço da Panela
Ascenso Ferreira
com seu corpanzil
de Catimbó
e a açucada voz
de Cana Caiana
soando grave
em todos nós

Aboio e a pega do boi por Ascenso Ferreira

A PEGA DO BOI
por Ascenso Ferreira

 

A rês tresmalhada
ouviu na quebrada,
soar a toada,
de alguém que aboiou:

— Hô — hô — hô — hô — hô,
Váá!
Meu boi Surubim!
Boi!
Boiato!

E, logo espantada,
sentindo a laçada,
no mato embocou…

Atrás, o vaqueiro,
montando o “Veleiro”
também mergulhou…

Os cascos nas pedras
davam cada risco
que só o corisco
de noite no céu…

Saltaram valados,
subiram oiteiros,
pisaram faxeiros
e mandacarus…

Até que enfim…
No Jatobá
do Catolé,
bem junto a um pé
de oiticoró,
já do Exu
na direção…

— O rabo da bicha reteve na mão!

(Poeiriço danado e dois vultos no chão)

…………………………………

Mas, baixa a poeira,
a res mandingueira
por terra ficou…

E um grito de glória
no espaço vibrou:

— Hô — hô — hô — hô — hô,
Váá!
Meu boi Surubim!
Boi!
Boiato!

 

Ascenso

Ascenso

 

ABOIO DE ASCENSO
por Talis Andrade

.

Delicioso ouvir
Ascenso recitando
Na poesia de Ascenso
o cheiro da terra no cio
a música o ritmo a ginga
o cantar o dançar do povo
o cantochão a poesia em transe
nos improvisos da embolada
do fandango
do coco de roda
e dos maracatus

O vozeirão de Ascenso
agitava as redações
localizadas em local propício
junto às fontes de notícias
Todos os poderes reunidos
em uma promíscua proximidade
Assembléia Legislativa Câmara Municipal
palácios das Princesas e da Justiça
igrejas e casas de meretrício

Deitado em uma imensa rede invisível
armada em uma varanda de ventos alísios
rodeado de mucamas
Ascenso que não era feito de ferro
descansava a malandragem
de jogador de baralho
de tirador de conversa
destilando aguardentia
todos os dias
– Carnavá meu carnavá
tua alegria me consome
chegou o tempo de muié largá os home
chegou o tempo de muié largá os home

Noite de Natal de Vinicius, Graça Graúna, Juliana Stefani, Bandeira, Drummond, Adélia Prado, Talis Andrade e Ascenso

Natividade, 1969, óleo sobre tela, de  Aldemir Martins (1922-2006)

Natividade, 1969, óleo sobre tela, de
Aldemir Martins (1922-2006)

 

 

NATAL 
Vinicius de Moraes

De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
— Cristo nasceu!

O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
— Aonde? Aonde?

Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:
— Em Belém! Em Belém!

Eis senão quando, num zurro
Se ouve a risada do burro:
— Foi sim que eu estava lá!

E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: — É mentira!

Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.
O pombal todo arrulhava:
— Cruz credo! Cruz credo!

Brava
A arara a gritar começa:
— Mentira! Arara. Ora essa!

— Cristo nasceu! canta o galo.
— Aonde? pergunta o boi.

— Num estábulo! — o cavalo
Contente rincha onde foi.

Bale o cordeiro também:
— Em Belém! Mé! Em Belém!

E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra.

 

YES
Graça Graúna

Yes,
natal
que é natal
tem que ter estrela
bem no topo da árvore,
de preferência, banhada
de purpurina. Enfeites, efeitos
grifes, beijinhos, velas, guardanapos,
CDs, framboesas, cartões de crédito, postais
e poemas que não falem do absurdo presépio
sob o viaduto
em construção

 

POEMA DE NATAL
Juliana Stefani

Dorme,
que a fome passa
e se não passa
Grita
que a palavra mata
na dúvida
de quem cala
Dorme.
que a ceia que provas
é a fome da espera

Dorme.
que não és tato.
Não és faro.
És o olhar do menino
na poça d’água
… Um reflexo de Natal
Pode estar também na vidraça
onde arqueias com o dedo: “Felicidade”.
Dorme,
que do outro lado, na rua
quem lê
lê ao avesso
e se vai.

 

CANTO DE NATAL 
Manuel Bandeira

.
O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.

 

NATAL
Carlos Drummond de Andrade

.
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa…
Industrializar o tema,
eis o mal.

 

ORFANDADE
Adélia Prado

“Meu Deus,
me dê cinco anos.
Me dê um pé de fedegoso com formiga preta,
me dê um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dê a negrinha Fia pra eu brincar,
me dê uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dê minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande.
Ó meu Deus, meu pai,
meu pai.”

 

MISSA DO GALO
Talis Andrade

Tocam os sinos
de Belém alegrando
fandangos e marujadas
Pela televisão
o Papa reza a Missa do Galo
a chamar o dia
afugentando a madrugada

Tocam os sinos de Belém
consagrados sinos
fundidos com ligaduras
de ouro cobre mercúrio
estanho ferro e chumbo
Nos quatro cantos do mundo
o povo canta esperando um prodígio

o Anjo que não vem

Em todos os recantos da cidade
espocam fogos de artifício
espocam os champanhes
Em todos os recantos da cidade
tocam os sinos de Belém

eu sem ninguém

 

A FESTA
Ascenso Ferreira

.
O altar armado da igreja à porta,
Tão lindo como nunca vi,
Cheirava a cravos, cheirava a rosas,
Cheirava a flor do bogari…

As barraquinhas adornadas
Com lanternas de muitas cores,
Vendiam coisas cheias de odores:
Broas, pastéis, doces, geladas,
Jinjibirra, abacaxis…

Um pouco abaixo o cosmorama,
Onde espantado a gente via,
Quadros de guerras encarniçadas,
Vistas de terras encantadas,
– Terras de Oropa, França e Bahia…

A gente ia pro carrossel,
Nos seus cavalos esquipar!
O realejo triste gemia,
Mas, dentro em nós quanta alegria.
E, quando o carrossel se ia,
Ai! que tristeza de matar!

Ganhava a gente roupas novas,
Novo sapato, novo chapéu,
E tudo, nossos pais compravam,
Com um carinho especial;
Nada de Papais Noéis!
Nada de árvores de Natal!

Sinos tocavam dentro da noite,
Fogos subiam riscando o céu!
Jesus brilha de luz num halo
– “Meia-noite canta o galo
Dizendo: – Cristo nasceu!”

Hoje tudo broma, falsete,
Não sendo para admirar,
Que o rádio diga sobre o presepe,
Jesus estava up-to-date
E Nossa Senhora very kar…

Minha filhinha, Papai Noel,
É uma figura tragicômica!
Não te iludas com seus enredos
Pois que no meio de seus brinquedos,
Virá um dia a bomba atômica!
……………………………………..

O altar armado da igreja à porta,
Tão lindo como nunca vi,
Cheirava a cravos, cheirava a rosas,
Cheirava a flor do bogari.

 

No dia da Poesia

por Woden Madruga

 

DIA-DA-POESIA

 

Hoje, 14 de março, antevéspera de lua cheia, comemora-se o Dia Nacional da Poesia. Vejo que nesta terra de Poti mais rimada há festas programadas ao gosto estadual e municipal. “Rio Grande do Norte, capital Natal: em cada esquina um poeta, em cada rua um jornal”. Isso era no começo do século que passou. Hoje, há poucos jornais. Contando nos dedos, três. Agora, poeta são muitos. Não somente nas esquinas – disputando o espaço com os camelôs (há camelôs poetas, sim, tantos como há poetas ambulantes, ambula aqui, ambula acolá) – , mas eles também são vistos nos canteiros centrais, espaços públicos onde, às vezes, se joga lixo, tão ao gosto do natalense. Isso sem contar que os poetas agora avançaram mais no tempo e ocupam a internet povoando os blogues. Como tem poeta em blogue! Mas com pouca poesia…

O Dia Nacional da Poesia existe por conta de Castro Alves. Mas o  grande baiano (“Boa-noite, Maria! É tarde… é tarde… / Não me apertes assim contra o teu seio. // Boa-noite!… E tu dizes – Boa-noite./ Mas não digas assim por entre beijos… / Mas não me digas descobrindo o peito, / – Mar de amor onde vagam meus beijos.”) nunca é lembrado, nunca é  recitado (“Oh! Eu quero viver, beber perfumes/ Na flor silvestre que embalsama os ares;/ Ver minh’alma adejar pelo infinito,/ Qual branca vela n’amplidão dos mares.”). Aqui e acolá quando é tempo de carnaval, a tevê desfilando por Salvador, mostra um trio elétrico contornado a Praça Castro Alves (“A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor/ É o antro onde a liberdade / Cria águias em seu calor.”) Será que nas escolas o poeta, que começou a fazer versos na escola aos 14, 15 anos, é ensinado?

O poeta que nasceu no sertão da Bahia (14 de março de 1847), viveu apenas 24 anos. Viveu intensamente. Morreu em Salvador (depois de muito viver e muito amar em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo), no dia 6 de julho de 1871 (“Morrer… quando este mundo é um paraíso,/ E a alma um cisne de douradas plumas:/ Não! o seio da amante é um lago virgem…/ Quero boiar à tona das espumas. / Vem! formosa mulher – camélia pálida,/ Que banharam de prantos as alvoradas. / Minh’alma é a borboleta, que espaneja / O pó das asas lúcidas, douradas…”)

Não, ninguém hoje mais ler nem cita Castro Alves, o poeta abolicionista, pregador da liberdade e amante apaixonado, o poeta do romantismo, autor teatral, o escritor, o tradutor de Vitor Hugo, de Lamartine, de Byron, de Alfred de Musset (“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? / Em que mundo, em que’ estrela tu t’escondes / Embuçado nos céus?”). Não ninguém “ouve” Castro Alves.  E Jorge Fernandes, natalense, xaria das ruas Santo Antônio e Vigário Bartolomeu, que tomou cachacinha com Mário de Andrade escoltado por Luís da Câmara Cascudo, também ainda é lembrado?  (“A luz elétrica do meu tempo / Vinha com  a lua-cheia… / Cantavam dentro de mim / Todos os trovadores do passado… / Os olhos que amaram os trovadores / Esquecidos / Eram de novo lembrados / Nas canções dentro de mim…”).

E um outro coestaduano ilustre, José Bezerra Gomes, seridoense de Currais Novos? Será que nas escolas daqueles sertões, uma professora (pode ser professor), um dia, abra um livrinho para recitar para seus alunos o seu poema de nome sugestivo, “Mealheiro”? (“Meu avô/ a camisa por cima da ceroula/ no mourão/ da porteira do curral/ de pau-a-pique/ cheirando a estrume. // Contando os bezerros/ novos/ das vacas paridas // Minha avó/ no santuário da capela/ o rosário de contas/ de capim santo/ nas mãos devotas. (…) A barra das madrugadas / o aboio dos tangerinos// As alpregatas/ do meu avô/ arrastando/ nas lajes dos alpendres/ do mundo/ de minha infância.”).

E tem outro poeta, agora pernambucano, que consta do meu cadastro dos não esquecidos: Ascenso Ferreira. Conheci aqui em Natal, entre os becos e ruas estreitas da Ribeira, guiado por Veríssimo de Melo, começo da década de 60. É da mesma geração de Jorge Fernandes, pouco mais moço do que José Bezerra Gomes. Já se foram. Mas a  poesia de cada um, não. De Ascenso, gosto muito do poema Sertão, que me lembra Queimadas de Baixo.

“Sertão! – Jatobá! / Sertão! – Cabrobó! / – Cabrobó!/ – Ouricuri!/ – Exu!/ Exu! // Lá vem o vaqueiro pelos atalhos, tangendo as reses para os currais…// Blém… blém… blém… cantam os chocalhos/ dos tristes bodes patriarcais. // E os guizos fininhos das ovelhas ternas: / dlim… dlim… dlim… // E o sino da igreja velha: / bão… bão… bão… // O sol vermelho como um tição.”

Eis o meu quarteto de poetas no Dia da Poesia. Representam bem todos os poetas.

Na Capitania
A Capitania das Artes faz festa para celebrar a Poesia. Logo cedo, coisa das 8 horas, o prefeito  Carlos Eduardo e o presidente Dácio Galvão recebem seus convidados, poetas e escritores, para um café Poesia & Prosa. Haverá homenagem ao grande Moacyr Cirne, cujo nome será dado a um dos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs), projeto conveniado entre Ministério da Cultura e Prefeitura. O de Moacyr fica no bairro Lago Azul, na zona Norte.

Em seguida serão lançados os editais dos concursos Othoniel Menezes (Poesia), Ensaio Etnográfico (Câmara Cascudo) e Ensaio Literário (Moacyr Cirne).

Emenda-se com o lançamento do livro “A Poesia e o Poema no Rio Grande do Norte”, de Moacyr Cirne, reedição do Sebo Vermelho, Projeto Nação Potiguar.

Mesa Literária 
Ainda na programação da Capitania das Artes, duas mesas literárias: a primeira, 9 horas, sobre o tema “A Poesia vista pelos olhos da Poesia”, por conta do poeta carioca Eucanaã Ferraz, professor de Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Prêmio Alphonsus Guimaraens da Biblioteca Nacional, doutor em Vinícius de Moraes.

A segunda mesa (10 horas), “Da crítica à Poesia Experimental”, tem como mediador o sebista e editor Abimael Silva. Palestrantes: Falves Silva, Anchieta Fernandes e Muirakitan de Macedo. Em seguida, intervenções poéticas.

Chuva

Natal amanheceu quinta-feira debaixo de chuva. Que beleza! Chove em todas as regiões do Estado. Mais no Oeste e no Seridó. A maior chuva foi em Carnaúba dos Dantas, 42 milímetros; Acari, 40. São informações da Emparn até coisa das 9 horas. Deve ter tido mais chuvas no andar do dia.

Dozinho
Partiu Dozinho para os carnavais celestiais. Compositor, letrista, músico, boêmio, papo delicioso. Bela figura de gente. Saudades.

Canto Adeth Leite e Ascenso Ferreira

Ascenso Ferreira

Canto de Adeth Leite
o Recife dos cais dorminhocos
onde nos botequins
os malandros
alta noite
bebem cachaça

O cantar
de Ascenso Ferreira
sozinho na noite
nas ruas desertas
do Velho Recife
que atrás do arruado
moderno ficou

Ai este Recife escondido
esta gente zumbi
que atrás do arruado
moderno ficou


In A Partilha do Corpo, Talis Andrade, p. 127

O Enforcado da Rainha

Um raro e excelente livro de poesias que narra os movimentos libertários do Brasil, inclusive abordando temas como a ditadura militar de 1964, a tortura, as reivindicações do povo, e os costumes, nos tomos: O Enforcado da Rainha,Trajos do Medo, A Sinistra Mão, Santa Inquisição, Romance do Retornado, e Esconsos.

Escreve José de Souza Castro: “Os poemas de Talis Andrade são enxutos de palavras. Apesar disso, ou talvez por isso, vão tecendo uma sucessão infindável de pequenos recortes que formam um painel magnífico de nossa história de esperanças sempre frustradas. Talis termina o livro afirmando, equivocadamente, que `a quieta safra de poetas/ não possui fôlego/ para um poema épico’. Afinal, O Enforcado da Rainha é um poema épico”.

Para Adriano Massena: “Entre a dor e o poeta reside a poesia, entre Talis e a vida existe o amor por uma leveza que se aprisiona ao vento. Talis quebra tabus grudados em poetas”.

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