Norte-americano cria lista com motivos pelos quais odiou viver no Brasil

Um americano que morou em São Paulo por três anos resolveu criar um lista com motivos pelos quais odiou viver no Brasil. Ele é casado com uma brasileira e não gostou muito da experiência. A lista inicial tinha 20 motivos, mas um fórum gringo resolveu continuá-la.

1- Os brasileiros não têm consideração com as pessoas fora do seu círculo de amizades e muitas vezes são simplesmente rudes. Por exemplo, um vizinho que toca música alta durante toda a noite… E mesmo se você vá pedir-lhe educadamente para abaixar o volume, ele diz-lhe para você “ir se fud**”. E educação básica? Um simples “desculpe-me “, quando alguém esbarra com tudo em você na rua simplesmente não existe.

 

 

2- Os brasileiros são agressivos e oportunistas, e, geralmente, à custa de outras pessoas. É como um “instinto de sobrevivência” em alta velocidade, o tempo todo. O melhor exemplo é o transporte público. Se eles vêem uma maneira de passar por você e furar a fila, eles o farão, mesmo que isso signifique quase matá-lo, e mesmo se eles não estiverem com pressa. Então, por que eles fazem isso? É só porque eles podem, porque eles vêem a oportunidade, por que eles querem ganhar vantagem em tudo. Eles sentem que precisam sempre de tomar tudo o que podem, sempre que possível, independentemente de quem é prejudicado como resultado.

 

 

3- Os brasileiros não têm respeito por seu ambiente. Eles despejam grandes cargas de lixo em qualquer lugar e em todos os lugares, e o lixo é inacreditável. As ruas são muito sujas. Os recursos naturais abundantes, como são, estão sendo desperdiçados em uma velocidade surpreendente, com pouco ou nenhum recurso.

 

árvore Ong meio ambiente Amazônia

4- Brasileiros toleram uma quantidade incrível de corrupção nos negócios e governo. Enquanto todos os governos têm funcionários corruptos, é mais comum e desenfreado no Brasil do que na maioria dos outros países, e ainda assim a população continua a reeleger as mesmas pessoas.

 

 

5- As mulheres brasileiras são excessivamente obcecadas com seus corpos e são muito críticas (e competitivas com) as outras.

 

 

6- Os brasileiros, principalmente os homens, são altamente propensos a casos extraconjugais. A menos que o homem nunca saia de casa, as chances de que ele tenha uma amante são enormes.

 

 

7- Os brasileiros são muito expressivos de suas opiniões negativas a respeito de outras pessoas, com total desrespeito sobre a possibilidade de ferir os sentimentos de alguém.

 

 

8- Brasileiros, especialmente as pessoas que realizam serviços, são geralmente malandras, preguiçosas e quase sempre atrasadas.

 

 

9- Os brasileiros têm um sistema de classes muito proeminente. Os ricos têm um senso de direito que está além do imaginável. Eles acham que as regras não se aplicam a eles, que eles estão acima do sistema, e são muito arrogantes e insensíveis, especialmente com o próximo.

 

 

10- Brasileiros constantemente interrompem o outro para poder falar. Tentar ter uma conversa é como uma competição para ser ouvido, uma competição de gritos.

 

 

11- A polícia brasileira é essencialmente inexistente quando se trata de fazer cumprir as leis para proteger a população, como fazer cumprir as leis de trânsito, encontrar e prender os ladrões, etc. Existem Leis, mas ninguém as aplica, o sistema judicial é uma piada e não há normalmente nenhum recurso para o cidadão que é roubado, enganado ou prejudicado. As pessoas vivem com medo e constroem muros em torno de suas casas ou pagam taxas elevadas para viver em comunidades fechadas.

 

 

12- Os brasileiros fazem tudo inconveniente e difícil. Nada é simplificado ou concebido com a conveniência do cliente em mente, e os brasileiros têm uma alta tolerância para níveis surpreendentes de burocracia desnecessária e redundante. Brasileiros pagam impostos altos e taxas de importação que fazem tudo, especialmente produtos para o lar, eletrônicos e carros, incrivelmente caros. E para os empresários, seguindo as regras e pagando todos os seus impostos faz com que seja quase impossível de ser rentável. Como resultado, a corrupção e subornos em empresas e governo são comuns.

 

 

14- Está quente como o inferno durante nove meses do ano, e ar condicionado nas casas não existe aqui, porque as casas não são construídas para ser herméticamente isoladas ou incluir dutos de ar.

 

 

15- A comida pode ser mais fresca, menos processada e, geralmente, mais saudável do que o alimento americano ou europeu, mas é sem graça, repetitivo e muito inconveniente. Alimentos processados, congelados ou prontos no supermercado são poucos, caros e geralmente terríveis.

 

 

16- Os brasileiros são super sociais e raramente passam algum tempo sozinho, especialmente nas refeições e fins de semana. Isso não é necessariamente uma má qualidade, mas, pessoalmente, eu odeio isso porque eu gosto do meu espaço e privacidade, mas a expectativa cultural é que você vai assistir (ou pior, convidar amigos e família) para cada refeição e você é criticado por não se comportar “normalmente” se você optar por ficar sozinho.

 

 

17- Brasileiros ficam muito perto, emocionalmente e geograficamente, de suas famílias de origem durante toda a vida. Como no #16, isso não é necessariamente uma má qualidade, mas pessoalmente eu odeio porque me deixa desconfortável e afeta meu casamento. Adultos brasileiros nunca “cortam o cordão” emocional e sua família de origem (especialmente as mães) continuam a se envolvido em suas vidas diariamente, nos problemas, decisões, atividades, etc. Como você pode imaginar, este é um item difícil para o cônjuge de outra cultura onde geralmente vivemos em famílias nucleares e temos uma dinâmica diferente com as nossas famílias de origem.

 

 

18- Eletricidade e serviços de internet são absurdamente caros e ruins.

 

 

19- A qualidade da água é questionável. Os brasileiros bebem, mas não morrem, com certeza, mas com base na total falta de aplicação de leis e a abundância de corrupção, eu não confio no governo que diz que é totalmente seguro e não vai te fazer mal a longo prazo.

 

 

20- E, finalmente, os brasileiros só tem um tipo de cerveja (aguada) e realmente é uma porcaria, e claro, cervejas importadas são extremamente caras.

 

 

21- A maioria dos motoristas de ônibus dirigem como se eles estivessem tentando quebrar o ônibus e todos dentro dele.

 

 

22- Calçadas no meu bairro são cobertos com mijo e coco de cães que latem dia e noite.

 

 

23- Engarrafamentos de Três horas e meia toda vez que chove .

 

 

24- Raramente as coisas são feitas corretamente da primeira vez. Você tem que voltar para o banco, consulado, escritório, mandar e-mail ou telefonar 2-10 vezes para as pessoas a fazerem o seu trabalho.

 

 

25- Qualidade do ar muito ruim. O ar muitas vezes cheira a plástico queimado.

 

 

26- Ir a Shoppings e restaurantes são as principais atividades. Não há nada pra fazer se você não gastar. Há um parque principal e está horrivelmente lotado.

 

 

27- O acabamento das casas é péssimo. Janelas, portas , dobradiças , tubos, energia elétrica, calçadas, são todos construídos com o menor esforço possível.

 

 

28- Árvores, postes, telefones, plantas e caixas de lixo são colocados no centro das calçadas, tornando-as intransitáveis.

 

 

29- Você paga o triplo para os produtos que vão quebrar dentro de 1-2 anos, talvez.

 

 

30- Os brasileiros amam estar bem no seu caminho. Eles não dão espaço para você passar.

 

 

31- A melhor maneira de inspirar ódio no Brasil? Educadamente recusar-se a comer alimentos oferecidos a você. Não importa o quão válida é a sua razão, este é considerado um pecado imperdoável aos olhos dos brasileiros e eles vão continuar agressivamente incomodando você para comê-lo.

 

 

32- As pessoas vão apertar e empurrar você sem pedir desculpas. No transporte público você vai tão apertado que você é incapaz de mover qualquer coisa, além da sua cabeça.

 

 

33- O Brasil é um país de 3° mundo com preços ridiculamente inflacionados para itens de qualidade. Para se ter uma ideia, São Paulo é classificada como a 10ª cidade mais cara do mundo. (New York é a 32ª).

 

 

34- A infidelidade galopante. Este não é apenas um estereótipo, tanto quanto eu gostaria que fosse. Homens na sociedade brasileira são condicionados a acreditar que eles são mais ”virís” por saírem com várias mulheres.

 

 

35- Zero respeito aos pedestres. Sim, eles não param para você passar. Na melhor das hipóteses, eles vão buzinar.

 

 

36- Quando calçadas estão em construção espera-se que você ande na rua. Alguns motoristas se recusam a fazer o menor desvio a sua presença, acelerando a poucos centímetros de você, mesmo quando a pista ao lado está livre.

 

 

37- Nem pense em dizer a alguém quando você estiver viajando para o EUA. Todo mundo vai pedir para você trazer iPods, X-Box, laptops, roupas, itens de mercearia, etc. em sua mala, porque eles são muito caros ou não disponíveis no Brasil.

 

 

38- A menos que você goste muito de futebol ou reality shows (ou seja, do Big Brother), não há nada muito o que conversar com os brasileiros em geral. Você pode aprender fluentemente Português, mas no final, a conversa fica muito limitada, muito rapidamente.

 

 

39- Tudo é construído para carros e motoristas, mesmo os carros sendo 3x o preço de qualquer outro país. Os ônibus intermunicipais de luxo são eficientes, mas o transporte público é inconveniente, caro e desconfortável para andar. Consequentemente, o tráfego em São Paulo e Rio é hoje considerado um dos piores da Terra (SP, possivelmente, o pior). Mesmo ao meio-dia podem ter engarrafamentos enormes que torna impossível você andar mesmo em um pequeno trajeto limitado, a menos que você tenha uma motocicleta.

 

 

40- Todas as cidades brasileiras (com exceção talvez do Rio e o antigo bairro do Pelourinho em Salvador), são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center.

 

Shopping construído na Bacia do Pina, Recife

Shopping construído na Bacia do Pina, Recife

 

Museu do Índio, Rio de Janeiro

Museu do Índio, Rio de Janeiro

As altas torres das elites e a beleza roubada da Bacia do Pina

Estão construindo um novo Recife de altas torres, sem nenhum planejamento.

Arranha-céus exigem largas avenidas que a capital de Pernambuco não possui. Portanto deveriam ser erguidos próximos do metrô, mas o interesse da especulação mobiliária é vender a mais bela paisagem da Cidade das Águas.

Os amantes do azul e do verde sonhavam para a Bacia do Pina, escreve Alex Maurício Araújo: “A cidade do Recife possui um grande patrimônio fluvial estuarino disponibilizado pela natureza para ser explorado na área de lazer aquático. Além das praias, tradicional atração turística, os aspectos fluviais e estuarinos da cidade do Recife devem ser considerados, estudados, levantados e planejados racionalmente os seus usos de modo a que se possa explorar, em bases ambientalmente auto-sustentada,  todo o seu potencial.

A idealização e o planejamento urbano e ambiental integrados de um pólo de turismo e lazer aquático na bacia do Pina fundamentam-se na melhoria da qualidade de vida dos habitantes da cidade do Recife e nos pressupostos macroeconômicos de que o turismo em Pernambuco está situado entre as suas maiores vocações econômicas. Sua concepção baseia-se na valorização da beleza paisagística e nos seus atributos naturais para vir a ser um local ideal para a promoção de eventos públicos ligados ao lazer e esportes náuticos (remo, vela, esqui aquático, canoagem, etc.), devendo ser este patrimônio ambiental usufruído, protegido e garantido por todos contemporâneos para as futuras gerações pernambucanas”.

Não sou defensor da vocação turística, que uma cidade deve ser idealizada para a vivência digna e feliz dos seus habitantes. E Recife é uma cidade sem nenhum passeio público, e pobre em hortos, parques e praças. Uma cidade cujo único local de lazer não foi construído pelo homem: a praia que margeia a avenida Boa Viagem.

Onde o Recife cantado por Carlos Pena Filho?

“Hoje, serena, flutua,
metade roubada ao mar,
metade à imaginação,
pois é do sonho dos homens
que uma cidade se inventa”

A Bacia do Pina sempre foi esquecida. Não foi cantada pelos meus amigos poetas Carlos Pena Filho no “Guia Prático da Cidade do Recife”, por Carlos Moreira no Pequeno Guia da Cidade do Recife, por J. Gonçalves de Oliveira no Guia Lírico e Amativo da Cidade do Recife.
.
No livro A Partilha do Corpo, na p.129, no poema Cantar Alheio, descrevo o Recife:
.
A paisagem
uma lindeza vista de longe
vista do alto
Cidade em três cores delineada
.
Um risco azul
o encontro do céu e o mar
.
Um risco cinza
os arrecifes
.
Um risco verde
a floresta
que se fez
invisível
.
Os especuladores imobiliários jamais esqueceram a Bacia do Pina, beleza encantada.
.
A MAIS ALTA TORRE
.
No SkyscraperCity este post sobre algumas torres projetadas: na figura abaixo, as linhas vermelhas horizontal e vertical têm aproximadamente o mesmo tamanho.
Novo Recife Torre Leste2

Então, sabendo o comprimento da horizontal, podemos
estimar sem tanta precisão a altura do prédio (considerando
que a escala do vídeo esteja correta). No Google Maps,
podemos medir tal comprimento:

Distanncia_Novo_Recife

Ou seja, por esse método ultra power científico,
podemos esperar que a torre que parece ser a mais alta
terá cerca de 200 metros – algo entre 60 a 70 andares.

As populações recifenses estão excluídas do projeto. Quando no Brasil são proibidas as praias particulares, a Bacia do Pina poderia trazer os tradicionais banhos de rio do Recife do Nunca Mais.

Recife é a cidade cosmopolita mais provinciana em linha reta do mundo

por André Raboni

prédios

Recife sempre foi considerada a “capital do Nordeste” – desde quando o nordeste foi inventado, em meados do século 20. Antes disso, era considerada uma das cidades portuárias mais importantes do Brasil – desde quando o Brasil foi inventado, ao longo do século 19. No período colonial, a província de Pernambuco era uma das principais forças econômicas da colônia portuguesa e, claro, Recife era o principal centro da província.

Durante muito tempo, os filhos do Recife partiam para conviver durante alguns anos com as altas culturas europeias e voltavam para a província a esbanjar com mais vigor o seu nariz de senhorzinho de província. Uma viagem à Europa era um investimento familiar que rendia grandes dividendos no trato público: era a diplomação da respeitabilidade social e a garantia de um bom nome na praça.

No entanto, os ~bons~ filhos das castas recifenses, se iam a Paris com a ignorância pendurada no chapéu, regressavam de Paris igualmente ignorantes mas com uma novidade na lapela: a arrogância.

Essa mistura exótica da ignorância com a arrogância foi o que nos deu este doce presente: nos tornamos a cidade cosmopolita mais provinciana em linha reta do mundo.

Há quem acredite com fervor que a verticalização da cidade é sinônimo de progresso. Aliás, para muita gente o maior sonho de consumo é morar num espigão de trocentos andares com azulejos de banheiro.

Novo Recife e #OcupeEstelita

O Cais José Estelita é, talvez, a área mais nobre do Recife. A afirmação pode ser absurda aos olhos da província, porque o argumento (?) de quem defende o projeto Novo Recife é de que o lugar está abandonado e abarrotado de construções velhas e inúteis, além de cercada de pobres e pobreza. Com isso se forma a frase: “o que vier será bom”, e acabou-se o debate.

Um consórcio entre a Moura Dubeux, Queiroz Galvão e Ara Empreendimentos comprou o terreno da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que você vê na foto abaixo:

Cais-J-Estelita

O terreno está abandonado. Todo lascado, diria em boa linguagem Pernambucana. Mas a área é nobre porque, embora esteja completamente abandonada, se situa numa orla belíssima na melhor paisagem do Recife. Vivemos um completo abandono da prefeitura ao longo de várias gestões. Esse abandono do poder público criou o buraco perfeito para a indústria imobiliária tomar conta e decidir o futuro do Recife.

O avanço da indústria imobiliária sobre o destino da cidade ficou muito fácil, porque se de um lado temos uma parcela da população que jura de pés juntos que “bairro nobre é o bairro das Graças, Jaqueira e Boa Viagem”, por outro temos uma parcela extremamente ausente do debate sobre a cidade. Com um poder público completamente inerte, fica tudo ainda mais fácil.

Ontem uma multidão passou o dia no Cais José Estelita. Estive lá e vi professores, estudantes, artistas, médicos, advogados, arquitetos e urbanistas, filósofos, historiadores, sociólogos, enfim, um monte de gente que está bem longe de ser o que a jornalista Téta Barbosa chamou em seu blog de “hippie de butique com iPhone na mão”. Não sei se a moça, que mora em Aldeia e já fez trabalhos para a Moura Dubeux, estava lá na manifestação, ou se fala por mero recurso retórico.

(Update 16/04 às 21h: Um amigo acaba de me informar que a jornalista não está mais morando em Aldeia, mas no bairro das Graças)

Subtraindo toda a retórica apressada e sem graça da moça, dois substratos do texto valem ser citados. Primeiro quando ela afirma que não entende como pessoas que moram em prédios façam protestos contra a construção de prédios. Em seguida ela atira sem direção e diz que “é fácil ser hippie de butique e protestar tirando foto com iphone” (talvez só seja legítima nestes casos a participação via Twitpic).

Faço nem ideia de quais interesses movem a publicitária que fez propagandas dos prédios da Moura Dubeux (empresa que fraudou o leilão do terreno onde estão as duas torres no Cais de Santa Rita), mas a depreender do texto, eles parecem maior que seu interesse pela cidade do Recife – que, a se medir pela sua fuga pra Aldeia (legítima, diga-se de passagem), percebe-se que não seja dos maiores.

Bem. Pessoas que moram em prédios têm toda a legitimidade de serem contra a construção de, de, de… prédios – ou a moça acha que as pessoas que moram em prédios devem se sentir as mais felizes e realizadas Pollyanas Moças da face da terra? Morar em prédio não é o sonho de consumo de muita gente, pois muitas famílias moram neles por total necessidade financeira, pois não têm condições de morar num refúgio no meio do mato em Aldeia, ou numa casa no Parnamirim. Além disso, morar em prédio está bem longe de significar que se quer que toda a cidade seja uma imensa floresta de espigões com azulejos de banheiro.

Descontando o desconhecimento aparente da história da cidade ao afirmar que o Cais José Estelita está abandonado há 300 anos, achei interessante quando perguntou “porque (sic) só agora que resolveram fazer alguma coisa nele, é que decidiram protestar?”

É um fato que nossa sociedade vive uma desmobilização impressionante. Embora nos ensinem nas escolas que Recife é uma cidade de tradição libertária e revolucionária, sentamos nossas bundas nos sofás e nos sentimos bem com esse ensinamento. Esse bem-estar comodista nos fez a população mais apática em linha curva da América Latina, e que descobriu no “slaktivismo” (a militância de sofá) uma forma de se sentir melhor por não fazer patavina pelo bem comum.

Mas a manifestação que levou mais de mil pessoas neste domingo ao Cais José Estelita foi um momento importante pra cidade na busca de tentar reverter tanta apatia e comodismo na cidade. E se havia pessoas na manifestação que desconhecem o projeto Novo Recife, talvez seja não só pela desmobilização, mas porque ele foi MUITO mal divulgado. E nada melhor para sair do desconhecimento do que se encontrar com outras pessoas que conhecem o projeto.

Analiso a manifestação de ontem como uma massificação inicial do debate, que já vem acontecendo. Uma discussão muito bem fundamentada está sendo desenvolvida no blog Direitos Urbanos, desde a audiência pública que lotou a Câmara de Vereadores do Recife para discutir o ainda pouquíssimo divulgado projeto Novo Recife.

Se há pessoas que não conhecem o projeto, essa é a hora de entrar na discussão e conhecer as pessoas e as ideias que estão circulando, seja para apoiar ou para contrariar. Ao longo de décadas o que vemos são manifestações estritamente estudantis nas ruas, ou no máximo protestos do MST (que as manchetes de jornais logo se horrorizam anunciando “Baderneiros do MST atrapalham o trânsito”).

Aliás, eis aqui mais um retrato do nosso provincianismo pujante:

Quando há um protesto na Grécia ou na Espanha, quem participa do protesto é tratado como “manifestante”. Mas quando há um protesto aqui no Brasil, não passam de vagabundos, baderneiros ou hippies de boutique a ocupar as ruas com seus iPhones para postar no seu Instagram.

¿A quién le sirven las torres en la ciudad?

por Luis Bruno/ Clarín

TORRES DE PERÍMETRO LIBRE. Depredan el tejido urbano y la calidad de vida.

TORRES DE PERÍMETRO LIBRE. Depredan el tejido urbano y la calidad de vida.

Hay un creciente acuerdo sobre que el futuro supone ciudades más densamente pobladas. Hay, sin embargo, grandes diferencias en torno a cómo llevarlo a la práctica. En pocas líneas quisiera llamar la atención sobre el enorme daño ambiental, social y urbano que viene produciendo la proliferación de torres de perímetro libre en Buenos Aires. Así como se viene aplicando, este formato preferido por los desarrolladores para atraer al segmento socioeconómico mas alto, no hace más que depredar el tejido urbano y por ende, la calidad de vida en la Ciudad.

No es cierto que las torres responden a la necesidad de densificar. Vive dos y tres veces más gente en una manzana de Barrio Norte, con los edificios de altura homogénea apareados uno al lado del otro, que en una de esas manzanas ocupadas por grandes torres. Y las calles son más amigables y seguras cuando se suceden puertas de acceso y comercios, que las que rodean estas fortalezas generalmente amuralladas.

Dos casos para verlo claramente. Uno: la avenida Juan B. Justo entre Santa Fe y Córdoba es otra después de los últimos diez años de economía emergente. La democracia había urdido trabajosamente una extraordinaria actividad urbana en Palermo, a izquierda y a derecha de la avenida. Con ese potencial, en un santiamén, Juan B. Justo se pobló de torres escondidas detrás de vallados de hormigón y rejas que dibujan veredas muertas. ¿Es este engendro urbano lo que la política, los expertos y los desarrolladores porteños proponen como receta para el futuro?

Caso dos: asoma el nuevo Vicente López a metros de la General Paz. Al desafortunado aporte de una vialidad de autopista que fracturó para siempre la relación ciudad/río, se añade la aparición incipiente de enormes mamotretos de altísimo impacto ambiental que se venden como barrios cerrados o fortalezas de oficinas inteligentes en altura. ¿Qué clase de espacio público socialmente responsable nos proponen no ya los arquitectos, sino la política y la economía para ese lugar?

La ciudad es de todos. El aparente beneficio para unos pocos en ningún caso puede suponer dañar al futuro colectivo. Lo que se destruye en pocos años luego lleva décadas o siglos para ser reconstruido. La política se debe una invitación amplia a debatir y consensuar la ciudad que nos conviene. En el mientras tanto, hasta que eso suceda, los arquitectos debemos reflexionar sobre el sentido de las normas que escribimos. No se trata de rechazar estos encargos si es que nos tocan. Se trata de utilizar responsablemente los espacios de debate y los lugares de actuación pública y liderar la defensa del bien común en los temas que nos atañen. Para salirnos además del triste rol de ser los firmantes, a muy bajo costo, del lucro de terceros.

Hace casi cuatro décadas, nuestros referentes urbanistas, imbuidos del espíritu higienista moderno, idearon el englobamiento de parcelas, mecanismo por el cual se le conceden beneficios especiales a quienes unifican lotes, uno de los cuales es la posibilidad de ganar altura. La figura normativa abrió la puerta ingenuamente a la torre de perímetro libre, formato que viene irrumpiendo por todas partes en Buenos Aires y alrededores, alterando la continuidad de calles y avenidas y, lo que es peor, afectando negativamente la vida urbana en el espacio público aledaño. Hay preguntas que debemos formularnos. Pensemos que una manzana de Buenos Aires tiene al menos una veintena de parcelas. ¿Preferimos un consorcio opulento a veinte consorcios medios? ¿Hemos escrito las normas para alentar al gran comprador y a la gran empresa en lugar de pequeñas y medianas? ¿Y para que allí trabaje un solo profesional en lugar de veinte de nosotros? ¿Preferimos muros y casillas de seguridad en lugar de puertas y comercios? Por donde se las mire, las torres porteñas hacen agua.

Las soluciones están y existen en Buenos Aires. Mientras discutimos la ciudad que nos conviene, hagamos que el perímetro de las torres que pisa el suelo sea a su vez línea municipal. Así, todo lo que queda por fuera de la pisada de la construcción sería espacio público y lo que se cede para obtener el beneficio de la mayor altura sería genuinamente una cesión y no solo una toma de ganancias mayores. Cuánto mejor sería la ciudad al pie de esos edificios, si en sus plantas bajas tuvieran comercios y si lo que hoy son amenities privados fueran plazas públicas. Otra opción es añadir cuerpos sobre las líneas municipales para reconstruir las calles. Una entrega adicional de FOT y FOS para que ello ocurra sería una concesión pública de alto valor urbano. Estas sugerencias finales solo apuntan a no centrar la crítica a las torres porteñas en su forma arquitectónica ni en su estética; eso resultaría una banalidad. Pongamos el foco en el ostensible daño que realizan a la calidad de vida de Buenos Aires, porque como dijo alguna vez Jane Jacobs, la activista urbana canadiense fallecida en 2006, “una ciudad no es el skyline de sus edificios, es la vida en los intersticios”.

NOVA PAISAGEM DO RECIFE. Moderno edifício residencial, apelidado de "as torres gêmeas", na entrada do Porto Digital

NOVA PAISAGEM DO RECIFE. Moderno edifício residencial, apelidado de “as torres gêmeas”, na entrada do Porto Digital

Los edificios más sorprendentes del mundo (FOTOS)

De los paisajes más increíbles a los edificios más curiosos, originales o por qué no, excéntricos. Esta nueva lista de rincones recopila algunos de Los edificios más sorprendentes del mundo que han descubierto muchos de los usuarios de minube en sus viajes.

Algunos de ellos parecen sacados de sueños de grandeza, y otros de una mala noche de pesadillas, pero ahí están, dando color a las ciudades. ¿Cuál te llama más la atención?

Estadio Olímpico de Beijing

Nada mejor para empezar que las recomendaciones de dos personas que visitaron este curioso lugar y que lo resumen estupendamente:

“El Estadio Nacional de Beijing (más conocido como el Nido de pájaros) es uno de los edificios más emblemáticos de las olimpíadas. Su peculiar forma nos remite a un gran nido iluminado, compuesto por varias tiras que se entrelazan entre sí, funcionando como estructura y diseño a la vez”, según Belén G. Bonorino.

“Fue construido para los Juegos Olímpicos y diseñado por los arquitectos suizos Jacques Herzog y Pierre de Meuron, los mismos que diseñaron el estadio Allianz Arena”, añade Flapy, uno de los mayores expertos en viajes al Asia.

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Foto de Flapy

Marina Bay Sands, Singapur

Aunque uno no se aloje en este increíble hotel, se puede visitar. Tres torres unidas por una curiosa estructura con forma de barco que presume de ser la plataforma más alta del mundo. Allí se encuentra la piscina del hotel Marina Bay Sands, desde donde se tienen unas vistas increíbles de toda la ciudad. También dispone de discoteca, restaurantes y un centro comercial.

Algunos dicen que al anochecer parece una nave espacial posada sobre las tres torres.

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Foto de Casakika

Casa Hundertwasser, Viena

¡Vaya espectáculo de color! La casa Hundertwasser, en la calle Kegelgasse 34-38 (Viena), es una edificio de 52 viviendas diseñado por Friedensreich Hundertwasser. Y de viviendas quiere decir que aquí ¡vive gente! Es una combinación de ondas, aberturas, color y hasta plantas. Desde que se terminó en 1985 se ha convertido en uno de los lugares más fotografiados de la ciudad.

Casa Hundertwasser

Foto de Iván

Palacio Ideal, Hauterives, Francia

El Palacio Ideal es una obra del conocido como arte marginal, es decir, que no sigue los cánones típicos de la cultura. Su historia es tan bonita como triste: Ferdinand Chavel, su creador, contaba que un día se tropezó con una piedra y se le ocurrió la idea de esta obra. Recogió piedras, las llevo con una carreterilla y empezó su trabajo. 33 años tardó en acabarla, entre críticas de los vecinos que le creían un loco.

A Picasso le encantó este Palacio cuando lo vio y con el paso de los años se convirtió en todo un referente.

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Foto de Julym

Museo Guggenheim, Bilbao

¡No podía faltar en la lista! Hay que reconocer que el Guggenheim es bastante especial. La historia ya es conocida por todos, y lo que transmite verlo, también:

“Tengo que reconocer que lo mío con Guggi ha sido amor a primera vista. Cuando lo veía en la tele pensaba que era algo demasiado moderno, demasiado irreal, demasiado…, siempre le ponía pegas, pero ahora sólo puedo decir que es una auténtica maravilla arquitectónica que se ha acoplado a la ciudad de Bilbao de una manera armoniosa y perfecta.”

Así nos describe Eva Pm la sensación que da esta obra de la arquitectura moderna.

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Foto de Pablo Charlón

La Casa Tocida, Sopot, Polonia

Inspirada en los cómics, el Krzywy Domek es un edificio de la ciudad de Sopot (Polonia).

Forma parte de un centro comercial y es la fachada más fotografiada de todo el país desde que se construyó en 2004. Hay que prestar especial atención al tejado que cuando el sol se refleja en las tejas, pues parece que estás viendo las escamas de un dragón.

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Foto de Clo

WonderWorks, Orlando

Y de la Casa Torcida a la casa del revés. La idea era crear algo que pareciera haber caído del cielo, ¡y lo consiguieron! Dentro hay una especie de museo con exhibiciones interactivas, simuladores de huracanes, terremotos, juegos con pistolas láser, etc.

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Foto de Alce

Museo de Arte Contemporáneo de Niterói

El ganador del Príncipe de Asturias entre otros premios, Oscar Niemeyer, es famoso por original y atrevida concepción de la arquitectura. Una de ellas es esta, el Museo de Arte Contemporáneo – MAC de Niterói(Brasil).

Es como ver un platillo volante aterrizado en medio de un paisaje natural.

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Foto de Patricio Bustos

Palácio da Pena: um castelo de príncipes e princesas

Por D

 

O palácio da Pena é um dos ex-líbris da região de Lisboa. Situado no cimo da serra de Sintra, foi mandado construir pelo Rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo Gotha. Em 1839, as ruínas de um antigo convento e a zona envolvente maravilharam o monarca, que aí mandou construir a sua residência de Verão. Inspirado na arquitectura de outros castelos europeus, e com uma decoração exótica e extremamente detalhista, o Palácio Nacional da Pena é o mais completo exemplar do Romantismo português.

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Em 2007 foi eleito uma das 7 maravilhas de Portugal. No entanto, o Palácio Nacional da Pena há muito encanta quem o visita. Seja pela imponente arquitectura, pela exótica decoração, que mistura vários estilos, ou pelo parque que o rodeia, este edifício constitui uma das mais belas construções da região de Lisboa. A 4,5km do centro histórico de Sintra, foi projectado pelo arquitecto Barão de Eschwege e decorado pelo próprio Rei D. Fernando II.

De convento em ruínas a palácio

Em 1839, o monarca visitou as ruínas de um antigo convento que tinha sido destruído por um raio e pelo (grande) terramoto de 1755. Mandado construir por D. Manuel I, o Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena encantou D. Fernando II, que então o adquiriu e transformou na sua residência de Verão.
Para dirigir a restauração do edifício, contrata o Barão de Eschwege, um arquitecto alemão que trabalhava em Portugal como engenheiro de minas. O projecto do palácio era inspirado noutras construções europeias, nomeadamente nos castelos da Baviera. Mas, ao nível da decoração e dos detalhes, foi o gosto do monarca que o “revestiu”. Deve-se à sua personalidade eclética e romântica a mistura de arcos, torres medievais, traços de inspiração gótica e árabe que o caracterizam.

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Palácio de Pena, Tritão

Palácio de Pena, Tritão

O palácio está dividido em quatro áreas: as muralhas que o cercam, com duas portas; o antigo convento restaurado juntamente com a torre do relógio, no topo da colina; o pátio com a sua parede de arcos; e a zona palaciana, caracterizada pelo seu interior em estilo cathédrale, com mobiliário e decorações típicas da época.
Do antigo convento foram conservados os claustros, a capela e alguns anexos que serviram de base para a reconstrução. A sua adaptação, realizada com uma junção de vários estilos e influências góticas, mouriscas, neo-manuelinas e árabes, resultou num ambiente de um autêntico cenário “das mil e uma noites”, nas palavras de Richard Strauss: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o castelo do Santo Graal”.

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China construirá el mayor rascacielos en tan solo 90 días

China pretende levantar la estructura más alta del mundo hecha por el hombre en tiempo récord

China pretende levantar la estructura más alta del mundo hecha por el hombre en tiempo récord

El edificio será construido en la ciudad de Changshá, capital de la provincia de Hunan, a la orilla del río Xiang (sudeste del país). La empresa china Broad Sustainable Building (BSB) asegura que levantará este gigante de acero en tan solo 90 días, gracias a los materiales totalmente prefabricados que utilizará.

La torre tendrá 838 metros de altura y 220 pisos y se extenderá por una superficie de un millón de metros cuadrados. El produgio arquitectónico tendrá 104 ascensores y será la estructura más alta del mundo hecha por el hombre. De lograrlo, los chinos superarán por 10 metros el récord impuesto por el Burj Khalifa en Dubái, el actual edificio más alto del mundo, cuya construcción duró cinco años (2004/201o).

O Burj Khalifa é um arranha-céu em Dubai, Emirados Árabes Unidos, e é a mais alta estrutura feita pelo homem , 828 metros.

O Burj Khalifa é um arranha-céu em Dubai, Emirados Árabes Unidos, e é a mais alta estrutura feita pelo homem , 828 metros

“No requiere cemento ni hormigón y genera menos residuos”

Según el director de la compañía BSB, Zhang Yue, para la construcción del Sky City se invertirán 628 millones de dólares. La edificación de la llamada ‘torre china’ comenzará en noviembre de este año y finalizará en enero del 2013.

Zhang explicó que su compañía usa materiales elaborados de antemano y empleará estructuras prefabricadas en vez de cemento. “Eso es un avance medioambiental, ya que no requiere cemento ni hormigón y su construcción genera menos residuos”, precisó.

Esta empresa china tiene una gran experiencia en la ‘construcción urgente’. Así, a principios de este año sus trabajadores levantaron un edificio de 30 pisos de altura, con más de 55.000 metros cuadrados en apenas ¡360 horas! La construcción puede resistir terremotos de magnitud 9.

El anterior récord de la empresa lo impuso en junio del 2010: se trató de un edificio de 15 pisos, mismo que construyó en seis días. Ahora nadie duda de la asombrosa capacidad de trabajo china.

La torre árabe…

El Burj Khalifa, conocido durante su construcción como Burj Dubai (la Torre de Dubái), es un rascacielos de 160 pisos que se encuentra situado en el distrito Downtown Burj Khalifa de la ciudad de Dubái, en los Emiratos Árabes Unidos. Es la estructura más alta construida por el hombre con 828 metros de altura y se inauguró en enero del 2010.


Hasta el momento, el edificio más alto de China es la Torre de Shanghái, ubicada en el distrito empresarial de Pudong, en la ciudad más poblada del país. Cuando sea terminado (en el 2014) este edificio de 128 pisos y una superficie de 380.000 metros cuadrados, tendrá 632 metros de altura.

Pritzker 2012.Pouco conhecido fora do seu país, Wang Shu mostra com a sua obra que o que se constrói na China

O prémio Pritzker 2012 foi atribuído a uma obra que “abre novos horizontes ao mesmo tempo que ressoa com o lugar e a memória” – foi com estas palavras que o júri daquele que é considerado o Nobel da arquitectura justificou ontem a escolha este ano do arquitecto chinês Wang Shu.

Jovem, com apenas 48 anos, e com obra construída unicamente na China, Wang Shu – que fundou com a sua mulher, Lu Wenyu, o atelier Amateur Architecture Studio – é um arquitecto relativamente pouco conhecido fora do seu país.

“É bastante inesperado”, comenta Ricardo Carvalho, crítico de arquitectura do PÚBLICO. Mas, lembra, “também Eduardo Souto de Moura [o arquitecto português que recebeu o Pritzker de 2011] era conhecido apenas num certo meio, entre arquitectos, e Wang Shu tem um pouco o mesmo perfil. São prémios a falar de uma outra visão sobre o mundo, de uma qualidade local e não necessariamente que sirva a qualquer lugar.”

Trata-se de um prémio que “tem claramente a ver com o momento chinês”, e que é, ao mesmo tempo, “uma crítica a esse momento”. Isto porque, quando se olha para a obra de Wang Shu, percebe-se claramente que “no contexto chinês ela é muito diferente da espectacularidade e do kitsch” de muito do que se tem construído naquele país, “é muito mais arcaica, com a ambição de ser perene”.

O júri do Pritzker – presidido por lorde Palumbo e que integrava, entre outros, o arquitecto chileno Alejandro Aravena, o chinês Yung Ho Chang, a britânica Zaha Hadid, Pritzker de 2004, e o australiano Glenn Murcutt, Pritzker 2002 – assume isso mesmo: “O facto de ter sido escolhido um arquitecto chinês supõe um importante passo no reconhecimento do papel que a China vai desempenhar no desenvolvimento dos ideais arquitectónicos. Além disso, o êxito do urbanismo chinês nas próximas décadas será importante não só para a China mas para o mundo inteiro.”

Aravena di-lo claramente: “Há questões significativas ligadas ao recente processo de urbanização na China – se deve ser ancorado na tradição ou se deve olhar para o futuro. Como em qualquer grande arquitectura, o trabalho de Wang Shu consegue transcender esse debate produzindo arquitectura que é intemporal, profundamente enraizada no seu contexto e no entanto universal.” E Yung Ho Chang reforça a mesma ideia ao afirmar que a obra de Wang “mostra que a arquitectura na China é mais do que a produção em massa da banalidade que responde ao mercado e de reproduções do exótico.”

Para se conhecer a arquitectura de Wang Shu é necessário ir à China e, sobretudo, à região de Hangzhou, onde está a maioria dos trabalhos – entre os mais conhecidos conta-se o Museu Histórico de Ningbo, um edifício em pedra, com pequenas aberturas rasgadas de forma incerta, e uma estrutura “quebrada” em vários pontos. É um edifício com “uma dupla condição”, descreve Ricardo Carvalho. “Tem formas perfeitas mas ao mesmo tempo parece quase inacabado.”

Trabalho artesanal

Autor dos pavilhões da China na Expo de Xangai e na Bienal de Veneza de 2006, Wang Shu fez vários edifícios públicos, entre os quais o Campus Xiangshan da Academia Chinesa de Arte, mas também as delicadas casas sobre água conhecidas como Five Scattered Houses, em Ningbo.

Wang Shu tem uma relação muito próxima com o trabalho dos artesãos. Nascido em 1963 em Urumqi, na província de Xinjiang, filho de um músico e carpinteiro amador e de uma professora, parecia destinado a ser artista plástico ou escritor. Mas os pais aconselharam-no a estudar ciências ou engenharia e ele optou por uma via intermédia – a arquitectura. Depois de se formar, foi trabalhar, no início dos anos 90, com artesãos e construtores para aprender tudo sobre técnicas de construção, sobretudo na recuperação de casas antigas.

“Escolhi o trabalho artesanal e o espírito amador em vez do sistema”, disse. “Eu desenho uma casa em vez de um edifício. Um dos problemas da arquitectura profissional é pensar demasiado no edifício. Uma casa, que é mais próxima da vida simples e quotidiana, é mais fundamental do que a arquitectura.”