Papa adverte que abandonar idosos é “pecado mortal”.

O papa advertiu hoje que abandonar os idosos é um “pecado mortal” e sem “honrar os idosos” não há “futuro para os jovens”

 

 

Cecigian

Cecigian

Francisco falava na audiência geral das quartas-feiras, perante milhares de fiéis concentrados na praça de São Pedro.

“Os idosos deviam ser para toda a sociedade uma reserva de sabedoria”, sublinhou.

“Os idosos são abandonados, não só em condições materiais precárias, mas também enfrentam numerosas dificuldades que devem ultrapassar para sobreviver numa sociedade que não quer a sua participação”, declarou.

O papa referiu que, graças ao progresso da medicina, “a vida humana aumentou, mas o coração não cresceu” perante a realidade dos idosos.

Francisco denunciou a sociedade atual, referindo-se mais uma vez à “cultura do descartável”, que “abandona os idosos” e onde muitos deles “vivem com angústia esta situação de abandono”.

“Os idosos são homens e mulheres, pais e mães, que estiveram antes de nós no nosso caminho, na nossa mesma casa, na nossa batalha quotidiana por uma vida boa. Homens e mulheres de quem recebemos muito”, sublinhou.

“O idoso não é um ser estranho, o idoso somos nós. Dentro de muito ou pouco (tempo), é inevitável. Se não aprendermos a tratar bem os idosos, assim seremos tratados”, acrescentou.

O papa frisou que uma sociedade “sem proximidade é uma sociedade perversa” e a Igreja, “fiel à palavra de Deus”, não pode tolerar essa sociedade. Agência Lusa/ Jornal I

 

Os idosos somos nós

Na audiência geral o Papa Francisco fala da importância dos avós e da sua condição problemática 

Payam Boromand

Payam Boromand

«A atenção dada aos idosos distingue uma civilização»: foi a admoestação lançada pelo Papa Francisco na audiência geral de quarta-feira 4 de Março. Ao encontrar na praça de São Pedro doze mil fiéis provenientes de todas as partes do mundo, o Pontífice prosseguiu o ciclo de reflexões dedicadas à família e analisou a «actual condição problemática» dos avós, face a tantas situações de abandono e indiferença. E definiu «perversa» «uma sociedade sem proximidade» em relação «a esta fase da vida».

Acrescentando, como de costume, algumas considerações pessoais ao texto preparado, o Papa explicou que «os idosos são uma riqueza, não se podem ignorar», porque «esta civilização só irá em frente se souber respeitar» a sua sabedoria. Com efeito, prosseguiu com uma imagem forte, «uma civilização na qual os idosos são descartados porque causam problemas tem em si o vírus da morte».

Inspirando-se na sua experiência durante o ministério episcopal em Buenos Aires, o Pontífice recordou a situação de uma idosa abandonada pelos filhos que não se lamentava não obstante tivessem passado oito meses depois da última visita deles. «Isto chama-se pecado mortal» comentou. Em seguida repropôs a história – que lhe foi contada pela sua avó – de uma família na qual um idoso que «se sujava quando comia» foi relegado para «a cozinha para que não fizessem má figura quando os amigos vinham almoçar ou jantar». A narração prossegue com o cenário de um pai de família que poucos dias mais tarde, quando voltou para casa, encontrou o filho a brincar com madeira, martelo e pregos. Quando o pai lhe perguntou o que estava a fazer, o menino respondeu: «Construo uma mesa para quando tu fores idoso, assim podes comer ali». Demonstrando, frisou Francisco, que na relação com os idosos «as crianças têm mais consciência do que nós».

Onde não são honrados os idosos, não há futuro para os jovens

 Ramses Morales Izquierdo

Ramses Morales Izquierdo

Figuras importantes na família são os avós, a reserva sapiencial da vida. Infelizmente uma certa cultura do lucro insiste em fazer aparecer os idosos como um peso, que se deve descartar. Isto não se diz abertamente, mas é assim que se procede. Com o progresso da medicina, foi possível alongar a vida, mas a sociedade não soube “alargar-se” para a acolher e rejubilar com ela. A Igreja não pode nem quer conformar-se com o modelo consumista actual que olha com impaciência, indiferença e desprezo para a velhice. Os idosos são homens e mulheres, pais e mães que percorreram, antes de nós, as mesmas estradas, estiveram na mesma casa, travaram a mesma luta diária por uma vida digna. São homens e mulheres de quem muito recebemos. Temos de despertar o sentimento colectivo de gratidão, apreço, hospitalidade, que faça sentir o idoso como parte activa da sua comunidade. O idoso é cada um de nós daqui a alguns anos; inevitavelmente, embora não pensemos nisso. Todos os idosos são frágeis; mas há alguns que o são de modo particular porque sem ninguém e a braços com a doença: dependem absolutamente dos cuidados e da solicitude dos outros. Mas, por esse motivo, vamos abandoná-los? Uma sociedade, onde a gratuidade e o afecto desinteressado vão desaparecendo – mesmo para com os de fora da família –, é uma sociedade perversa. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, não pode tolerar tais degenerações. Uma comunidade cristã, onde deixassem de ser consideradas indispensáveis a proximidade e a gratuidade, com elas perderia a sua alma. Onde não são honrados os idosos, não há futuro para os jovens. Copyright – Libreria Editrice Vaticana

IDOSO TEM DIREITO A RECEBER GRATUITAMENTE SEUS MEDICAMENTOS

 Elihu Duayer

Elihu Duayer

 

 

 

Estatuto do Idoso comemora um ano e meio de vigência. E não podemos negar os inúmeros avanços trazidos por esta lei. O Estatuto simboliza o reconhecimento de que somos uma sociedade cujo número de idosos cresce a cada dia e por isso a necessidade da criação de uma lei específica que regulamenta os mais importantes direitos daqueles que chegam e passam dos 60 anos.

Hoje vamos falar sobre a questão dos medicamentos gratuitos. O artigo 15° parágrafo 2° do Estatuto determina que cabe ao Poder Público fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, especialmente os de uso continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação de sua saúde. E é importante ressaltar que a lei não fala de idoso carente ou em estado de pobreza. Todo idoso tem direito de receber seus medicamentos gratuitamente. Não é preciso comprovação de renda ou qualquer outro tipo de cadastramento ou habilitação. Basta ter 60 anos ou mais de idade.

Considero o capítulo que trata do direito à saúde um dos mais importantes do Estatuto do Idoso. E dentro deste capítulo, uma das maiores conquistas certamente é a questão da gratuidade dos medicamentos porque não existe nenhum critério subjetivo para aplicação desta medida, ou seja, todo idoso tem direito a receber gratuitamente do poder público os medicamentos, as próteses, órteses e todos os recursos necessários para manter ou reabilitar sua saúde, independentemente de sua situação econômica. E com um ano de vigência do Estatuto já é hora deste direito ser respeitado.

Este direito pode parecer exagerado e já fui questionada sobre isso. Por que o idoso rico tem direito a receber todos estes recursos gratuitamente? Vale explicar que no Brasil não existe idoso rico. Pelos critérios econômicos talvez menos de 1% da população idosa brasileira pode se enquadrar nesta categoria. E mais, a maioria dos idosos tem baixos rendimentos ao mesmo tempo em que os medicamentos têm alto custo, principalmente os medicamentos de uso continuado, necessários em casos de doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial.

Se a lei já existe, o que está faltando para que a distribuição gratuita de medicamentos, órteses e próteses aconteça? Falta pressão da sociedade em geral, principalmente pressão dos próprios idosos e dos conselhos representativos. Os idosos precisam se unir para reivindicar o respeito aos direitos criados pelo Estatuto do Idoso. É preciso encarar esta questão de frente. O idoso precisa se conscientizar que a gratuidade de medicamentos é uma garantia de saúde e não um assistencialismo do governo apenas para aqueles que são pobres e carentes.

E mais do que isso, o poder público, seja através do Município, do Estado ou da Federação precisa criar mecanismos capazes de efetivar a distribuição destes recursos. Não se pode mais tolerar que os medicamentos gratuitos fiquem restritos e escondidos em farmácias, postos de saúde ou locais públicos cujo acesso não é conhecido pela população. Concentrar a distribuição destes medicamentos em poucos locais cujas filas são intermináveis significa impedir que os idosos tenham verdadeiro acesso ao que está previsto na lei como obrigação do Poder Público. Obrigação e não faculdade, que fique claro. In Revista Online Terceira Idade