Nota

Cristina Tavares, Sartre e Simone de Beuavoir

Reportagem de Edward Pimenta recorda meus tempos de foca no Jornal do Comércio do Recife. Formávamos a equipe de repórteres especiais – eu, Anchieta Hélcias, Cristina Tavares e José Carlos Rocha. Zé e Cristina tinham um namoro escondido. Foi quando esteve no Recife o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beuavoir. Escalado por Abdias Moura para a cobertura, mas Cristina pediu para ir no meu lugar. Alegou que sabia falar francês fluentemente, o que era verdadeiro.

Sartre e Simone viviam um casamento aberto, e gostavam de contar um para o outro, através de cartas, as aventuras amorosas. Também praticavam o ménage à trois. O primeiro caso deles uma aluna de Simone, Olga Kosakiewicz, que morou primeiro na casa de Simone, depois na casa de Sartre.

Na segunda metade dos anos 40, Simone teve um caso com o escritor americano Nelson Algren. Nos anos 50, Simone entrou numa relação com Claude Lansmann, um jornalista de 17 anos. E Sartre passou a ter relação com uma judia algeriana, Arlette Elkam, também de 17 anos.

Em 60, quando Sartre e Simone apareceram no Recife, e Cristina estava na beleza dos 30 anos, era uma ruiva linda, e parecia que tinha muito menos. Só quando Cristina morreu em 1992, com 55 anos, descobri que eu era mais jovem três anos.

Cristina ficou de cicerone do casal, e uma noite, toda contente, contou que teve um caso. Perguntei: – Com quem? – A dois ou a três? Ela sorriu. Não demorou um mês, alegremente, falou que estava se correspondendo com Simone e Sartre.

Este carteado devia ser publicado.

ANÁLISE SEMIÓTICA DE SIMONE DE BEAUVOIR

por Edward Pimenta

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Bissexualidade, modismo ou tendência?

Uns os consideram indecisos. Outros alegam ser perversão. Alguns vão além e os acusam de maquiar a homossexualidade. No entanto, para eles, ter relações com ambos os sexos é a libertação de paradigmas sócio-culturais.

João amava Teresa, que amava Ana, que amava Raimundo e também Lili, que não amava ninguém. Parodiando o poema de Carlos Drummond de Andrade, que assim ficaria se adaptado ao universo dos bissexuais, onde um único objeto do desejo pareceu ser pouco. Uns os consideram indecisos. Outros alegam ser perversão. Alguns vão além e os acusam de maquiar a homossexualidade. No entanto, para eles, ter relações com ambos os sexos é a libertação de paradigmas sócio-culturais, que restringiam a sexualidade dúbia. Assim sendo, a atração, antes limitada a oito ou oitenta, representa magnetismo puro e simples, não importando o gênero. Será isso apenas uma fase ou a nova tendência? É possível ter prazer com o mesmo sexo e o oposto? Em meio a uma infinidade de questionamentos, eis a solução: fomos direto à fonte para desvendar de uma vez por todas o mistério do ainda obscuro caminho do meio.

Estar sempre aberto a novas experiências. Esse é o lema dos que se auto-intitulam bissexuais, pessoas que gostam tanto do sexo oposto quanto do mesmo sexo, com maior ou menor preferência por cada um. Segundo eles, a questão é se permitir. Foi com essa mentalidade que a publicitária Alexandra Dionízio, ainda adolescente, se deixou seduzir por uma amiga e… pronto! Viu que dois era bom. “A primeira vez foi com uma amiga que me ‘comeu’. Foi leve e engraçado. Depois, comecei a freqüentar festas gays e fui seduzida por mais algumas”, conta Alexandra que, ainda que atraída por mulheres, faz questão de frisar sua preferência pelo sexo oposto. “A diferença entre estar com um homem e com uma mulher é enorme. A mulher é mais delicada, sutil nas carícias, no cheiro e gosto. Com o homem, envolve penetração e, por isso, mais tesão, gozo intenso”, explica a publicitária.

Movimento de libertação

Para ela, a bissexualidade é um movimento de abertura, aceitação – ou respeito –, e vontade, que só tende se expandir. “Acho que estamos mais conscientes de que outras formas de amar são possíveis. Vejo uma curiosidade em passar por novas experiências, principalmente entre os jovens. A cultura está mudando”, argumenta Alexandra, que acredita que o desejo estava enrustido nas pessoas, esperando uma abertura da sociedade. “Não estou falando de homossexualismo, e, sim, de gostar de dois sexos, de uma atração física, com a visão e o olfato; e psicológica, através admiração pelas pessoas”, diz Alexandra.

Ela reconhece sua preferência por homens, mas confessa que não descartaria a possibilidade de viver um romance bem, digamos, feminino. “Acho as mulheres lindas, não tenho problemas em achá-las um tesão. Só que me dou melhor sexualmente com os homens. Gosto dos assuntos, da beleza, do cheiro, do corpo, e me sinto mais mulher com eles, mais completa. Fomos criados para procriar, ter filhos, construir família”, opina a publicitária, absolutamente avessa a preconceitos e julgamentos. “Quem não experimentou e está dizendo que não gosta, pode até ser mesmo o caso, porém não se pode ser cruel com as possibilidades. Sou livre dessas amarras sociais. Bissexualidade é se permitir gostar do outro. E se houver tesão, por que não?”, coloca Alexandra.

Uma questão de prazer

Para quem pensou que ser bissexual era estar em cima do muro, sem saber para que lado ir, nossa amiga provou que não é bem assim. De acordo com ela, trata-se de liberdade de pensamento. Já a estudante de psicologia Paula Smith, talvez influenciada pela disciplina que cursa, acredita que, mais do que cabeça aberta, a sexualidade se molda pela trajetória. “Todo mundo nasce bissexual. Porém, cada pessoa vai ter um desenvolvimento particular. A sociedade ensina que a mulher tem que se relacionar com o homem, mas não é necessariamente assim. É uma questão de identificação, de afinidade, entre outros fatores”, avalia a estudante, que diz gostar dos dois sexos, apesar de preferir o feminino.

Ao contrário de Alexandra, Paula percebeu a atração pelo mesmo sexo por circunstâncias do destino, e não pelo espírito, digamos, aventureiro, de viver novas experiências. “Eu descobri a atração por mulheres porque comecei a ter um carinho diferente por uma amiga. Felizmente, ela sentia o mesmo. Com o passar do tempo, vi que havia elementos que sinalizavam isso no passado e que eu inibia”, comenta Paula. Olhando por esse ângulo, dá até para concluir que não se trata de bi, mas de homossexualismo. No entanto, Paula explica que não fechou a porta para o tradicional arroz com feijão, embora em seus relacionamentos com mulheres também ocorra penetração. “A gente tem que enxergar o ser não pela figura física. A mulher é mais sensível, me atrai mais fisicamente pela delicadeza. Porém, é tudo uma questão de envolvimento. Estou sempre me construindo e desconstruindo”, diz Paula.

O outro lado

Tudo bem, que elas andem no meio dos dois caminhos, isso é uma opção. Só que, a menos que sempre se relacionem com bissexuais, vai haver uma discrepância de preferências e até de estilos de vida. No caso, uma mulher bissexual pode, muito bem, se envolver com um homem hetero ou com uma mulher homo. Confusão? Bem-vinda à realidade em que tudo é possível, ainda que haja ressalvas dos consortes que só vão por uma via. O ilustrador João Augusto Andrade, heterossexual e careta assumido, se sentiu incomodado ao saber, depois de algum tempo, que a menina de seus olhos teve experiências com outras meninas. “Eu sou um pouco travado para esses assuntos, e saber disso foi estranho. Como já tinha acontecido fora da minha ‘gestão’, engoli e tento não pensar muito nisso”, explica João que, perguntado se não sentia duplo ciúmes da sua namorada, respondeu: “Não há duplo risco ou duplo ciúmes, há risco e ciúmes. Eu não namoro a bissexual, e, sim, a pessoa que ela é”, afirma João.

Já o namorado da nossa entrevistada Alexandra, mesmo sendo hetero, não só levou numa boa, como embarcou na onda do seu par em uma nova aventura um tanto quanto prazerosa, segundo ela. “Despertou no meu gatinho a curiosidade de transar com um homem e comigo. Então, em uma das noites de loucura de carnaval, encontrei com um amigo que tem toda a pinta de gay – mas não é. Ficamos juntos a noite inteira na rua, e o meu namorado propôs que transássemos a três. Foi um tesão! Eles só se tocaram, não houve penetração”, relembra Alexandra, que acrescenta ainda que a experiência uniu o casal.

Entendendo a bissexualidade

Depois desses depoimentos, a pergunta que não quer calar parece gritar dentro de cada um dos que se encontram alheios a esse universo cada vez maior. Todos querem saber se é possível sentir atração por homens e mulheres ao mesmo tempo. Para a sexóloga e ginecologista Glene Rodrigues, apesar de o bissexualismo ser pouco estudado e, por isso, ainda não é considerado uma opção sexual, gostar de transar com os dois gêneros é perfeitamente aceitável. “Apesar de não haver pesquisas que consolidam o assunto, a bissexualidade existe. É possível, sim, sentir atração pelos dois sexos”, diz a sexóloga. De acordo com ela, a bissexualidade feminina é mais aceita, talvez pela fantasia dos homens em transar com duas mulheres. Já a masculina acaba caindo no preconceito. “No entanto, em ambos os gêneros, ela é mais freqüente do que se imagina. Pessoas casadas são, e existem casais em que um é bi e o outro, hetero, que aceita”, avalia a Dra. Glene.

Opa! Parece que estamos diante de um impasse. Como o tema é pouco estudado, entre especialistas também há divergências de posicionamentos. O sexólogo Arnaldo Risman, por exemplo, acredita que a bissexualidade nada mais é do que um recurso de defesa dos gays. “Na minha vivência profissional, quando um paciente diz que é bissexual, ele está mascarando a sua homossexualidade. Se você perguntar em quem ele pensa quando se masturba, a maioria fala que é no mesmo sexo”, analisa o sexólogo. Se guiando por esse raciocínio, não é preciso muito esforço para prever o futuro da situação. “Essas pessoas se casam com o sexo oposto e vão buscar relações homossexuais posteriormente. Falar bi é bonito, já dizia a máxima de que um é pouco e dois é bom. A pessoas estão se libertando dizendo que são bissexuais, mas eu não acredito nisso. Homens e mulheres podem até transar com os dois sexos, porém gostar dos dois, não”, opina Arnaldo.

Pelo menos em um ponto todos concordam: a sociedade em que estamos inseridos exerce grande influência na formação da sexualidade do sujeito. Estando esta mais liberal, é claro que essas questões estarão em voga, sobretudo entre os jovens. “As pessoas precisam assumir sua preferência sexual, porque assim revelam também sua identidade. E a bissexualidade não é uma preferência, mas uma atividade sexual”, coloca o sexólogo Arnaldo Risman. A sexóloga Glene Rodrigues, por sua vez, não considera a sociedade mais liberal. “Hoje, as pessoas podem falar mais nisso, no entanto, o preconceito ainda existe. A bissexualidade vai ser o sexo do futuro. Se, hoje, o homo é considerado uma opção sexual e não mais um desvio, o mesmo vai ocorrer com a bissexualidade. Homo, hetero ou bi, não interessa. O importante é estar bem com a sua opção”, conclui a sexóloga. In Bolsademulher

COMO ENTENDER A MENTE DE UM BISSEXUAL

Não, nós não queremos sexo a três simplesmente porque somos bissexuais. Não, nós não gostamos de duas pessoas ao mesmo tempo porque temos a possibilidade de nos apaixonar tanto por homens quanto por mulheres.

As respostas às perguntas sobre bissexualidade são geralmente essas, o que demonstra ainda um pensamento equivocado sobre o conceito do que é ser bissexual.

Para evitar esse erro conceitual, elenco alguns tópicos simples para que qualquer um entenda a mente de alguém que se atrai por ambos os sexos.

Bissexual sempre vai trair?

Gays e heterossexuais costumam evitar o relacionamento com um bissexual por julgar que ele sentirá “falta de algo” durante o relacionamento. Sim, nós podemos sentir falta de muita coisa: amor, carinho, amizade, compreensão. Tudo o que uma pessoa poderia sentir em uma relação. Podemos trair? Claro que sim. Mas não por sermos bissexuais.

Não há nenhuma confusão

Como alguém pode gostar de homens e mulheres? Não sabem o que querem, não se decidem. Quando ouço gays falarem isso, a tristeza é ainda maior. Eles sabem mais do que ninguém que a sexualidade não é uma decisão. Seria o mesmo que pedir a eles para explicar por que gostam de pessoas do mesmo sexo.

A atração que sentimos por ambos os sexos é completamente natural. A sexualidade não tem sexo, como muito bem explicou o psicanalista Roberto Ceccarelli, em entrevista ao BlogSouBi. O que acontece com muitos bissexuais é que alguns se atraem mais por homens e outros mais por mulheres. Há ainda aqueles que dizem se interessar por ambos os sexos na mesma intensidade. Se existe amor e prazer em todas essas relações, por que haveria confusão?

A única confusão que existe é a mesma vivida por qualquer ser humano. Será que gosto mesmo daquela pessoa? Será que devo ficar com ela?

Gostar de duas pessoas ao mesmo tempo

Não é porque nos interessamos por ambos os sexos é que gostamos de duas pessoas ao mesmo tempo. Esse tipo de confusão não está relacionado ao fato de uma pessoa ser bissexual. Eu, por exemplo, nunca consegui gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, mas tenho amigos heterossexuais que gostaram de duas mulheres, assim como amigas que não sabiam de qual homem gostavam mais. Não é a sexualidade que define isso.

Deixo a vocês a tarefa de completar esse texto. Contem também como funciona a mente de um bissexual. In BlogSouBi

Que esperar quando sair do armário (Parte I: Teus amigos e você)

Desde criança te sentias um pouco diferente…

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Não era porque não gostasses dos meninos. Claro que gostavas!

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Para jogar futebol

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Para beijá-los? Eehm

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Um certo dia te deparas com a dúvida: Sou lésbica?

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Consegues armar todas as peças

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Parada da Diversidade do Recife 2014

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por Julieta Jacob

Umas das coisas mais doidas da atualidade: vivermos em um país em que pessoas LGBT não podem amar livremente. Não estou falando que o Brasil censura a capacidade de sentir. Essas pessoas continuam se apaixonando e amando. Mas, infelizmente, elas não têm a liberdade de expressão que gostariam e merecem. Refiro-me à possibilidade de manifestar o seu afeto livremente, sem temer olhares de reprovação ou até mesmo um ato de violência. Com frequência lemos notícias de casais homossexuais que são expulsos de restaurantes por trocarem carícias ou, simplesmente, por serem um casal. Já pensou como é viver dessa maneira? Já se colocou no lugar dessas pessoas? E o mais absurdo é que, na teoria, a nossa Constituição federal proíbe qualquer tipo de discriminação. No entanto, na prática, a homo, lesbo e transfobia são uma triste realidade.

Abri o texto falando dessas questões porque mesmo em um dia festivo como o da Parada da Diversidade, em que a comunidade LGBT comemora as suas conquistas e mostra que a sua luta está viva, é impossível a gente não enxergar o quanto ainda temos que avançar no respeito aos Direitos Humanos desse grupo. Perguntei a uma senhora, que segurava o bandeirão colorido da Parada, se ela tinha medo de viver em Recife. Ela, que é lésbica e casada há 12 anos, disse que não tinha medo porque vivia se escondendo e quase ninguém sabia da sua vida privada. Mesmo assim, admitiu que sofre preconceito no ambiente de trabalho.

Esse vídeo é para ser visto e revisto diariamente. A gente não pode esquecer a homo, lesbo e transfobia. A gente não pode esquecer as mortes causadas por esse preconceito. Só assim é possível transformar essa triste e violenta realidade.

 

 

 

Os dados da violência contra os LGBT no Brasil chocam o mundo. Segundo agências internacionais, só no ano passado, 40% dos crimes homo-transfóbicos ocorreram aqui no país. Fiz questão de incluir esses dados no vídeo para que a gente não esqueça o longo caminho que ainda temos que percorrer. Imagina ser assassinado APENAS devido à sua orientação sexual? Seria como ser morto por ser dessa ou daquela religião, ou por torcer por esse ou aquele time de futebol. Parece algo impensável, não é? Pois é isso que caracteriza a violência homofóbica – e o pior: em um país dito democrático. E tem ainda um agravante: a orientação sexual não é uma OPÇÃO, como pode ser a escolha do seu time de futebol, por exemplo. Ou seja, a pessoa não pode simplesmente escolher ser ou deixar de ser homossexual. É uma condição.

Eu acredito sim que é possível mudar essa realidade. E sabe como? Com educação sexual. Sei que bato sempre nessa tecla, mas ela jamais virará um clichê. Quando a gente olha pra trás, para a História, a gente entende a origem do preconceito e percebe que tudo não passa de ideias socialmente construídas. É como o racismo, por exemplo. Sim, ele continua existindo, mas hoje já é crime no Brasil. E a luta do movimento Negro já alcançou conquistas importantes e há muitas outras por alcançar.

O movimento LGBT segue o mesmo rumo. Passo a passo, devagarinho. Pintar a Avenida Boa Viagem com um enorme arco-íris, como aconteceu durante a Parada, foi um ato simbólico para dar visibilidade à comunidade LGBT. Sim, visibilidade importa – e muito. Porque ninguém merece viver às escondidas, como se praticasse um crime por amar alguém do mesmo sexo ou por se vestir ou agir de maneira não-convencional. É muito sofrimento. A cidade é de todos e para todos. E eu gostaria MUITO de viver o suficiente para ver o Recife se transformar em um lugar onde se pode amar sem preconceito nem ódio. Onde o respeito prevaleça sobre qualquer tipo de intolerância.

E um agradecimento especial ao meu marido, que já está oficialmente incorporado à equipe do blog. Sorte a minha!

Equipe Erosdita em campo- André Durão, além de meu marido e companheiro de vida, fez as imagens da reportagem. Obrigada pela parceria!

Equipe Erosdita em campo- André Durão, além de meu marido e companheiro de vida, fez as imagens da reportagem. Obrigada pela parceria!

Como propor o poliamor

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Maria*, 21, conheceu Pedro*, um europeu de férias no Brasil, e com ele teve um relacionamento apaixonado e relâmpago. Depois de intensos 15 dias juntos, Pedro voltou à Europa e Maria seguia a vida normalmente, quando se viu ficando com Daniel*, um grande amigo. Pela internet, Maria dividia com Pedro as aventuras que vivia com Daniel. Os três se gostavam muito, e Pedro e Daniel conversavam sobre Maria sem ciúmes, até que Daniel se mudou para outra cidade. Distantes, os três mantinham o relacionamento na base do Skype – onde conversavam, brigavam, bebiam e dançavam – e, quando finalmente reunidos, se amavam.

Não é a narrativa de um filme de Woody Allen, mas uma história real de quem resolveu mergulhar em um relacionamento não convencional e livre de preconceitos: o poliamor – ou vários amores. Uma opção de vida que aceita, no seio das relações afetivas, o amor por mais de uma pessoa simultaneamente, sem que esses sentimentos se anulem ou se neguem. Essa forma de se relacionar ainda sofre muito preconceito na sociedade fortemente monogâmica em que vivemos, mas, ao contrário do que muita gente pensa, não tem nada a ver com promiscuidade. Há um consentimento entre os envolvidos e uma maneira bastante ética e respeitosa de se conviver.

O documentário Poliamor, de José Agripino, consegue jogar luz sobre o tema de maneira honesta, sem fantasias ou firulas. Em 2007, José leu uma matéria que tratava do assunto. Em 2009, quando teve que propor um projeto de documentário na faculdade, retomou a questão, encontrando nos depoimentos anônimos de uma comunidade no Orkut – Poliamor Brasil – a inspiração que faltava para decidir contar essas histórias. No filme, diferentes personagens compartilham as dores, as delícias e os tratos que mais se encaixaram em seus moldes afetivos. “Acho que a primeira ideia mais forte do poliamor é o conceito da liberdade no relacionamento”, comenta Agripino, “as exibições do filme me fizeram refletir muito sobre o tema”.

 

 

 

 

 

Se puede amar a más de una persona, por naturaleza

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El ser humano tiene la posibilidad de sostener
múltiples relaciones afectivas sin sentir culpa o desdicha

Aline Juárez – La Gaceta de la UNAM

 

Todo ser humano tiene la capacidad de amar a más de una persona, está en su naturaleza; lo anterior puede derivar en la posibilidad de tener múltiples relaciones afectivas sin sentir culpa o desdicha, así es el poliamor, explicó Rolando Díaz Loving, de la Facultad de Psicología.
De acuerdo con la filosofía de vida de los poliamorosos, las relaciones simultáneas en las que se encuentren deben ser tratadas abiertamente, y los integrantes de las mismas deben estar enterados que forman parte de ellas. Una de las características de los seres humanos es que son sociales y gregarios, necesitan de la presencia de otros para vivir, dijo.

El especialista en temas de pareja detalló que en ese contexto el amor puede ser demostrado no sólo a una, sino a varias personas, y el hecho de sentir afecto por una no debería afectar a las demás; en este caso hablamos de relaciones de pareja, sin especificar que sea heterosexual, homosexual o bisexual, simplemente vínculos en los que están involucrados adultos, señaló.
Según la página web poliamoria.com, los dos ingredientes esenciales de ese concepto son más de uno y amoroso, es decir, se espera que más de dos personas puedan, en un mismo tiempo, estar interconectadas sentimentalmente y prodigarse cuidado mutuo en dimensiones múltiples.
En el poliamor, el intercambio de pareja no implica engaño ni enamoramiento con las relaciones externas; no obstante, algunos activistas de esta corriente aceptan que muchos de los intercambiadores se involucran estrechamente hasta llegar a ser amigos y amantes regulares, añadió.
La diferencia entre swingers y poliamorosos es que los primeros comparten aspectos meramente sexuales y los segundos amor, aunque debe considerarse si ese sentimiento es asexuado o incluye actividad erótica, porque si es simplemente afecto también abarca los nexos con amigos, familia o vecinos, abundó.

Reglas

Díaz Loving reconoció que las reglas de cómo desarrollar relaciones, cuánto duran y con quiénes se hacen, han derivado más de procesos sociales que evolutivos, pues de acuerdo con la psicología evolutiva, el enamoramiento dura tres meses y el apego tres años.
En este sentido, uno de los conflictos ha sido cómo lograr que el amor dure toda la vida y para ello se creó el matrimonio; sin embargo, en la actualidad empieza a abrirse el crisol a todo tipo de formatos y relaciones; de ahí deriva el poliamor. Aparentemente, el potencial de amar a varias personas es una característica que mueve a toda la humanidad, el problema se presenta cuando los receptores interpretan que ese sentimiento no es profundo, grandioso y para toda la vida si es repartido, precisó.
Los que prodigan ese sentimiento aseguran que pueden repartirlo a todo el mundo, mientras que los que reciben son los más quejumbrosos, bajo el siguiente concepto: si amas a más, entonces a mí no me quieres como quisiera que lo hicieras, subrayó el académico.

Infidelidad

En cuanto a la infidelidad, comentó que dentro del poliamor debería ser un precepto inexistente. El término fidelidad refiere el respeto a una regla; si en relaciones de pareja la norma es exclusividad, entonces cualquier conducta que rompa con ella sería considerada promiscuidad.
Ese quebrantamiento puede ser emocional y sexual. Los varones se preocupan más por el erotismo, mientras que para las mujeres es más agresivo el enamoramiento; estas situaciones tienen que ver con la creación de reglas de propiedad privada, precisó.
El poliamor no es frecuente en México, es más recurrido en regiones individualistas; en culturas donde la colectividad y la familia son importantes, no es común, especificó.

Responsabilidad

Por último, detalló que para aplicar esa filosofía responsablemente debe existir un conocimiento referente, pues cuando los jóvenes reciben información y formación se hacen responsables de sus actos, sentimientos y sexualidad. Si se ingresa a este tipo de relaciones por moda, se corre el riesgo de experimentar situaciones desagradables.

 

A moléstia do machismo

machismo
É comum encontrar pela internet vídeos de pessoas que gostam de filmar suas aventuras sexuais. Casais de namorados, maridos, esposas, amantes, sexo casual, tudo registrado e devidamente publicado em sites eróticos. Até aí, nenhum problema. Um casal que tenha a fantasia de se exibir para internautas pode fazê-lo com segurança, sem mostrar rostos ou nada que possa identificá-los. Mas é comum também, infelizmente, usar o que poderia ser o exercício salutar de uma fantasia como arma de difamação. São inúmeros os casos de casais que, por conta de uma traição, expõem seus parceiros ou parceiras a execração pública, uma espécie de vingança video-sexual, ou mesmo exibir a parceira pelo simples prazer machista, acenando para a câmera com ar de vitória por fazer sexo com uma mulher atraente, ou ainda apresenta-la como uma vagabunda pelo fato de se permitir filmar. Quando a mulher decide transar com dois homens, parece então que a humilhação é ainda maior. A impressão é que os homens estão mais interessados em exibir seus “troféus” do que proporcionar as mulheres uma experiência saborosa.O recente caso da jovem “Fran” que foi filmada pelo parceiro é mais um destes incidentes. O vídeo é curto, menos de 1 minuto, e mostra a bela jovem praticando sexo oral e sugerindo sexo anal. Nada de absurdo, um diálogo perfeitamente normal entre duas pessoas na cama transando. Se o vídeo “vazou” por algum motivo ou foi deliberadamente publicado na Internet, uma coisa é importante ressaltar. Porque o caráter dessa jovem foi posto em cheque pelo simples fato dela ter sido filmada praticando sexo? O que ela fez de errado? Ela se sentiu a vontade em ser filmada porque afinal era seu parceiro. Fez mal em confessar suas vontades? Não, “Fran” nada fez de errado. Se há algo a ser condenado nessa história é a atitude do parceiro, caso ele tenha divulgado publicamente esse video, e a reação machista e abjeta dos internautas atacando a moral da jovem. Isso me faz pensar que, se queremos honestamente estabelecer uma sociedade melhor e mais justa, temos que, impreterivelmente, lutar contra a moléstia do machismo.