Encíclica Laudato si’: Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável

Francisco dá voz a «clamor dos pobres» e fala em «dívida ecológica»

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O Papa afirma na sua nova encíclica, que as preocupações ecológicas têm de estar ligadas à promoção de uma maior justiça social a nível global.

Uma verdadeira abordagem ecológica torna-se sempre uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”, escreve Francisco, num texto intitulado ‘Laudato si. Sobre o cuidado da casa comum’.

O Papa dá voz aos pobres de hoje, “que poucos anos têm para viver nesta terra e não podem continuar a esperar”.

A encíclica pede uma maior “ética” nas relações internacionais e fala numa “dívida ecológica”, particularmente entre o Norte e o Sul, que exige respostas de “solidariedade” numa “opção preferencial pelos mais pobres”.

“É necessário que os países desenvolvidos contribuam para resolver esta dívida, limitando significativamente o consumo de energia não renovável e fornecendo recursos aos países mais necessitados”, apela.

O Papa refere que os países em vias de desenvolvimento, “onde se encontram as reservas mais importantes da biosfera”, continuam a alimentar o progresso dos países mais ricos.

Nesse sentido, alerta para a “deterioração do mundo e da qualidade de vida de grande parte da humanidade”, que afeta de modo especial “os mais frágeis do planeta”.

“Já se ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza”, alerta.

É necessário que os países desenvolvidos contribuam para resolver esta dívida
Francisco recorda que milhões de seres humanos se “arrastam numa miséria degradante”, enquanto outros “não sabem sequer que fazer ao que têm”, concluindo, por isso, que “o crescimento nos últimos dois séculos não significou, em todos os seus aspetos, um verdadeiro progresso integral”.

O novo documento observa que o aquecimento causado pelo “enorme consumo” de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da terra, especialmente na África.

“Chegou a hora de aceitar um certo decréscimo do consumo nalgumas partes do mundo, fornecendo recursos para que se possa crescer de forma saudável noutras partes”, defende.

A este respeito, Francisco recorda os problemas ligados à poluição da água e às doenças que lhe estão relacionadas, “um fator significativo de sofrimento e mortalidade infantil”.

A situação afeta particularmente os mais pobres, que não têm “possibilidades de comprar água engarrafada”, o que pode ser agravado pela “tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado”.

“Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável”, escreve o Papa.

A encíclica conclui-se com duas orações redigidas por Francisco, numa das quais se reza pelos “donos do poder e do dinheiro para que não caiam no pecado da indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos, e cuidem deste mundo”.

A questão da água

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Outros indicadores da situação atual têm a ver com o esgotamento dos recursos naturais. É
bem conhecida a impossibilidade de sustentar o nível atual de consumo dos países mais desenvolvidos e dos setores mais ricos da sociedade, onde o hábito de desperdiçar e jogar fora atinge níveis inauditos. Já se ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza.

A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. As fontes de água doce fornecem os setores sanitários, agro-pecuários e industriais. A disponibilidade de água manteve-se relativamente constante durante muito tempo, mas agora, em muitos lugares, a procura excede a oferta sustentável, com graves consequências a curto e longo prazo. Grandes cidades, que dependem de importantes reservas hídricas, sofrem períodos de carência do recurso, que, nos momentos críticos, nem sempre se administra com uma gestão adequada e com imparcialidade. A pobreza da água pública verifica-se especialmente na África, onde grandes setores da população não têm acesso a água potável segura, ou sofrem secas que tornam difícil a produção de alimento. Nalguns países, há regiões com abundância de água, enquanto outras sofrem de grave escassez.

Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres, são frequentes as doenças relacionadas com a água, incluindo as causadas por microorganismos e substâncias químicas. A diarreia e a cólera, devidas a serviços de higiene e reservas de água inadequados, constituem um factor significativo de sofrimento e mortalidade infantil. Em muitos lugares, os lençóis freáticos estão ameaçados pela poluição produzida por algumas atividades extrativas, agrícolas e industriais, sobretudo em países desprovidos de regulamentação e controles suficientes. Não pensamos apenas nas descargas provenientes das fábricas; os detergentes e produtos químicos que a população utiliza em muitas partes do mundo continuam a ser derramados em rios, lagos e mares.

Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável. Esta dívida é parcialmente saldada com maiores contribuições económicas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres. Entretanto nota-se um desperdício de água não só nos países desenvolvidos, mas também naqueles em vias de desenvolvimento que possuem grandes reservas. Isto mostra que o problema da água é, em parte, uma questão educativa e cultural, porque não há consciência da gravidade destes comportamentos num contexto de grande desigualdade.

Uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem do seu uso. Alguns estudos assinalaram o risco de sofrer uma aguda escassez de água dentro de poucas décadas, se não forem tomadas medidas urgentes. Os impactos ambientais poderiam afetar milhares de milhões de pessoas, sendo previsível que o controle da água por grandes empresas mundiais se transforme numa das principais fontes de conflitos deste século.

Uruguay fue el primer país en el mundo que declaró el derecho humano de tener acceso al agua hace más de 10 años

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Con una agenda intensa continúan los conmemorativos por el Día Mundial del Agua que se conmemora el próximo domingo 22 de marzo.

Esta mañana, en el hall central de OSE, las voces de aproximadamente 40 niños, de 4º año de la escuela Nº 185 del Cordón, sonaron al unísono al pronunciar la siguiente promesa: “¡Por el agua que me da de beber, por el agua que me baña, por el agua que me da vida. Prometo cuidar el agua!”

Además de los escolares, la actividad contó con la presencia de la ministra de Vivienda, Ordenamiento Territorial y Medio Ambiente Eneida de León, el presidente de OSE Milton Machado, la Directora de la Oficina Regional de Ciencia para América Latina y el Caribe de la UNESCO en Montevideo Lidia Brito, entre otras.

“La presencia de niños es fundamental para seguir produciendo valores y concientización respecto a las conductas medioambientales, la implicancia de lo que significa el agua, el hecho de tener una canilla en nuestras casas con agua que podamos beber”. Expresó el presidente de OSE, quien realizó una reseña de los logros y metas que OSE tuvo y tiene para cumplir con el derecho humano fundamental de tener acceso al agua potable.

Entre los logros Machado destacó a Uruguay por ser “el primer país en el mundo que mediante un plebiscito hace más de 10 años declaró ese derecho”, y agregó que se están implementando programas en zonas rurales para abastecer de agua a poblaciones que se encuentran más alejadas y son de difícil acceso, al tiempo que “se le está dando prioridad a los sectores más vulnerables económicamente y se está regularizando el agua en asentamientos a partir de políticas públicas alineadas al gobierno nacional”, afirmó.

Tanto la Ministra Eneida de León como la Directora Lidia Brito, reafirmaron las palabras del Presidente de OSE.

De León, explicó a los niños que para lograr abastecer de agua potable a todo el mundo hay que empezar por el país, por cuidar el agua del territorio para luego expandirlo al resto. Y para lograrlo se necesita no solo del compromiso de organizaciones sino también de grandes y chicos.

Durante la actividad se presentaron videos educativos donde se planteaba la importancia del agua y las variadas formas de cuidarla a través de tareas sencillas. En ellos se revindicaba lo que cada persona, desde su lugar, es capaz de aportar para no malgastar el recurso agua.

Asimismo, a través de una muestra gráfica, se les contó a los más chicos qué es lo que se hace con el agua y de qué manera el Mvotma trabaja en conjunto con OSE. La muestra detallaba de manera simple algunas medidas del cuidado del dicho recurso y del ambiente.

Una vez, realizado el recorrido por dicha muestra, los niños tuvieron la oportunidad de vivenciar a través de una máquina plástica transparente el funcionamiento de una represa y cuál es el proceso para que el agua sea efectivamente potable.

Al finalizar el encuentro los escolares se reunieron para reflexionar sobre la importancia del agua y lo que aprendieron. Fue entonces que realizaron todos juntos una promesa: cuidarla.

 

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América Latina: La región con más fuentes de agua en el mundo no puede calmar su sed

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América Latina es la región con más fuentes de agua en el mundo, sin embargo existen 36 millones de personas – 6 veces la población total de Nicaragua – que todavía carecen de acceso a agua potable.

Al igual que una computadora o un automóvil, para que los servicios de agua funcionen adecuadamente es indispensable hacerles mantenimiento.

El porcentaje de agua que se pierde antes de llegar a los hogares – debido por ejemplo a tuberías rotas – se estima en alrededor del 15% en países desarrollados, mientras que en países en vías de desarrollo puede llegar hasta el 50%.

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Como consecuencia del calentamiento global, los glaciares, una de las fuentes más importantes de agua dulce, están derritiéndose a ritmo acelerado.

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En montañas extensamente cubiertas de glaciares, como la Cordillera Blanca de Perú o la Cordillera Real de Bolivia, la superficie total de los glaciares se ha reducido en un tercio aproximadamente respecto del área ocupada durante la Pequeña Era Glacial.

En montañas extensamente cubiertas de glaciares, como la Cordillera Blanca de Perú o la Cordillera Real de Bolivia, la superficie total de los glaciares se ha reducido en un tercio aproximadamente respecto del área ocupada durante la Pequeña Era Glacial.

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La falta de agua genera más víctimas que terremotos y huracanes combinados.

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Desde finales del 2013, la ciudad más grande de América del Sur, Sao Paulo -una urbe de 11 millones de habitantes-, padece la sequía más extrema en 80 años.

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Fuentes de agua contaminadas con materia fecal

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Tres cuartas partes de las aguas residuales son descargadas en ríos y a otras fuentes hídricas, ello no solo genera un severo problema de salud pública, también produce daños – a veces irreparables – al medio ambiente.

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Celebrar el día del Agua es también rendir un homenaje a la mujer

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En comunidades como Río Grande en Brasil, el acceso al agua permite a las mujeres dedicar más tiempo a sus granjas y a sí mismas, llevando a un incremento de sus ingresos familiares de hasta en 30%.

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Fonte: Iagua

 

Rio Capibaribe de João Cabral de Melo Neto e Carlos Pena Filho

PAISAGEM DO CAPIBARIBE
por João Cabral de Melo Neto

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A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul.
da fonte cor-de-rosa
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

 

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GUIA PRÁTICO DA CIDADE DO RECIFE
por Carlos Pena Filho

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(fragmentos)

(…) tudo o que for do rio,
água, lama, caranguejos,
os peixes e as baronesas
e qualquer embarcação,
está sempre a todo instante
lembrando o poeta João
que leva o rio consigo
com um cego leva o cão.

 

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Brasil. Complejo de gigantismo

 

por Bruno Perón

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Brasil sufre de una enfermedad que se llama complejo de gigantismo. Es verdad que tenemos bosques, suelos, minerales, climas, recursos y bellezas abundantes, pero desafortunadamente hay un uso privado excesivo de esa exuberancia.

La autosuficiencia del petróleo (anunciada por Lula en abril de 2006) no resulta en derivados (sobre todo la gasolina) garantizados a precios bajos para consumidores brasileños; plantas hidroeléctricas colosales, no significa la estabilización de precios justos de electricidad para los brasileños; y lluvias torrenciales seguidas de sequía no sugieren planificación para que jamás falte agua en los grifos de brasileños (¡Qué suba el nivel de Cantareira! ¡Amén!).

Pero el complejo de gigantismo a que me refiero, se intensifica con el impacto que el brasileño M.A.C.M., de 53 años, causó cuando fue ejecutado por fusilamiento en Indonesia. Él intentó la entrada al país por el Aeropuerto Internacional de Yakarta, con trece quilos de cocaína escondidos en el armazón de un ala delta. Después de haber sido sorprendido por las autoridades indonesias, M.A.C.M. consiguió aún huir del aeropuerto y quedó así durante dos semanas, pero él fue capturado y luego juzgado.

Tal vez M.A.C.M. no entendiera que el tráfico de narcóticos, fuera así tan execrable en un país diferente al Brasil, en donde la impunidad prevalece. Él debe haber sufrido mucho por quedarse más de diez años recluido, en condiciones que desconocemos, como lectores de noticias en periódicos. Su mala suerte fue que el presidente indonesio Joko Widodo había prometido el combate intenso al tráfico de narcóticos y que no habría “clemencia” a los crímenes de esa naturaleza. Widodo tiene apoyo de buena parte de la población indonesia, para combatir ese flagelo.

El gobierno brasileño pidió “clemencia” a Indonesia para que el brasileño M.A.C.M. no fuera ejecutado y para que lo deportaran para su juicio en Brasil. Note, lector, que el pedido de “clemencia” por autoridades brasileñas (incluso por la presidenta Dilma Rousseff) contraría una política indonesia anti-narcóticos que es bastante rigurosa y que tiene además soporte democrático. Tras la indisposición del gobierno de Indonesia de ceder al pedido de autoridades brasileñas, Brasil manifestó que sus relaciones diplomáticas con aquel país no van bien y aplazó la entrega de la credencial del embajador indonesio en Brasilia, que habría ocurrido el 20 de febrero de 2015.

Sin embargo, esa es una actitud pueril del gobierno brasileño, porque demuestra dos fallas: una es la irreverencia a las normas de otro país, en referencia a procesos judiciales y declaración de sentencias, por más rigurosas que ellas sean. Creo que el gobierno brasileño sobrestima el papel internacional de Brasil en este aspecto. Países como Australia y Holanda tuvieron postura semejante en relación a sus ciudadanos, que también fueron ejecutados por tráfico de narcóticos en Indonesia. Y otra es la predisposición de Brasil a hospedar criminosos y darles cobertura para que pasen la vida siendo juzgados pero jamás condenados.

No juzgo a la persona de M.A.C.M., ni lo conozco para tanto, pero veo que su acto fue considerado criminal en otro país (en Indonesia) y, por eso, él fue castigado de acuerdo con las reglas locales. Otros extranjeros aguardan su ejecución en sentencias de pena de muerte, incluso otro brasileño (de Paraná), debido a tráfico de narcóticos. No habría que postergar sentencias o conceder “clemencias”. Las leyes existen y se hacen cumplir mejor en otros países que en Brasil, en donde recibidores de sueldos extras ilegales (mensaleiros) y otros corruptos festejan su impunidad.

Una situación semejante es la del muchacho F.F.C., 23 años, de Sorocaba (interior de São Paulo), que envió un correo electrónico a TAM Líneas Aéreas y a la Policía en los Estados Unidos amenazando derribar un avión comercial, en el inicio de 2014 que viajaba de Miami a Brasilia. Sin embargo, el mensaje fue rastreado, el autor F.F.C. permaneció encarcelado durante un año en los Estados Unidos, y su broma de mal gusto fue castigada como tal vez no habría sido en Brasil.

Brasil tiene leyes buenas y sofisticadas. Falta, sin embargo, entrenamiento ciudadano para que nuestra conducta las asimile sin que ellas sean una jerga formal y ceremoniosa comprendida solo entre abogados y otros juristas.

La ejecución de M.A.C.M. en Indonesia abre un precedente más para la reducción de la impunidad en Brasil y el respeto incondicional a las normas de otros países, muchas de las cuales se deducen por el sentido común sin tener que leer sus constituciones. ¿El gobierno brasileño pediría “clemencia” si uno de sus ciudadanos, hubiera traficado narcóticos en los Estados Unidos y recibido la misma sentencia?

Ciudadanos de bien no aguantan más tanta hipocresía e impunidad en Brasil: bandidos que explotan cajeros automáticos, otros que acuchillan turistas, y otros que corrompen las relaciones del gobierno con grandes empresas.

Reconozca, lector, que el gigantismo de Brasil está en los deberes ciudadanos. Sólo usted, como un ciudadano pleno, podrá curar las enfermedades de Brasil. Barómetro Internacional

Alckmin vai introduzir a chikungunya em São Paulo

Moradores da Rua Niderau Flelix Machado, no bairro de Campo Grande, Zona Sul de São Paulo Capital  (MARCO AMBROSIO/ Estadão Conteúdo)

Moradores da Rua Niderau Flelix Machado, no bairro de Campo Grande, Zona Sul de São Paulo Capital (MARCO AMBROSIO/ Estadão Conteúdo)

 

A falta de água limpa, sem cor e odor, tem aumentado a mortalidade no Estado de São Paulo?

Nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, os principais problemas do setor de abastecimento de água são:

– instalações de abastecimento em mau estado, com deficiências de projeto e/ou manutenção

– deficiência nos sistemas de desinfecção da água – contaminação crescente das águas superficiais e subterrâneas devido a deficiência nos sistemas de coleta e tratamento de esgotos

– inadequado tratamento e/ou acondicionamento de resíduos sólidos.

Os riscos se traduzem em um meio degradado com águas poluídas e uma alta incidência de mortalidade por transmissão hídrica.

Em vários países da América Latina e Caribe as gastroenterites e as doenças diarreicas figuram entre as dez principais causas de mortalidade, sendo responsáveis por cerca de 200.000 mortes ao ano.

Se não bastasse a preocupação com a dengue, a Vigilância Epidemiológica agora alerta para a chikungunya, doença cujo mosquito transmissor também é o Aedes aegypti. A infecção provoca sintomas parecidos com os da dengue, porém mais dolorosos na articulação.

Sintomas da chikungunya

Sintomas da chikungunya

No passado, satirizei várias campanhas realizadas contra a dengue.

Tipo: Quebre o jarro e pise na fulô.

Não guarde pneus velhos, queime nos protestos.

Use areia da Represa Cantareira

Use areia da Represa Cantareira

A base principal das campanhas contra a dengue sempre foi não manter água em baldes e reservatórios caseiros, hoje recomendados pelo Governo de São Paulo. Assim acontecendo, o governador Geraldo Alckmin vai introduzir a chikungunya na Capital e cidades do Interior já empestadas pelo Aedes aegypti, que a dengue é uma doença transmitida por prefeitos ladrões.

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Geraldo Alckmmin tem Reynaldo Azevedo, da revista Veja, como propagandista.

Não falta água em São Paulo. Tem de sobra. Para ser guardada em baldes, caçarolas, garrafas etc. Para beber e morrer afogado. E para o famoso banho de cuia.

Que dizem os médicos da água de São Paulo? Que registram os hospitais?

Diferentemente da dengue, que possui uma variação mais severa — a hemorrágica, cuja taxa de mortalidade pode superar os 10% —, a febre chikungunya não costuma atingir um quadro tão grave. Conforme a Secretaria de Saúde, a taxa de mortalidade é muito baixa e não alcança 1% dos infectados. Casos de óbito normalmente ocorrem em pessoas cuja imunidade já está muito debilitada devido a outras complicações.

Certamente uma morte não é nada. Coisa besta, quando se mata adoidado nas 2. 627  faveladas da Capital de São Paulo, na maior limpeza étnica da saúde pública tão eficaz quanto os métodos violentos da Polícia Militar que, por motivos óbvios e humanitários, está proibida de usar canhões de água contra os protestos do povo.

 

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Ô meu! Pare de choramingar e vá logo instalar uma caixa d´água. Ou: Estado-babá agora precisa avisar o neném que é preciso ter uma simples… caixa d’água? Tenham paciência!

por Reinaldo Azevedo

Leio na Folha o seguinte título: “SP culpa consumidores por falta de água na madrugada”. O lead da reportagem é este: “O governo paulista está responsabilizando os moradores sem caixa-d’água pela rotina de torneiras secas durante as madrugadas em diferentes pontos da Grande SP”.

Aí a reportagem informa:
“Ontem (12/11), em sessão da CPI da Sabesp, na Câmara Municipal, o secretário estadual Mauro Arce (Recursos Hídricos) disse que o problema da falta de água “nasce principalmente na falta de atendimento” a uma norma técnica da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Na interpretação do governo, essa regulamentação obriga as pessoas a terem uma caixa-d’água em seus imóveis para permitir o abastecimento por 24 horas. O texto da norma, entretanto, não é tão taxativo. Os edifícios são realmente obrigados a instalarem caixas-d’água para um dia inteiro de consumo. Mas, para casas de menor porte, existe apenas uma recomendação de que sejam instalados reservatórios de 500 litros. (…) Após o depoimento na Câmara, ao ser questionado se o problema da falta de água ocorria pela ausência de caixas-d’água nas casas, o secretário disse: “Exatamente. [O problema] é a falta de caixa adequada. Muitas vezes tem caixa, mas não adequada”.

Não sei se o secretário usou a palavra “culpa” ou se isso foi, digamos, uma livre interpretação. Tendo a achar que foi livre interpretação.

Eu sempre estranhei essa história de morador reclamar de falta de água “de madrugada”. Pensava cá comigo: “Mas essa gente não tem caixa d’água?”. Não! Moram em favelas, em acampamentos, em aglomerados sem nenhuma infraestrutura? Nada disso! São casas de padrão médio, regulares. Então o cara tem dinheiro para comprar celular e mandar filmes para o Fantástico sobre a “falta de água de madrugada”, mas não para instalar uma caixa d’água?

Que se reitere: o secretário não “culpou” ninguém. Esse é o tipo de imputação que vira título e vai parar em campanha eleitoral sem que o fato tenha acontecido. Mauro Arce, que é um homem público decente, explicou o óbvio: se a diminuição de pressão — e ela existe — leva a que falte água em alguns bairros (atinge 2% da população) e se não existe uma caixa d’água, então a casa ficará… sem água. Eureca!

Também na Folha leio o protesto de um cidadão: “Ninguém me avisou. Aí avisam isso só agora”. Que é isso, rapaz? O estado-babá precisa agora avisar que é preciso ter uma caixa d’água? Você chegou à idade adulta, casou e se reproduziu sem saber que é preciso ter uma simples caixa d’água? Será necessário, em breve, criar a “Bolsa Caixa d’água”? Confesso que fico espantado com o esgar crítico da imprensa, não só da Folha, com a fala do secretário, como se ele estivesse sendo hostil ao consumidor ou fazendo uma exigência absurda. Não está.

A cultura da reclamação está gerando no Brasil o cidadão-bebê. Logo será preciso dar comida na boquinha do indignado cidadão. Que é que há? Estamos gerando o povo gugu-dadá. Tenham paciência! Tentou-se decretar a todo custo que havia um racionamento de água, quando não há. Agora apareceu a questão da caixa d’água…

Ainda que a lei não obrigue alguém a ter uma caixa d’água — e me parece que obriga —, há coisas que são de bom senso, não é mesmo? O estado não inventou o indivíduo. Os indivíduos é que inventaram o estado. Continuam autônomos para agir em seu próprio benefício desde que não transgridam a lei. A imprensa precisa se preparar para a possibilidade de o povo, às vezes, estar errado, ser relapso. Nem sempre o governo é culpado.

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Ô meu! Vá instalar uma caixa d’água e pare de choramingar! Estão vendo por que eu jamais serviria para ser um político ou um homem público?

São Paulo no fundo do poço

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por Otavio Cohen

 

 

O primeiro sinal veio em 2004. Foi nesse ano que a Sabesp, empresa de abastecimento de São Paulo, renovou a autorização para administrar a água na cidade. Mas tinha alguma coisa errada: a estrutura dos reservatórios parecia insuficiente para dar conta de tanta demanda e seria preciso realizar obras para aumentar a capacidade de armazenamento de água. De acordo com os planos da Sabesp, a cidade de São Paulo ficaria bastante dependente do Sistema Cantareira, o que era preocupante. Se a água dos tanques do sistema acabasse, seria o caos. E foi. Em julho de 2014, o volume útil da Cantareira, que atende 8,8 milhões de pessoas na Grande SP, esgotou

Para diminuir o problema, em maio, a Sabesp decidiu usar o volume morto, uma reserva de 400 bilhões de litros que fica abaixo das comportas que retiram água do Sistema Cantareira. Foram feitas obras para bombear mais de 180 bilhões de litros dessa reserva. O volume morto nunca tinha sido usado antes, mas até que resolveu. Por um tempo. A previsão da Agência Nacional das Águas (ANA), órgão federal responsável pela gestão dos recursos hídricos brasileiros, é de que a reserva dure até novembro. A Sabesp pretende fazer obras para bombear mais alguns bilhões de litros do volume morto, para garantir o abastecimento por mais alguns meses. A estimativa mais otimista é de que haja água suficiente até março de 2015. Depois disso, a esperança é a chuva. Se chover como o previsto a partir de outubro de 2014, o Sistema Cantareira pode voltar a operar com 30% de seu volume. Não é muita coisa, mas é o melhor dos cenários. E o pior?

Mesmo se chover mais do que qualquer meteorologista é capaz de prever, mesmo se a população compreender a necessidade urgente de uma redução drástica no consumo de água, ainda será preciso haver um plano de gestão mais eficiente. A recuperação do nível do Sistema Cantareira pode levar até 10 anos. Enquanto isso, a população vai continuar a crescer. Em algumas décadas, pode ser que nem os reservatórios atuais cheios deem conta do recado. (Transcrevi trechos)

 

Pater

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MÉXICO. Los terroristas nahuas que defienden el agua

Según datos de las Naciones Unidas, cada día mueren 5000 niños por falta de agua potable, un equivalente a mas de 2 millones de infantes por año

Bienvenidxs a Tlanixco, poblado indígena terrorista enclavado en el nevado de Toluca (Estado de México). Bienvenidxs a una comunidad que ha defendido el agua, las tierras y al río Texcaltengo. Por esa razón, seis de sus líderes han sido condenados a penas de cárcel como terroristas. Llevan 10 años encarcelados. El mundo al revés sigue confirmando su ilógica.

 

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Tlanixco

 

Por Santiago Navarro

La guerra por el control del agua, mejor conocida en estos tiempos como el oro azul, ha provocado el rompimiento de cientos de comunidades indígenas, dejando a su paso un sin fin de violaciones a sus derechos humanos, asesinatos, desapariciones, represión y encarcelamientos injustos, tal es el caso de los seis indígenas nahuas de San Pedro Tlanixco en el Estado de México, quienes han sido considerados como terroristas y sentenciados a purgar penas de más de 50 años.

La comunidad de Tlanixco –palabra en nahuatl que significa “en la haz de la tierra”– está incrustada dentro de los hermosos paisajes de la cordillera del nevado de Toluca, antes conocido con el nombre de Chicnauhtécatl –nueve aguas o nueve manantiales–. Esta comunidad indígena ha sido catalogada como un “poblado terrorista” por el hecho de defender su tierra y el agua, según la línea de investigación de la Procuraduría General de la República, PGR/TOL/V/017/2002.

Estos pueblos indígenas han sido fragmentados y perseguidos por no estar de acuerdo con los proyectos que han prometido traer modernidad y desarrollo para estas comunidades. Las comunidades de Tlanixco han sostenido un férrea resistencia desde los años 80, cuando se opusieron a la construcción de la autopista Tenango-Ixtapan de la Sal, así mismo, se opusieron a que les despojarán del río Texcaltengo, el cual fue concesionado y entregado a la inversión privada de los monocultivos de flores, del municipio de Villa Guerrero, sede de la Asociación de Floricultores de Villa Guerrero (ASFLORVI).

“Nos dimos cuenta de que el gobierno quería que nos confrontáramos con otras comunidades vecinas y por medio de engaños nos construyeron un pozo artesanal para el uso domestico, después pudieron concesionar el agua y la pusieron en a las manos de las empresas floricultoras” relata Rosario Peralta Sánchez, miembro de esta comunidad.

En el año 2001 la Comisión Nacional del Agua (CONAGUA) canceló la concesión que tenían los ejidatarios de esta comunidad, declarándolo como nulo en el oficio BOO.E.12.1.0.2.-00971, razón por la cual, los habitantes de Tlanixco decidieron bloquear la autopista Tenango-Ixtapan de la Sal. Después de varias negociaciones con el gobierno, se dio un acto de provocación donde perdió la vida el ingeniero Alejandro Cárbaso, motivo por el cual, al día siguiente, con extrema violencia, se detuvo a los representantes del pueblo que defendían el agua.

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Fue una represión muy fea, donde catearon muchas casas, en un momento calculamos que llegaron alrededor de 1.500 elementos de la policía utilizando una violencia extrema, contra hombres, mujeres y niños, así fue como se rompió el tejido social de nuestras comunidades” agrega Peralta Sánchez.

El resultado de esas detenciones, es el encarcelamiento de seis de los representantes de la comunidad que llevan mas de diez años en prisión y una serie de ordenes de aprensión que aun están abiertas, por tanto hay varias personas que aún mantienen una vida en el anonimato y la clandestinidad para que no los detengan.

Pedro Sánchez Berriozábal, Teófilo Pérez Gonzales y Rómulo Áreas Mireles han sido sentenciados a más de cincuenta años en prisión por el delito de homicidio, así mismo Lorenzo Sánchez Berriozábal, hermano de Pedro; Marco Antonio Pérez González, hermano de Teófilo, y la señora Dominga González Martínez, se encuentran procesados en el mismo penal.

Sus hermanos indígenas han decidido hacer un llamamiento a la sociedad civil y las organizaciones no gubernamentales para que se pronuncien por la libertad de estas personas injustamente encarceladas.

Según datos de las Naciones Unidas, cada día mueren 5000 niños por falta de agua potable, un equivalente a mas de 2 millones de infantes por año. Este tipo de terrorismo contrasta con los terroristas de Tlanixco, quienes buscan defender el agua, no como una propiedad privada, sino como algo fundamental para la vida.

El concepto de Oro Azul, modernidad y desarrollo no cabe en su vida diaria de estas comunidades indígenas, pues al igual que la tierra, el agua para ellos es bien común que debe respetarse, pues no tiene un precio monetario.

 

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Falta de água de São Paulo e bem viver do povo boliviano

pachamama

 

 

por Ángel Guerra Cabrera

El Estado Plurinacional de Bolivia es uno de los pocos en América Latina y en el mundo, donde los derechos humanos son defendidos, respetados y perfeccionados por el Estado con una visión integral. Esos derechos no son vistos como el mero trámite formal de depositar el voto en cada elección sino como una activa participación de los ciudadanos y las organizaciones indígenas y populares tanto en los procesos electorales, como en general, en la decisión cotidiana de los asuntos públicos. Además, el Estado boliviano no limita el concepto de derechos humanos a los derechos políticos, sino los extiende a los económicos, sociales y culturales, tutelando su cumplimiento en la práctica como veremos más adelante.

El presidente Evo Morales se caracteriza por cumplir a cabalidad sus promesas a los electores. No es por eso sorprendente que tras nueve años en el cargo haya sido reelecto por tercera vez consecutiva con alrededor del 60 por ciento de votos, además de haberse sometido a un referendo revocatorio en 2008 donde fue confirmado con más del 67 por ciento. Evo, por consiguiente, ha derrotado la idea convencional de que el ejercicio del poder desgasta a los líderes.

En Bolivia antes de que Evo y el MAS conquistaran la presidencia y el legislativo una exigua minoría opulenta excluía, oprimía y negaba el derecho a vivir con respeto a su cultura ancestral y tradiciones a aymaras, quechuas y otros pueblos indios que forman la mayor parte de la población. Las empresas públicas creadas por la revolución de 1952, que eran orgullo nacional, habían sido privatizadas por los gobiernos neoliberales mediante escandalosos negocios urdidos entre los viejos y nuevos oligarcas y las compañías transnacionales.

En relación a estos cruciales problemas Evo sigue cumpliendo lo que prometió en su primera campaña electoral hace diez años pues son objetivos cuya plena realización requiere tiempo. Sus compromisos básicos con los bolivianos fueron: rechazo a las políticas neoliberales y al “libre” comercio, nacionalización e industrialización de los hidrocarburos como detonante del desarrollo económico y social, y convocatoria a una Asamblea Constituyente que propiciaría la refundación del Estado. El nuevo Estado buscaría la erradicación del colonialismo interno y sería plurinacional, reconociendo así la diversidad de la nación boliviana y abriendo los cauces para la participación de los sectores indígenas y populares.

Todo ese programa y mucho más ha sido puesto en marcha con resultados verdaderamente admirables, aunque, para llevarlo a cabo el gobierno del MAS ha debido enfrentar graves planes subversivos dirigidos por la embajada de Estados Unidos, que llegaron al intento de golpe de Estado.

La nacionalización de los hidrocarburos y la redistribución de su renta ha hecho posible que Bolivia reduzca la pobreza en un 25 por ciento y la pobreza extrema en un 43 así como subir el salario mínimo en un 87.7 por ciento. El presupuesto de salud, que en 2005 era de 195 millones de dólares había llegado en 2012 a 600 millones, con una sensible disminución de la mortalidad infantil y materna. De acuerdo con datos de 2012, médicos cubanos habían atendido gratuitamente 58 millones de consultas, realizado 33 mil partos y 134 mil cirugías no oculares; y operado de la visión a 650 mil bolivianos y bolivianas a través de la Operación Milagro. El analfabetismo ha sido erradicado y la escolarización básica es casi universal. El país marcha hacia la industrialización de los hidrocarburos y a convertirse en potencia energética.

Estos datos prueban la falsedad de quienes afirman que los logros sociales bolivianos se deben a los altos precios del petróleo pues si fuera así, otros países, como México, habrían alcanzado resultados semejantes. Basta con comparar el alza astronómica del salario mínimo en Bolivia y su estancamiento por décadas en México.

La Paz, cuya política exterior se subordinaba totalmente a la de Washington, ha pasado a ser un actor político regional e internacional de primera línea, que ostenta la presidencia pro tempore del G77 más China y habla con voz propia en los foros internacionales. Primer país en proclamar los derechos de la Madre Tierra o Pacha Mama y en enarbolar la filosofía andina del “buen vivir”, Bolivia tiene un papel de liderazgo mundial en la lucha contra el cambio climático, la más trascendental de todas las tareas que tiene por delante la humanidad.

Pacha Mama e a (falta de) água em SP

 

pachamama

por Bianca Santana

Pacha é o que há de mais simples e essencial em nós: a terra. O lugar e o tempo que habitamos, com nossas necessidades e atitudes mais instintivas. Mama, em tantas línguas, é a mãe. A fecundidade e o feminino de onde todas e todos viemos, sem exceção. Essência que costumamos ignorar por ser pouco importante frente à nossa agenda, aos nossos bens, à nossa intelectualidade. Simples demais pro nosso modelo de desenvolvimento e progresso. Para os povos andinos, nossos hermanos, a Pachamama é a divindade mais importante. De onde vem o alimento, a água, o ar. Graças a ela estamos vivos. Nas cavernas de Potosí, na Bolívia, conheci Pachamama pelo olhar forte e seguro das cholas. Mulheres com o cabelo trançado, vestindo saias longas, adornadas com roupas coloridas e brincos feitos com a prata do lugar. Muitas carregavam as crianças nas costas , amarradas por um pano, enquanto tocavam seus afazeres. Uma vida que integrava a maternidade, o trabalho, a beleza e o sagrado. Uma vida sem carro, dinheiro ou produtos caros. Mas com tudo o que é essencial à vida, até água!

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Em outubro de 2012, o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, promulgou uma lei que estabelece 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida. A visão de mundo que dá extrema importância à Pachamama, se concretizou na chamada Lei da Mãe Terra, cujos objetivos são: “estabelecer a visão e os fundamentos do desenvolvimento integral em harmonia em equiíbrio com a Mãe Terra para Viver bem, garantindo a continuidade da capacidade de regeneração dos componentes e sistemas de vida da Mãe Terra, recuperando e fortalecendo os saberes locais e os conhecimentos ancestrais, no marco da complementaridade de direitos, obrigações e deveres, assim como os objetivos de desenvolvimento integral como meio para desenvolver o Viver Bem, as bases para o planejamento, a gestão pública e o marco institucional estratégico para sua implementação”. Na época, o ministro do exterior David Choquehuanca afirmou: “Nossos antepassados nos ensinaram que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Nós, povos indígenas, podemos com nossos valores contribuir com a solução das crises energética, climática e alimentar”. O dia 1º de agosto é dedicado à Pachamama. Que ela nos inspire ao equilíbrio. Que nesse ano eleitoral, governos e candidaturas acessem e reconheçam os saberes ancestrais dos povos indígenas, africanos e camponeses europeus presentes no Brasil. Que nós, cidadãs e cidadãos, coloquemos o respeito à Terra como condição para o nosso voto. E que não esqueçamos por que São Paulo está sem água.

 

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