O assédio é a única resposta do homem machista?

Num ato de mulheres em São Paulo pelos direitos da mulher, homens se acharam no direito de ridicularizá-las e até de se masturbar em público. Por quê?
Ato de mulheres: Cunha sai, a pílula fica

Ato de mulheres: Cunha sai, a pílula fica

por Clarice Cardoso

Nenhuma mulher se surpreendeu quando eu contei do rapaz branco, “bem vestido”, e aparentemente de classe média que decidiu se masturbar em plena Avenida Paulista, em São Paulo, enquanto milhares de mulheres protestavam contra o presidente da Câmara Eduardo Cunha, o PL 5069/13 e as cotidianas violências a que estão sujeitas.

Foi na esquina da própria Paulista, assistindo ao ato do outro lado da rua, que aquele rapaz de cerca de 30 anos de idade resolveu abrir as calças, colocar o pênis para fora e se exibir.

Eu esperava o farol fechar para atravessar quando percebi que ele olhava para mim e sorria. Eu já estava no meio da travessia quando percebi o que ele tinha na mão. A única reação foi sair dali o mais rápido possível.

Esse episódio não surpreendeu nenhuma mulher com quem eu conversei. Pior, passei a ouvir os mais variados relatos de situações similares.

Este não é um texto sobre este e os outros homens que encontrei na rua na sexta-feira. Esses homens que se infiltraram num ato de 15 mil pessoas para assediar mulheres e tentar, talvez, causar algum tipo de dispersão.

Este é um texto sobre a absurda incompetência do Estado em garantir a segurança de mulheres nas ruas das cidades, mesmo quando se trata de um ato feito por mulheres pelos direitos das mulheres.

Porque foi isto o que fez com que o cara da esquina achasse que ele podia fazer o que fez: a certeza da impunidade. Nenhum policial iria fazer nada porque sabemos, vemos todos os dias, não é atrás de pessoas assim que a polícia vai. E mesmo se fosse, “atentado ao pudor” é uma redução leve demais para o que acontece.

Pouco antes, tinha observado com atenção os homens que por ali passavam, alguns acompanhando suas mulheres e filhos, outros sozinhos ou com amigas, que caminhavam por São Paulo em sinal de apoio a questões de que eles só conseguem se aproximar por um exercício enorme de abstração. Alguém que não sabe o que é o medo do estupro gritando contra essa cultura é uma pessoa louvável.

No meio deles, um grupo de jovens vestidos de mulher, como se fossem a um baile de Carnaval, caminhava de um lado ao outro da rua se achando muito espirituosos. Porque é engraçado para eles ridicularizar as mulheres (cis e trans). Porque nossos corpos estão à disposição para usar, agredir, julgar ou fazer piada. Não estão? O Congresso acha que sim.

Eles só não eram piores que o grupo que se comportava como se estivessem numa balada. Entre milhares de mulheres, o teste do macho era para ver quem “pegava” mais mulheres. Um comportamento já por si só condenável replicado num ato sério, representativo, que precisa ser tratado com toda a seriedade que merece.

Dois chamaram a atenção pelo “apoio” às avessas que davam à causa. Sem camisa, usaram batom para escrever no corpo: “Meu útero, minhas regras”. A lógica explica o que há de errado nisso.

O que na pauta de demandas de todas aquelas mulheres incomodou tanto esses homens a ponto de eles lançarem mão do assédio como única forma de resposta? Por que é tão difícil para eles respeitar uma situação em que eles não são os protagonistas? Uma situação em que ninguém precisa pedir a ajuda deles para ser ouvida?

É quase como se o assédio fosse a última carta na manga para tentar voltar à cena.

aborto

Não me venha falar na malícia de toda mulher

Ou enganam, ou são enganadas
Se mulheres são enganadas, é por políticas públicas como as propostas por Eduardo Cunha

Se mulheres são enganadas, é por políticas públicas como as propostas por Eduardo Cunha. “Sua corrupção no meu útero, não!”

Por Antonia Pellegrino

O deputado e atual presidente da câmara deve estar rindo das mulheres que foram às ruas contra sua PL 5069/13, mais conhecida como PL do Aborto.

Segundo Cunha, “a legalização do aborto vem sendo imposta a todo o mundo por organizações internacionais inspiradas por uma ideologia neomalthusiana de controle populacional, e financiadas por fundações norte-americanas ligadas a interesses supercapitalistas”.

Para o deputado, os frutos deste lobby começaram a brotar nos Estados Unidos, em 1969, sob a presidência de Nixon, alçando seu auge poucos anos depois, no relatório Kissinger.

A partir do relatório, que “propunha o controle demográfico mundial como matéria de segurança nacional dos Estados Unidos” (sic), forças de oposição à política americana começaram a emergir em todo o mundo, e também dentro da América.

Hora de o lobby mudar de estratégia, e foi o que aconteceu, segundo argumentação de Cunha, a partir de 1974, quando “a direção das organizações Rockefeller, em conjunto com sociólogos da Fundação Ford, formularam uma nova tática na estratégia para o controle da população mundial”.

“Os meios para a redução do crescimento populacional, entre os quais o aborto, passariam a ser apresentados na perspectiva da emancipação da mulher, e a ser exigidos não mais por especialistas em demografia, mas por movimentos feministas organizados em redes internacionais de ONG’s sob o rótulo de ‘direitos sexuais e reprodutivos’.”

“Neste sentido, as grandes fundações enganaram também as feministas, que se prestaram a esse jogo sujo pensando que aquelas entidades estavam realmente preocupadas com a condição da mulher.”

Estará o deputado Eduardo Cunha verdadeiramente preocupado com a condição da mulher?

Hoje, se uma mulher for estrupada e engravidar, é direito dela ir diretamente ao hospital e realizar o procedimento. Caso o projeto do deputado entre em vigor, a estuprada terá que comparecer a uma delegacia, registrar ocorrência e se submenter a um exame de corpo de delito para comprovar o abuso.

Em seu Facebook, Eduardo Cunha afirmou: “o projeto de lei vai contra a impunidade, incentivando as vítimas reais a registrarem Boletim de Ocorrência; ajudando a combater este crime hediondo”.

Vítimas reais, deputado?

O projeto de lei do deputado Eduardo Cunha parte do princípio de que haveria mulheres utilizando o SUS para fazer abortos ilegais. Seu alegado objetivo seria, portanto, em última instância coibir a mentira. Concedo que não é absurdo supor que mulheres estariam mentindo para ter o direito ao aborto legal pelo SUS. Mas cabe perguntar: por que elas fariam isso?

Talvez a resposta possa vir da boca de Sandra Maria dos Santos Queiroz, a mulher que deixou seu bebê aos pés de uma árvore, há poucas semanas, no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo. Quando perguntada por que “abandonou” seu filho, Sandra tapou o rosto e disse: “por desespero”.

Deputado, se as mulheres enganam, só o fazem porque são coagidas por um Estado que se diz laico, mas lhes retira o direito ao próprio corpo utilizando argumentos históricos para escamotear intenções nada laicas e nada preocupadas com a condição feminina.

E, se (algumas) mulheres são enganadas, é por políticas públicas como as propostas pelo senhor. Não passará. #AgoraÉQueSãoElas In Carta Capital

fanatismo religioso pena morte aborto

CHILE La crisis política abrió las cloacas

En ese sector conviven amantes del neoliberalismo salvaje con nostálgicos de la dictadura

Alfredo Martirena

Alfredo Martirena

por Arturo Alejandro Muñoz
Politika


“El requisito para ser diputado o alcalde es ser ladrón y yo no lo soy” (Mario Sepúlveda, uno de los 33 mineros rescatados de mina San José).

El dato disponible es el que publicó recientemente la encuesta ADIMARK. No existen antecedentes distintos que refuten lo que esa encuesta informa. Los ‘distinguidos’ miembros del Senado cuentan con un rechazo en la opinión pública cercano al 79%, mientras los ‘honorables’ diputados son propietarios de un rechazo público que se empina en el 82%. ¿Quién dice más?

Hoy se da un fenómeno político inédito en nuestra Historia: existe una oposición ampliamente mayoritaria, pero lo curioso, que hace único al fenómeno, es que esa oposición lo es no sólo contra el oficialismo sino, también, contra la ‘oposición a ese oficialismo’.

En términos simples, una fuerte y creciente oposición a la gobernante Nueva Mayoría, a la Alianza, y a los colgajos de ambos bloques (Evopoli, Amplitud, MAS, PRI, etc.).

Si Ud. conversa con cualquier parlamentario de manera informal, aborde el tema y comprobará que el ‘honorable’ coincide en cuanto a la gravedad de la situación. Ni siquiera pondrá en tela de juicio que el nivel de desprestigio de los poderes del Estado conlleva un serio peligro de desestabilización del sistema político y además, por si fuese poco, la posibilidad del surgimiento de cacicazgos nacionalistas que suelen culminar de mala manera para el país y su gente.

No obstante, muchos parlamentarios y dirigentes políticos optan por el statu quo, por el inmovilismo… o como dicen los abogados, apuestan sus fichas a “no innovar”, pavimentando su propia ruta hacia nuevas corruptelas y traiciones. Si hasta ayer eran ‘caradura”, hoy son “caras pétreas”. La cloaca está abierta y nadan, orondos, en sus propios miasmas sin pudor alguno ni temor ante la crítica ciudadana: se la meten al bolsillo o se sientan en ella.

Coincido con lo escrito por el periodista alemán Michael Schmitz en la revista Der Spiegel: “Para la mayoría de la gente es algo sabido: Políticos y grandes empresarios son corruptos. Y, en efecto, encontramos claros indicios que justifican esa impresión”. Por cierto, en Chile los indicios son aún más voluminosos. Ahora resulta que ser delincuente – con o sin corbata – es un asunto de habitualidad, o de una especie de ‘oficio laboral’ rentable, para ciertos segmentos de la población.

carataz chile capitalismo fesch

Los parlamentarios han formalizado esa actividad convirtiéndola en oficio… y peor aún, en profesión cínicamente ‘válida’. Ejemplos sobran. Lo que hay de prensa avala lo anterior, otorgándole a la criminalidad (la de arriba y la de abajo) amplio espacio en sus noticieros centrales. Se ratifica así lo expresado por Michel Foucault en su libro “Las redes del poder”, con relación a la existencia de estados policiales administrados por políticos que, a su vez, están subordinados a los mega empresarios y a los coyotes financieros.

Dice Foucault: “La delincuencia tiene una cierta utilidad económica-política en las sociedades que conocemos. La utilidad mencionada podemos revelarla fácilmente: “cuanto más delincuentes existan más crímenes existirán, cuanto más crímenes haya más miedo tendrá la población, y cuanto más miedo haya en la población más aceptable y deseable se vuelve el sistema de control policial”. (…) “la existencia de ese pequeño peligro interno permanente es una de las condiciones de aceptabilidad de ese sistema de control, lo que explica por qué en los periódicos, en la radio, en la televisión, en todos los países del mundo sin ninguna excepción, se concede tanto espacio a la criminalidad como si se tratase de una novedad en cada nuevo día”.

Al respecto me permito una reflexión que, seguramente, es compartida más allá de mi círculo familiar. La mentada criminalidad se observa no sólo en corruptelas, robos y traiciones (especialidad de las dos principales cofradías políticas actuales), sino también en las declaraciones que hacen esos eméritos individuos, con una frescura de cutis que justifica la pésima imagen que dejan en la opinión pública.

Elena

Elena

He aquí algunas ‘perlas’ tomadas al azar, indicativas de cuán pobres son las argumentaciones utilizadas por algunos políticos – y otros famosillos del quehacer nacional – al dar explicaciones respecto de decisiones que comprometen el bienestar común.

“Si se despenaliza el aborto los más felices serán los violadores, ya que no habrá bebés para enjuiciarlos.” (una diputada UDI, de cuyo nombre no quiero acordarme, pues siento vergüenza ajena).

“El aborto terapéutico es un “control de calidad a la raza humana.” (Jacqueline Van Rysselberghe).

“Quemaría al 26% que – según encuesta Adimark – apoya a M.Bachelet.” (tuit de Rodolfo Garraud S., Consejero de Evópoli).

“Cómo esa negra tatuada va a ser candidata nuestra.” (diputada María José Hoffmann refiriéndose a Lily Zúñiga, periodista que fuera jefa de prensa de la UDI).

“Si se hubiera aprobado la idea de legislar sobre un proyecto de ley que reintrodujera la esclavitud en nuestra patria, habría sido menos lesivo para el Estado de Derecho que la aprobación de la idea de legislar sobre un proyecto de ley que aprueba el aborto, entendido como acción que se propone interrumpir el embarazo.” (Felipe Bacarreza Rodríguez, obispo de Los Ángeles).

“Solicito rendirle honores en sus exequias; es lo que corresponde. Se hará de acuerdo a toda nuestra legislación. No es lo que a mí me guste o no me guste. Así de claro. Ni más ni menos.” (diputado Jorge Ulloa, solicitandole al ejército rendirle honores al filo genocida Manuel ‘Mamo’ Contreras, condenado a más de 500 años de cárcel, cuando fallezca.

Pero, a mi juicio, la guinda de la torta la puso un individuo que no es político profesional… aunque no está lejos: se trata de un abogado. No un leguleyo cualquiera, es Decano de la Facultad de Derecho de la Pontificia Universidad Católica:

“La lluvia es clamor del cielo por los inocentes que morirán si se consolida legalización del aborto.” (Tuit de Carlos Frontaura, decano de la Facultad de Derecho de la PUC, aprovechando un frente de mal tiempo que afectó a la zona central).

En resumidas cuentas, el intento de Michelle Bachelet – aunque tibio y vacilante – por llevar a cabo su programa de gobierno en determinadas materias, desató las iras del sector neofascista de nuestra sociedad.

Ese que en 1988-89-90 se vio obligado a “casarse con la democracia sin amarla, ni haberla amado jamás”: en ese sector conviven amantes del neoliberalismo salvaje con nostálgicos de la dictadura, y allí pululan variopintos feligreses de algunas iglesias, desde la evangélica (la del pastor Soto) a la católica vaticana (la de Karadima, Medina y Ezzati).

Parafraseando el viejo refrán, cuando a la casa de la política entra la crisis por la puerta, de inmediato escapa la dignidad por una de las ventanas. Pero, en el caso que nos ocupa (el caso chileno), la dignidad de los políticos huye en voluntariosa procura de vestimentas acordes a su nuevo estado de cinismo y contumacia.

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Onde vence a cultura do lucro

O cardeal arcebispo de Boston sobre o tráfico de órgãos ligado às actividades abortivas 
Firuz Kutal

Firuz Kutal

Boston, 3. Práticas que «negam o respeito devido à humanidade e à dignidade da vida humana»: no debate surgido nos Estados Unidos depois da difusão de uma série de vídeos que mostram que «Planned Parenthood» através das suas organizações nacionais realizava práticas abortivas ilegais e comercializava partes dos fetos humanos, insere-se também o pronunciamento do cardeal Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston e presidente do Comité das actividades pró-vida da Conferência episcopal americana.

Citando o Papa Francisco, o purpurado explicou que «o aborto é o produto de uma mentalidade de lucro, de uma cultura do usa e deita fora que, actualmente, escravizaram os corações e as mentes de muitas pessoas».

Segundo O’Malley – cuja declaração foi difundida no site do episcopado e retomada por numerosas agências de imprensa – os recentes casos de crónica chamam a atenção «para dois temas de amplo alcance» que envolvem também as instituições da sociedade: o aborto, definido «um ataque directo contra a vida humana na sua condição mais vulnerável», e a prática, «já padronizada», de obter tecidos e órgãos fetais através do aborto.

Ambas as práticas, afirma, não respeitam a humanidade nem a dignidade da vida humana. Diversos Estados e inclusive o Congresso dos Estados Unidos anunciaram investigações sobre «Planned Parenthood», considerada – refere a Aica – a maior «multinacional do aborto» do mundo, que recebe mais de meio milhão de dólares por ano de financiamento público através dos impostos. L’Osservatore Romano

Sexo e drogas nas campanhas eleitorais do Brasil e França

 

Dominique Strauss-Kahn

Dominique Strauss-Kahn

Dominique Gaston André Strauss-Kahn, principal líder do Partido Socialista (PS), era para ser o presidente da França hoje.

Denunciado por estupro e ligações com prostitutas, foi substituído por François Hollande, um burocrata secretário do partido.

No Brasil, DSK, como é conhecido Dominique, seria festejado pela virilidade.

No Brasil, o caso DSK seria cousa costumeira, que vários candidatos se envolveram com prostitutas, inclusive drogas, e nenhuma voz puritana apareceu para reclamar.  Nenhum fanático religioso, que se elege deputado ou senador pelas campanhas contra os gays, as lésbicas, o aborto e o casamento igualitário.

DSK estava eleito presidente da França. Professor de economia na Universidade Paris X (Nanterre) e deputado socialista a partir de 1986, presidiu a comissão de finanças da Assembleia Nacional do seu país, entre 1988 e 1991.

Tornou-se ministro da Economia, das Finanças e da Indústria do governo de Lionel Jospin. Nessa função, trabalhou para o lançamento do euro e representou a França no Conselho de Governadores e de um certo número de instituições financeiras internacionais, incluindo o FMI.

Em 28 de setembro de 2007, foi escolhido para dirigir o Fundo Monetário Internacional (FMI), assumiu suas funções em 1º de novembro. Em 14 de maio de 2011, em Nova York, foi envolvido num suposto caso de agressão sexual. Colocado em detenção provisória, pediu demissão em 18 de maio, antes de ser levado a julgamento.

Há quem acredite em uma armação, que se aproximavam as eleições presidenciais da França de 2012.

Hoje Dominique Strauss-Kahn voltou a ser capa de jornal em Paris.

liberation. prostituição

A LA BARRE  Jade, venue témoigner au procès du Carlton, a raconté une soirée brutale avec DSK. Pour elle, il ne fait fait aucun doute que l’ancien directeur du FMI connaissait son statut de prostituée.

Jour après jour, elle revient à la barre du tribunal correctionnel de Lille. Parce qu’elle est l’une des prostituées à avoir participé au plus grand nombre de «soirées», Jade, grande femme mince au visage caché par un casque de cheveux auburn, raconte inlassablement les passes, les hôtels, les bordels, les transactions, les clients. Ce mercredi 11 février, il est question à l’audience du procès du Carlton d’une «partie fine» avec Dominique Strauss-Kahn au Tantra, club belge échangiste, à l’automne 2009.

«On m’avait clairement fait comprendre que j’étais là pour DSK, raconte-t-elle.

Pour Jade, cette conversation ainsi que d’autres «signes» prouvent que Dominique Strauss-Kahn savait qu’elle était prostituée. C’est l’enjeu fondamental : DSK encourt jusqu’à dix ans de prison s’il est reconnu coupable de proxénétisme.

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«JE REVIS CET EMPALEMENT DE L’INTÉRIEUR, QUI ME DÉCHIRE DEDANS»

Arrivés à Bruxelles, DSK propose à Jade de «finir la nuit» avec lui et son amie. «Comme j’avais été payée pour une prestation et que je n’avais encore rien fait, j’y suis allée», dit Jade. Elle fond en larmes lorsque le président du tribunal lui demande de raconter ce qui s’est passé dans la chambre, une sodomie brutale.

 

[FOTOS] ACCIÓN POR EL DERECHO A DECIDIR SOBRE TU CUERPO

Madri – De manera espontánea, un grupo de personas han expresado su desacuerdo con la apología que aboga por impedir la libre decisión sobre el cuerpo y la orientación sexual que un grupo ultracatólico está llevando a cabo en la puerta de SOL.

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Manifiesto leído y repartido durante la acción

ATENCIÓN: ZONA DE PELIGRO. INTENTAN DECIDIR POR TI.

Estamos realizando esta acción directa no violenta para visibilizar la violencia que ejercen los discursos que niegan el derecho a decidir bajo el oscuro paraguas “derecho a la vida”. Delimitar como “zona de peligro” el espacio de “Acampada pro vida” tiene como objetivo denunciar la forma en que intentan quitarnos nuestro derecho a decidir sobre nuestras propias vidas y nuestros propios cuerpos. De nuevo son los cuerpos de personas identificadas como mujeres los que buscan ser controlados y criminalizados por otros. Esta injerencia en la libertad sobre nuestros cuerpos y nuestras vidas es un verdadero peligro para todas las personas.

Queremos dejar claro que a nadie se le obliga a interrumpir voluntariamente su embarazo. De hecho, que a alguien se le obligue a abortar es un crimen que nosotras condenamos rotundamente. Defendemos radicalmente el derecho a ejercer una maternidad libre, independientemente de la clase, el origen étnico o racial, la opción sexual, la identidad de género o la diversidad funcional de las personas. Se plantea una contradicción cuando se quiere obligar a determinadas personas a desarrollar una maternidad no deseada y se niega a otras el deseo a la maternidad/paternidad. Es decir, el derecho a adoptar y el acceso a tratamientos públicos de reproducción asistida por parte de personas y parejas lesbianas, gays y trans.

Cuando se afirma que se defiende la vida, ¿de qué vidas estamos hablando? ¿Qué deberíamos hacer entonces? ¿Guardar nuestros óvulos, nuestra sangre menstrual y el semen para preservar “la vida”? Hablar por embriones y fetos frente a las mujeres embarazadas reclama los supuestos derechos de una “vida potencial” negando los derechos de las mujeres aquí y ahora. Se habla del trauma de las mujeres embarazadas que abortan, y ¿del trauma de una maternidad no deseada tanto para las madres como para sus hijxs?

En nuestra sociedades el peso de la maternidad y del cuidado continua recayendo principalmente en las mujeres. La maternidad aparece como carga y como responsabilidad. Vivimos en una sociedad desigual donde la negociación del uso del condón en las relaciones sexuales heterosexuales continúa siendo un problema para las mujeres. No hay suficientes esfuerzos para garantizar una educación sexual que reconozca la libertad, el derecho al disfrute del propio cuerpo, el respeto y la diversidad en todos sus términos.

NOSOTRAS ESTAMOS POR EL DERECHO A LA VIDA. PERO UNA VIDA CON DERECHOS. POR EL DERECHO A NUESTRAS PROPIAS VIDAS Y A NUESTROS PROPIOS CUERPOS. POR EL DERECHO A DECIDIR. POR EL DERECHO A UNA MATERNIDAD LIBRE.

POR EL DERECHO AL ABORTO LIBRE, SEGURO Y GRATUITO.

 

 

VIOLETTE. El eslabón perdido

¿Por qué una escritora tan fascinante y revolucionaria como Violette Leduc (1907-1972) se ha vuelto una completa desconocida? Pionera en escribir sobre el aborto, la bisexualidad y otros tabúes en primera persona, sus novelas se adelantaron a lo que hoy es leído como literatura queer y se siguen resistiendo a toda clasificación. La semana próxima se estrena Violette, que reconstruye su relación apasionada con Simone de Beauvoir. Aunque el film no transmite la locura, el encanto de su voz ni su inclasificable sexualidad, impone volver a pensar en ella.

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por Liliana Viola/ Página 12

Hasta hace unas pocas décadas, la consigna “tenés que leer a Violette Leduc” funcionó como telegrama de aviso entre lesbianas y futuras lesbianas. Hoy, sus títulos –que no se han vuelto a editar desde los años ’60– esperan en librerías de usados o en la vidriera de MercadoLibre convertirse en unos pesitos extra para alguien que no la leyó. Los vendedores profesionales o “con buena reputación” en el sitio advierten al comprador que en La bastarda (1964) hay un capítulo que no está bien, “mire que hay unas páginas muy subrayadas, pero igual se lee”. Es siempre el Capítulo 3. Lo hemos comprobado luego de una compra compulsiva promovida por dicha advertencia: en ese capítulo, Leduc narra por tercera o cuarta vez en toda su obra el encuentro físico de las dos jovencitas en el internado. Se lo habían amputado de su novela Ravages (1955) no los malditos censores de siempre sino sus progresistas editores de Gallimard por “escandaloso e innecesariamente lésbico”. A partir de entonces la historia regresa con más detalles cada vez que puede.

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Esas 140 páginas prohibidas aparecieron también como Teresa e Isabel quedando en la historia como la novela explícita y sáfica de Leduc cuando en realidad había nacido como un episodio. También circuló un manuscrito pirata que a modo de premio consuelo le pagó su amigo perfumista Jacques Guérin para que cirulara entre coleccionistas de lo degenerado. Era un auto robo, una estafa a sí misma, algo así como hacerle perder a la editorial y al amigo el dinero equivalente a la cordura que iba perdiendo ella. La escritura para Leduc siempre es revancha. Si ya era una mujer notoriamente extraña, que abusaba de ese pase libre para el escandalete que antes se le otorgaba a la hija única sobre todo si además tenían madre soltera, la censura de sus primeros amores la hundió en una paranoia que se le hizo estilo: cree que la espía Sartre desde la terraza de su departamento, que Simone se puede morir si se va de viaje, consulta a una vecina astróloga diariamente para cada decisión doméstica y espera señales claves de objetos que ve en la calle para saber si hoy va a morir, si llegará su amante o lo que sea. No llegaron a ponerla en caja, afortunadamente para los lectores, ni las internaciones y ayudas psiquiátricas a las que la sometió Simone de Beauvoir, ni el éxito que –también con ayuda y látigo de Simone– llegó más tarde. Con el título La locura ante todo, el último tomo de su serie autobiográfica, Leduc sintetiza lo que puede leerse como toda una declaración identitaria. La L de loca y no de lesbiana debería estar para ella en la sigla que no existía todavía en sus tiempos: un modo de ver y estar en el mundo que arrasa con toda norma (lidad). Leduc se ve a si misma como un monstruo y es esa monstruosidad ejercida en cada párrafo lo que hace de su literatura un arma subversiva.

 

Violette Leduc

Violette Leduc

¡No era lesbiana! Es invisible…

Sin haberse propuesto escribir una sola historia catalogable dentro de la temática, Leduc fue original y pionera al exponer el placer físico y la pasión que una mujer puede sentir con otra. También en pasarle por encima al circuito obligatorio que va desde el amor imposible hasta el porno para caballeros. Su personaje más recurrente es ella misma, y quien siempre regresa a provocarla se llama Isabelle. Son dos niñas de 12 o 14 años, según la versión, que se encuentran en la cama del internado. La cama cruje, hay que contener la respiración, amarrar las sábanas, puede venir la gobernanta. “El amor es una invención agotadora. Isabelle y Violette me repetía yo para habituarme a la mágica simplicidad de los dos nombres.” Las relaciones entre mujeres en versión Leduc tienen un plus respecto del relato lésbico estándar. Violette se vuelve otra (incluso otro) según su partenaire. Las chicas del internado combinan sesiones de violencia, capricho, exploración sin el menor respeto por ninguna jerarquía de zonas eróticas. La piel se vuelve musa, los roles se erosionan y adentro de esa cama avanzan en un candor que llega hasta la obscenidad cuando la autora se propone serle fiel a lo que sucedió. Otra seña particular: no es reivindicativa, ni espera comprensión como Marguerite Radcliffe Hall en El pozo de la soledad (1928), no interpone la distancia socarrona de Colette con su Claudine, ni conoce la maquiavélica erótica de Natalie Barney y sus señoritas de salón. Tampoco tuvo la celebridad de ninguna de ellas, en gran medida porque, como decía su benefactora y dómina Simone de Beauvoir, “Leduc no quiere gustar, no gusta y hasta aterroriza”. Reconcentrada en su experiencia y confesional hasta la autoadjudicación de crímenes –fue la primera en narrar un aborto clandestino en tiempos en que la ley francesa condenaba a prisión a la mujer que fuera descubierta– se ganó el ninguneo de la crítica académica y de la sexualmente interesada: una no le dejó pasar lo autodidacta y desbocada, la encontró demasiado torta para escritora; y la otra, demasiado exploradora para festejarla como “auténticamente de ambiente”. Años después, las feministas retomaron su gesta solitaria con el masivo “Yo aborté” y si bien participó allí con su firma de prócer, no se puede decir que haya conformado un programa orgánico feminista ni de ningún orden político. Hablaba de los nazis como “los malos” cuenta Simone en el prólogo de La bastarda. Era una outsider y su estilo inasible tal vez pueda ser comparable con el esilo delincuente de Jean Genet. Si éste había sido la descarriada criatura elegida por Sartre, Leduc ha sido la versión femenina para la cartera de Simone de Beauvoir. “Si no hubiera abortado nunca habría podido dedicarme a escribir” dice en su relato como quien con un movimiento de hombros se libera de una posible palmada en la espalda. Y como si faltara una broma pesada a cualquier intento de justificación moral, agrega: “Escribir nunca fue mi vocación ni tampoco mi oficio”.

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir

Reality YO

En la Argentina fue contraseña de culto o de cultores de lo raro, aunque no circularon sus textos más escandalosos como, por ejemplo, Taxi, que es el viaje de cuatro horas de dos hermanos incestuosos, o la censurada Ravage, sus novelas estaban presentes en las bibliotecas argentinas de los ’70, apretando el lomo contra los de otros divos degenerados como Jean Genet (quien le dedicó Las criadas y la admiró hasta la envidia), Jacques Cocteau (su amigo que se burlaba de ella a sus espaldas: “Si yo tuviera esa nariz me suicidaría” dijo una vez sin saber que la dueña de la nariz estaba sentada en una mesa contigua), Albert Camus (quien le publicó su primera novela La asfixia, de 1946, en Gallimard).

Esa zaparrastrosa que había nacido en 1907 en Arras, al norte de Francia, hija de una sirvienta a la y de un niño bien que nunca la reconoció, a la que la agarró la Primera Guerra Mundial cuando tenía que terminar sus estudios, y la sorprendió la Ocupación cuando ya tenía agallas para meterse en el mercado negro a vender manteca a los hambrientos, llegó finalmente a París. Instalada en una pieza módica que la cortesía burguesa de Simone describió como “sitio ideal para escribir y sólo escribir”, penetró en el círculo de los intelectuales de moda empujando con lo que no tenía: ni una cara pasable que le sirviera como credencial VIP en alguna reunión, ni buenos modales. Se las rebuscó para ir seduciendo y hastiando a uno por uno, y mientras –gracias a tanto espaldarazo existencialista, fue incluida en sus catálogos– los escrachó a todos en ficciones autobiográficas como una adelantada vengadora de reality. Se podría hacer una gramática de la pose del “intelectual francés de los ’60”, o de la feminista en ciernes, o de los aspirantes a lo que sea, siguiendo la lengua afilada de Leduc, que va traduciendo lo que le dicen los zapatos gastados, los tapados de noche, los puños doblados, el modo de sentarse en la punta de una silla o en el fondo, o de levantar el mentón.

No se nace heterosexual, se deshace

Más que invertida, el personaje construido por Leduc es descentrada. ¿Tiene hambre? Roba para comer. Y no come. ¿Está desolada? Aprieta fuerte su bolso. Tiene un deseo poderoso que le durará hasta el último día y lo va fijando en objetos móviles: Maurice Sachs (homosexual), Isabelle (la adolescente con la que descubre su sexualidad y luego pierde la tensión al reencontrarla fuera del internado), Hermine (su profesora lesbiana, con quien se encierra en una pareja peligrosamente tradicional), Gabriel (gay con quien llega a casarse, hacerse un aborto y divorciarse), Simone de Beauvoir (su obsesión no correspondida), René de Bagnolet (el chongo que la muele a palos, albañil y heterosexual que la apasiona en su vejez), y muchxs personajes más que a veces duran en sus relatos menos de un día.

El erotismo de Leduc es capaz de armar una hoguera con lo que para otros es decorado o gesto mecánico: la mano de la estudiante que hurga en el bolso de la profesora mientras ésta no lo sabe ni sabe lo que le espera, el roce del camisón, “a veces el camisón me rozaba cuando nos abrazábamos y nos mecíamos, si dejamos de acariciarnos,recobramos la memoria y el dormitorio”); los tabiques entre las piezas de los hoteles alojamiento, esa “comunidad de alvéolos, contagio de la riña, del celo y del drama, empecemos de nuevo a hacer el amor con nuestros vecinos, los amantes”. Así como la Blanche Dubois de Un tranvía llamado Deseo siempre dependió “de la amabilidad de los extraños”, el placer de Leduc siempre dependerá de la respuesta de los objetos. Y si suena como insatisfacción asegurada, deberá leerse también como su genialidad, porque a esta escritora los objetos le responden más que a Proust: las frutas la señalan, los libros la miran llorar, un habano o una gorra la liberan de su feminidad cuando quiere volverse chongo para seducir a su amante gay, y unos zapatos tres números más chicos la ponen en caja cuando pretende hacerse más femenina para agradar a su novia.

En el fragmento que sigue la encontramos en La bastarda robando lencería para lucir bombachas y corpiños frente a Hermine, la profesora y torta casadera que quiere domesticarla: “Puse, como si siempre lo hubiera hecho, la negra, la azul, la anaranjada y la salmón en mi portafolios. La magnificencia de mi pequeño robo provenía de la rapidez con que el objeto se convertía en un objeto vendido sin pagar. Juntaba bombachas. Robaba para quitar a las mujeres lo que las feminiza”. Las bombachas robadas la vengan de las imposiciones de su novia que la quiere ver linda y femenina, y de la admonición de su madre: “Tenés que hacerte mujer de una vez para no quedarte sola”. Los objetos son los otros, podría haber dicho Leduc parafraseando a Sartre, uno de sus tantos contemporáneos que le brindaron las dos cosas que más se le dieron en la vida: ayuda y mortificación.

Rescatate, Violette

Violette film

“No había leído nada de Violette Leduc”, reiteró en varias entrevistas Martin Provost, 40 años, francés, en su visita a Buenos Aires cuando vino a presentar su película Violette, que se estrena la semana próxima. Provost ya empieza a figurar como el “director de las mujeres olvidadas” desde que comenzó su trilogía en 2008 con Séraphine Louis, una pintora que trabajó toda su vida como sirvienta hasta que fue descubierta por un coleccionista. Un colaborador le señaló que su segunda rescatada debía ser Leduc y aquí es cuando Provost, que jamás había oído de ella, se encuentra con que la autora está descatalogada en Francia y el resto del mundo. Claramente seducido por este objeto vintage, reconstruye al pie de la letra episodios de su vida, tal vez confiando demasiado en lo que ella escribe. Comienza su historia en los años de la Segunda Guerra con esta joven acosando a Maurice Sachs, que se la saca de encima enseñándole a contrabandear comida y mandándole a escribir sus obsesiones. El resto es un buceo en la relación equívoca de Violette con una Simone de Beauvoir particularmente frágil y sugerente. Una vez más, su destino de segundona: el director apuesta a la fama y al morbo que puede generar la segunda para interesarnos en la vida de la primera, que queda encapsulada en una serie de capítulos organizados según el personaje famoso con el que se cruza. Una aproximación más familiar al registro Wikipedia de las biografías que al torbellino delirante de Violette.

Bastarda con gloria

Leduc es demasiado narigona, demasiado pobre, demasiado fea y demasiado alta. Eso es un buen comienzo. Tiene todo para ejercer esa monstruosidad que la agiganta y que la hace disfrutar de estar siempre fuera de lugar. Nunca agradar, nunca encajar del todo. Tampco quedarse en el lamento. Leduc cuenta en sus novelas cómo dedica horas frente al espejo para exagerar sus rastros y volverlos más agresivos. Su figura desgarbada llega a llamar la atención de los mejores modistos. La fea llega a modelar para Paco Rabanne entre otros que la eligen justamente por su ejemplar imperfección, rara forma de la elegancia.

 

bastarda

Pero por sobre cualquier desperfecto del que ella hará virtud, hay uno que es el padre de todas sus desgracias y narrativas. Violette carga desde su infancia con una injuria: ¡Bastarda! Ha escuchado ese grito de sus compañeros y de sus vecinos de Arrás. Su nacimiento no la ha designado tanto a ella como a su madre; llegó al mundo para poner en dos patas y un vestidito exageradamente almidonado la humillación de su mamá. Y en cada acto de cuidado o de descuido de ella, Violette va a leer el estigma en el que se convirió al nacer. El insulto que hoy se ha convertido en arcaísmo tiene una relación de equivalencia con esa injuria considerada fundante de de la cuestión homosexual. Bastardo (¿acaso no es un modo elegante de decir “hijo de puta”?) ejerce la misma erosión que el grito de “puto” del que habla Didier Eribon como constitutivo de la homosexualidad. O el grito de “queer” que los activistas convirtieron en boomerang en los años ’90. En tiempos de ADN, de patria potestad compartida, padres biologicos y reclamos legales, el concepto de bastardía se ha diluido pero el efecto que provocó en la escritura de Violette, sigue con toda su potencia, interpelando a la diferencia.

Aun en tiempos de gloria, Leduc fue vista como unfenómeno de circo. En los seis o siete años que tuvo de exposicion mediática antes de morir, las revistas, las caricaturas y la televisión francesa le sacaron todo el jugo que podía dar una vieja excéntrica, paranoica, rodeada de juguetes, y además obsesionada con esa mujer a la que en sus novelas nombra como “Ella” o “La Señora”. Hoy se la puede ver en entrevistas tomadas pocos meses antes de su muerte declarando para el gusto chismoso de otra epoca: “Cada vez que yo estuve gravemente enferma, cada vez que golpeé a su puerta, cada vez que le rogué que me atendiera, jamás me abrió. Aun así, no pude haber escrito nada sin su ayuda. Nos veíamos cada quince días y ella me animaba a escribir. No habría escrito nada si ella no me lo hubiera pedido. Me decía que mis cuadernos eran muy largos,. También me alentaba a que contara más. Si pienso en las personas que son mi familia, mis amigos, siempre pienso en Simone de Beauvoir”, dice sin pestañear en una de sus últimas entrevistas, que puede visitarse en YouTube.

Leduc se murió el 2 de julio de 1972 y asistieron tres vecinas a su entierro. No se encontraban papeles sobre testamento, ni tampoco requerimientos funerarios. Fue enterrada en el jardín de su casa de campo en la Costa Azul, cuyos vecinos y animales aparecen retratados en su libro póstumo: La cacería del amor. La enterraron entre sus flores. “En cada poro una flor”, dice Violette cuando no encuentra palabras para describir las manos de Isabelle.

¿Qué interés puede tener exhumar hoy a Violette Leduc? Podría ser ella el eslabón perdido entre las narrativas más clásicas del erotismo sobre “amores que se califican de anormales” y una narrativa queer.

 

 

 

ABORTO NO PUNIBLE. Los anti-mujeres

Argentina. La negación de un hospital público de realizar un aborto no punible a una niña de 13 años embarazada producto de una violación vuelve a poner en escena una discusión: quién tiene el poder de decidir sobre los cuerpos de las mujeres

por Malena Pichot

 

aborto

 

Los argumentos de aquellos en contra del aborto son pocos e inconsistentes, pero los anti-abortistas, o los anti-mujeres, como los llamaba el ícono del humor norteamericando George Carlin, utilizan la repetición para darle consistencia a esas incoherencias que ellos disfrazan de razones. “El bebé no tiene la culpa” es la frase que más les gusta a los anti-mujeres. La repiten hasta el cansancio, como robots programados. No importan las cientos de miles de mujeres muertas en abortos clandestinos todos los años, no importan las consecuencias físicas ni mentales que una nena violada y embarazada deberá soportar, no importa la vida que ya existe. Porque los anti-mujeres ya tienen su respuesta en la punta de la lengua, como un escudo que los protege de cualquier peligro de tener que pensar, de cualquier riesgo de tener que ponerse en el lugar de esa mujer. “El bebé no tiene la culpa”, y ya no hay nada que decir, para ellos la fe en un Dios que ha decidido crear una vida es lo único a lo que pueden aferrarse, para no caerse en la realidad de la mujer violada. No miran a los costados, como caballos en un desfile, como fanáticos sin voluntad. “El bebe no tiene la culpa”, dicen como hipnotizados, como quien recita un hechizo perverso. Utilizan maliciosamente al lenguaje, manipulando con la palabra “bebé” y la palabra “culpa”, que no están ahí aleatoriamente, están ahí en la forma de dos golpes bajos, en el estómago, para dejar sin aire, para hacer sentir mal, para convencer a los temerosos de ese Dios que castiga.

“El bebé no tiene la culpa” da entender entonces que alguien sí tiene la culpa: el violador, claramente, y pareciera que también la mujer. Si no ¿cómo se explica que deba ser castigada cargando durante nueve meses en su cuerpo la evidencia de esa violación, reviviendo en cada cambio de su cuerpo el hecho más traumático y violento que una mujer pueda sufrir? ¿Por qué ese embrión es un ser humano, pero la mujer que lo lleva no es un ser humano? ¿Por qué la mujer se convierte sólo en una vasija, en un contenedor cuyos sentimientos, cuyos traumas dejan de importar?

“Lo traumático para la mujer no se encuentra en la práctica del aborto. Debemos dejar de hablar del aborto en esos términos. Lo traumático es no poder decidir sobre nuestros propios cuerpos, no ser dueñas de nuestra propia vida, eso es traumático.”

Muchos anti-mujeres terminan explicando que ese embrión es un “angelito” que viene a traer “amor” a una casa llena de violencia. Los anti-mujeres viven en un mundo de fantasías en el que una familia, en la que un padre o padrastro, tío, abuelo, hermano o primo violador, puede, a pesar de esto, lograr un final feliz con la llegada de ese bebé. Los anti-mujeres no tienen vergüenza en pronunciar que algo positivo puede salir de una violación, y nunca podremos defender realmente a las mujeres si seguimos creyendo que la violación puede tener resultados beneficiosos.

En un hospital de Moreno se negaron a realizar un aborto no punible a una nena de 13 años violada por su padrastro. La niña fue internada producto de un deterioro en su salud, pero Mariana Dunayevich, directora asociada del hospital, se negó a realizar la práctica, práctica que está avalada por el Código Penal argentino que no sanciona los abortos en los casos en que corra riesgo la vida o salud de la mujer gestante o que el embarazo sea producto de una violación (artículo 86, incisos 1 y 2).

Gracias a la gestión del movimiento de mujeres y feminista y NO por el Ministerio de Salud –debería ser una de sus funciones- el viernes 2 de mayo, la nena de 13 años fue dada de alta tras acceder a la interrupción legal del embarazo con medicamentos de manera privada, la cual fue concluida en un hospital público, fuera del ámbito de la Provincia de Buenos Aires, sin haberse detectado complicación alguna durante la práctica.

Yo soy de quienes creen que una mujer embarazada que no quiere estar embarazada es razón suficiente para abortar. Esto no está en el código penal y por eso debe seguir en debate, pero los casos que ya están amparados por la ley no deberían debatirse más. Mariana Dunayevich infringió la ley y debe ser condenada. Y creo fervientemente que lo traumático para la mujer no se encuentra en la práctica del aborto. Debemos dejar de hablar del aborto en esos términos. Lo traumático es no poder decidir sobre nuestros propios cuerpos, no ser dueñas de nuestra propia vida, eso es traumático. Que un tercero se apropie de nuestra integridad y nos prive de nuestra voluntad, nos prive de nuestra libertad de elegir lo que queremos que pase en nuestro cuerpo. Eso es traumático. Y por esto una violación es traumática. Y que nos obliguen a continuar durante 9 meses un embarazo y parir es traumático también.