Que horas ela volta?: Com medo de Jéssica

Há quem ache Jéssica arrogante e há quem ache maravilhosa. Dependendo do que você acha da Jéssica fica claro em quem você vota.

cartaz que horas ela volta

Conhecendo a servidão da mãe como empregada doméstica

Conhecendo a servidão da mãe como empregada doméstica

servidão

Na piscina de uso exclusivo dos patões da mãe

Na piscina de uso exclusivo dos patões da mãe

patrão

O patrão da mãe todo prestativo e generoso

O patrão da mãe todo prestativo e generoso

Sem teto, moradora de favela em São Paulo

Sem teto, moradora de favela em São Paulo

por Léa Maria Aarão Reis

O filme de Anna Muylaert mobiliza e provoca furor. Até a semana passada, 250 mil espectadores assistiram a saga da doméstica Val e da sua filha Jéssica. Oitenta mil deles apenas num fim de semana. Isto faz Que Horas Ela Volta? aprumar-se para chegar perto da bilheteria dos blockbusters americanos feitos de boçalidade e de músculos. Escolhido para representar o Brasil na competição de Oscar de melhor filme estrangeiro da edição de 2016, sua carreira reafirma o trabalho da cineasta paulista como autora de bons filmes: o premiado Durval Discos, É proibido fumar, Chamada a cobrar e, sobretudo, como corroteirista do excelente O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer.

Qual a explicação para o sucesso, para a explosão do filme da Anna – nos festivais estrangeiros e nas principais cidades do país -, além da narrativa relatada com talento, e de contar com a experiente atriz Regina Casé fazendo com brilho e garra a empregada doméstica nordestina que trabalha para a alta classe média paulistana? Uma personagem emblemática, mas tão ‘banal’ e pouco original?

Simples: com habilidade, Anna toca num nervo infeccionado, até então camuflado, da classe média brasileira. Seu filme expõe e escancara a hierarquização feroz das classes no Brasil dentro da intimidade dos grupos familiares. Uma situação inspirada na sua própria experiência, quando, em certa época, ela precisou contratar uma babá para ajudá-la a cuidar dos filhos então pequenos. Sem esse suporte não poderia continuar trabalhando por um bom tempo. Esta é a origem do roteiro que criou.

Da figura da babá, resquício da escravatura, à empregada doméstica modelo nacional, um outro entulho largado no caminho pela escravidão no país, foi um pequeno passo para expandir o argumento. Sem o trabalho das outras milhares de Vals existentes neste país, sejam elas babás, diaristas ou moradoras em um quarto infecto, na casa dos patrões, a família burguesa brasileira emperra e não funciona. A dependência dos patrões é absoluta – até para o mínimo gesto de levantar da cadeira e ir à geladeira para se servir de um copo de água. É isto que Anna mostra serenamente, com simplicidade. E a dependência estampada no espelho que é a telona deixa a plateia burguesa nervosa.

Não surpreende que algumas mulheres, nas sessões de cinemas de zonas ditas nobres das grandes cidades, cheguem a se levantar, revoltadas, para ir embora, como já ocorreu, no meio da exibição.

Mas Muylaert vai além e introduz outro elemento definitivamente perturbador na história: a filha Jéssica, que, pequena, foi deixada pela mãe no Nordeste quando Val parte para trabalhar e sobreviver como doméstica em São Paulo. Agora, já mocinha, Jéssica chega para prestar vestibular para a faculdade de Arquitetura (escândalo!) na capital paulista e é hospedada na opulenta casa dos patrões, no quartinho minúsculo e abafado onde vive sua mãe. “Uma casa meio modernista!”, se deslumbra a futura arquiteta quando percorre a mansão. Ao chegar, a menina “subverte todas as regras”, como observa a cineasta.

Acaba instalada no confortável quarto de hóspedes para desespero da patroa, mergulha na piscina na companhia do filho da casa, também ele um vestibulando, e, a transgressão mais grave: come o sorvete da marca fina e cara, mas destinada aos patrões. O sorvete barato é reservado aos empregados.

Camila Márdila, de 26 anos, vinda de Tabatinga, na periferia de Brasília, é a jovem atriz que defende bem o personagem da filha de Val neste que é o seu segundo filme.

Com a a introdução – ou intromissão – no universo burguês, Jéssica desequilibra a ‘harmonia’ da casa, expõe o nervo podre disfarçado e estabelece uma nova equação familiar como ocorre no célebre filme Teorema, de Pier Paolo Pasolini. “Na cabeça dela,” acrescenta Muylaert, “aquelas regras não significam nada. Mas há quem ache Jéssica arrogante e há quem ache maravilhosa. Dependendo do que você acha da Jéssica fica claro em quem você vota.”

Bingo para Muylaert. Jéssica representa o Brasil novo que começou a ser parido há 12 anos por um governo progressista. Jéssica é a mudança, é o país em que porteiro embarca no avião e senta ao lado da madama no aeroporto. E madama agora é obrigada a cumprir a PEC 72 em vias de entrar em vigor na sua integralidade, e pagar direitos trabalhistas às mulheres que nunca mais serão semiescravas.

Jéssica é o Brasil que, obsessivamente, mesmo sem ainda plena consciência do fato, procura dirimir as diferenças de classe para se tornar um lugar mais igualitário, menos injusto e hipócrita. Mais do que raiva, ódio e menosprezo, os que se encontram instalados no topo da pirâmide sentem é medo de Jéssica. Ela é o ‘anjo’ do Teorema, de Pasolini, que vem anunciar os tempos e os arranjos novos. Um alerta para o início do fim da era da submissão.

O recado do Que Horas ela Volta? é singelo e firme apesar do seu final entreaberto: para a frente nada será como antes. Aconteça o que tiver que suceder, convém lembrar-se do clichê que, no caso, aqui cai como uma luva. A pasta de dentes que saiu do tubo nunca mais caberá dentro dele.

Dia Mundial do Orgasmo, Festa de Rico

No Dia Mundial do Orgasmo, dia 3l de julho, comemorado sexta-feira última, pelas elites, marajás e Marias Candelária, o portal da Editora Degustar transcreveu:

“O orgasmo é o momento de maior prazer sexual que uma pessoa tem durante o sexo, ou ainda durante a masturbação. Ele pode ser experimentado tanto por mulheres como também por homens, e dura apenas alguns segundos.

Algumas redes de sex shops da Inglaterra criaram informalmente o Dia Mundial do Orgasmo. Estes estabelecimentos realizaram pesquisas com o público, onde foi revelado que 80% das mulheres inglesas não atingem o clímax durante o sexo.

O Dia Mundial do Orgasmo é comemorado em 31 de julho em diversos países. No Brasil, por exemplo, 30% das mulheres confessaram não ter orgasmos, 35% que têm alguma dificuldade de sentir desejo e 21%, que sentem dor na relação sexual. Claro que esses não são números isolados. A mesma mulher pode manifestar os três sintomas simultaneamente e isso perfaz 49%, mas aproveitando a data comemorativa, pensar na intimidade e suas potencialidades para a busca do prazer pode ser uma boa pedida.”

(Fonte: Dra. Carmita Abdo é médica, professora de psiquiatria e coordenadora geral do ProSex, Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo)

orgasmo

O orgasmo depende de tempo. O trabalhador brasileiro, terceirizado, não tem tempo para descanso, lazer, para cuidar das crias. Trabalha oito, dez horas por dia. Gasta horas preso dentro de um ônibus para ir trabalhar e voltar para a casa miserável, que reside no cu do mundo.

A famosa rapidinha, uma vez por semana, ou a cada mês, não faz ninguém feliz. Trepa bem quem tem tempo, dinheiro e saúde.
Uma deputada constituinte governista no Equador propôs que o direito das mulheres à felicidade sexual seja garantido pela lei do país. A questão não é criar uma lei do orgasmo.

Com o rasga da CLT, o trabalhador brasileiro tem vida de escravo.
Nas senzalas existia o negro reprodutor. O trabalho dele era fazer menino. Não pegava no pesado. Pegava sim as meninas virgens prontas para procriar. O tempo dele era maneiro

Escreve Walter Passos: “O reprodutor, sempre um escravizado forte e de boa saúde era tratado diferentemente da escravaria. Não realizava trabalho pesado, era bem alimentado e dispunha de muitas horas para o descanso. Era o mais cobiçado e valioso”.

reprodutor

– Você não sentia pena das escravas?
João olha-me como se eu fosse alguém tão distante da escravidão, que não consegue entender o mundo das senzalas.
– Por que ia sentir? Nos tava lá para isso, para reproduzir. O fazendeiro precisava de negrinho pra levar na feira.

– O barão de Guaraciaba deixava descendentes dele serem vendidos em feiras?
– Não fui reprodutor na fazenda do meu avô. Saí de lá com dezessete anos: meu pai me deu pra dom Pedro II e fui morar em Petrópolis. Quando tinha 23 anos, dom Pedro II me presenteou ao barão do Rio Branco. Fui morar na Fazenda dos Correia, do barão do Rio Branco, também em Petrópolis. Foi lá que comecei o trabalho de reprodutor.

– Você disse que as escravas ficavam trancadas com você durante um mês. E depois?
– Depois que tavam enxertadas, iam trabalhar: umas na roça, outras na cozinha, em qualquer serviço.

– E você?
– O fazendeiro me mandava tomar um pouco de ar. Eles era branco, mas era bom.

J. M. Rugendas, Escravos numa fazenda

J. M. Rugendas, Escravos numa fazenda

O salário mínimo do Brasil do ano 2015 trabalha mais que um escravo antes da Lei dos Sexagenários (1885)?

O escravo era uma peça cara, cujo desgaste, doença ou morte custava caro para o dono.

Quanto vale, para o patronato, um trabalhador hoje?

Quem tinha mais tempo livre para o amor, o trabalhador escravo ou o trabalhador terceirizado?

Llegó el día. El pueblo griego decide sobre su futuro: Dignidad o sometimiento

por Kaos

referendo2

El “sí” y el “no” están prácticamente empatados, con una diferencia de décimas. Según una encuesta del instituto demoscópico Public Issue para el diario Avgi, el 43 % de los griegos respalda el ‘no’ y el 42,5 % apoya el ‘sí’. El total de indecisos ronda el 9 %. Un resultado similar, aunque con una ligera ventaja del ‘sí’ lo da la empresa Alco para el diario Proto Thema, con un 41,7 % que apoya la propuesta de acuerdo y el 41,1 % que la rechaza. En esta encuesta, un 10,7 % se declara indeciso. El primer ministro Alexis Tsipras llamó hoy a los griegos y griegas a ignorar “los chantajes” y votar en el referendo del domingo por el “no”.

Por otra parte se ha recibido el último viernes una inesperada y extraordinaria ayuda política del Fondo Monetario Internacional (FMI) que, en un detallado informe sobre la situación económica del país heleno, admitió que la deuda externa de 300.000 millones de euros es impagable y requiere de una nueva reestructuración.

Concretamente: Hubo una sorpresiva oferta del FMI a Grecia en vísperas del referéndum, con oferta de quita de deuda del 30 por ciento.

El organismo multilateral de crédito ha dicho que Grecia necesitará una nueva ayuda financiera de 60.000 millones de euros en los próximos tres años, al tiempo que pidió que Europa garantice un alivio de la deuda de Atenas, ampliando de 20 a 40 años el pago de los vencimientos previstos.

Si bien el Fondo culpa a Syriza y a Tsipras de haber conducido a su país a la histórica crisis en la que se debate en estas horas, el documento producido por sus técnicos y emitido por el organismo de manera oficial podía ser una señal de diferencias al interior del propio FMI y de una parte de éste con los acreedores.

El informe precisa que incluso antes de la ruptura sancionada esta semana por Atenas al convocar el referendum, Grecia necesita 29.300 millones de euros, que deberían ser provistos por sus propios acreedores, para hacer frente a los vencimientos de deuda de los 12 meses a contar desde octubre próximo.

En cualquier caso, la publicación del texto en la página web oficial del FMI revela una iniciativa política que tiene la mira puesta en el día siguiente de la celebración del referéndum, o sea el próximo lunes, y que parecería apuntar en el mismo sentido que las advertencias del presidente estadounidense, Barack Obama, quien ha insistido la semana pasada en la necesidad ineludible de arribar a un acuerdo urgente con Grecia.

Evidentemente, Alemania, con su canciller, Angela Merkel, a la cabeza de la Eurozona y de la Unión Europea, rechaza cualquier tipo de renegociación con Atenas que contemple aceptar una reestructuración de la deuda si Tsipras no accede a cumplir a rajatabla con la imposición del programa de austeridad propuesto por sus acreedores.

Políticamente, esto significa un cambio del gobierno griego, es decir, un desplazamiento de Syriza del poder y su reemplazo por una nueva coalición que acepte sin remilgos los términos del rescate que venció el último día de junio y que supone continuar y profundizar las privatizaciones, recortar pensiones, liberalizar aún más el mercado de trabajo y proceder a recortes en profundidad en los gastos sociales del Estado.

La negativa a aplicar semejante carnicería económico-social fue lo que llevó a Tsipras a apelar al mecanismo del referéndum para evitar la ruptura entre las alas izquierdista y moderada de Syriza, que hubiera provocado la pérdida de la mayoría parlamentaria y con ello la caída de su gobierno.
Pero al “Sí” que propugna la derecha en el referéndum y que significa aceptar dicho plan, Tsipras ha opuesto un “No” no para romper con la Eurozona sino para reforzar su posición y replantear la negociación con las huestes acreedoras comandadas por Merkel.

La orientación de Tsipras, hasta el momento, parece más una ilusión que una idea con asidero en la realidad de las fuerzas en pugna, ya que Grecia y su gobierno están con la soga al cuello pues tras no pagar el vencimiento de 1.500 millones al FMI el martes pasado, el funcionamiento del sistema bancario y la provisión de liquidez están al borde del abismo.

El “corralito” y el cierre de los bancos hasta después del referéndum, una medida de control de cambios, fue tomada por el gobierno contra su voluntad y debido a la negativa del BCE, por orden de Berlín, de congelar el monto de las líneas de asistencia de liquidez a las entidades financieras griegas, una medida diseñada para obligar a Syriza y Grecia a rendirse ante los acreedores.

Alemania es junto a Francia y a la mayoría de los países de la UE acreedora de 160.000 millones de euros. No acepta perder dinero y, mucho menos, arriesgarse a que otros países deudores como Italia, España, Portugal o Irlanda, sean tentados a seguir el mismo camino de rebeldía que los helenos.
Pero el estallido político de la crisis de la deuda de Grecia ya no es una cuestión nacional sino europea. Si Atenas se adentra en una catástrofe económica y también política, Europa ya ha entrado en una crisis política tras el llamado al referéndum.

Canções de exílio de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu

Canção do Exílio
por Gonçalves Dias

.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorgeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar, sozinho, à noite
mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá

Não permita Deus que eu morra.
Sem que volte para lá
Sem que desfrute dos primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

sabia

Minha Terra
por Casimiro de Abreu

.

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.
Gonçalves Dias

Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la minha rainha;
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.
Correi pras bandas do sul:
Debaixo dum céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil;
— É uma terra de amores
Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de Abril.
Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal.
Que nem as sonha um poeta
E nem as canta um mortal!
— É uma terra encantada
— Mimoso jardim de fada —
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.
Não, não tem, que Deus fadou-a
Dentre todas — a primeira:
Deu-lhe esses campos bordados,
Deu-lhe os leques das palmeiras.
E a borboleta que adeja.
Sobre as flores que ela beija.
Quando o vento rumoreja
Nas folhagens da mangueira.
É um país majestoso
Essa terra de Tupã,
Desd’o Amazonas ao Prata,
Do Rio Grande ao Pará!
— Tem serranias gigantes
E tem bosques verdejantes
Que repetem incessantes
Os cantos do sabiá.

BRASIL Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio?

BRASIL
por Cazuza (*)

.

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer “sim, sim”

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)

(*) Composição com a parceria de Nilo Roméro e George Israel

 

Brasil calle

O GRITO
por Talis Andrade

 .

Cazuza via
além do tempo
além das máscaras
as artimanhas dos vendedores de espaço
no pássaro de aço
dos vendedores de ilusões
nos jardins de Tântalo
Cazuza ouvia o tintilar dos ossos
das caveiras no baile da Ilha Fiscal
Cazuza sentia o cheiro da corrompida carne
de um país ferido nas entranhas
Um triste Brasil que esconde a cara

Cazuza via além dos corpos
dos governantes que bebem e comem
nos palácios em forma de concha
Cazuza via os cortejos fúnebres
dobrando as esquinas iluminadas
pelas velas em intenção das almas

Cazuza via além do tempo
e da carne viva dos jovens
Que toda carne à luz azul
e negra das boates
mal esconde a cor lívida
dos cadáveres
Daí a irreverência o risco
as canções os gestos
de escândalo e morte

Na carne dorida carne
Cazuza sofria por antecipação
o idêntico destino da tribo de tietes
A carne tremente dos infantes
a carne tremente e sangrenta das donzelas
exibida nas passarelas
mal esconde a cor lívida
dos cadáveres
plúmbea cor
dos que estão na mira do esqueleto
o esqueleto armado
de arco e flecha

 

“Novas formas de pobreza e fragilidade”

Combater a cultura da morte

 

 

 Cristian Topan

Cristian Topan

 

«Combater a cultura da morte», protegendo e amando a vida desde o seu início até ao seu fim natural. Com esta exortação, o Papa Francisco dirige-se aos católicos do Reino Unido e da Irlanda no domingo 27 de Julho, de celebração anual do Dia da Vida.

Numa mensagem assinada pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, o Pontífice convida as comunidades e em particular os jovens dos países destinatários — ingleses, escoceses, galeses e irlandeses — a trabalhar «para garantir uma tutela legal adequada do direito humano fundamental à vida». E para o fazer, esclarece citando a Evangelii gaudium, é preciso procurar «levar o amor misericordioso de Cristo como um bálsamo que dá vida», onde persistem «as preocupantes “novas formas de pobreza e fragilidade”, cada vez mais evidentes na sociedade contemporânea»

Estas novas formas de pobreza, infelizmente, não foram debatidas na campanha presidencial brasileira. Mas foi esse combate que decidiu o pleito, contra o retrocesso proposto pela dupla Aécio Neves e Armínio Fraga.

 

indignados pobreza itália 500 euros

 

CRISE MUNDIAL. A renda produzida pelo capital (os alugueis das propriedades, os rendimentos dos investimentos, por exemplo) se concentra no grupo mais reduzido de pessoas do que os ganhos fruto do trabalho, que estão dispersos entre toda a população

Por isso, quando os rendimentos do capital sobem mais rapidamente do que os do trabalho, ocorre um aumento da desigualdade, já que os donos do capital acumulam uma maior proporção da renda. E tendo em vista que o crescimento da renda gerado pelo trabalho depende muito da expansão da economia como um todo, se esta não cresce ao menos no mesmo ritmo que os lucros do capital, a desigualdade econômica se aprofunda.

Na Rússia, Nigéria, Brasil ou China, a desigualdade econômica também se  deve à existência de muitos ladrões no Governo e no setor privado que podem roubar com grande impunidade.

[No Brasil, governadores e empreiteiras, super, super faturaram as obras da Copa. Ninguém será punido. Que a justiça é tarda e falha]

 

indignados mais ricos mais pobres

A corrupção causa desigualdade?

Em alguns países, se deve à existência de muitos ladrões no Governo e no setor privado que podem roubar com grande impunidade

por Moisés Naím/ El País/ Espanha

 

De quem é a culpa de que a desigualdade econômica tenha aumentado tanto nos últimos tempos? Dos banqueiros, é a resposta óbvia para muitos. Segundo esta visão, o setor financeiro é o principal responsável pela crise econômica mundial que começou em 2008 e cujas consequências ainda são sofridas por milhões de desempregados e pela classe média que empobreceu, especialmente na Europa e nos EUA. Os que pensam assim também enfatizam que os banqueiros e especuladores financeiros que causaram a crise não pagaram preço nenhum e, pelo contrário, muitos deles agora estão mais ricos. Para outros, o aumento da desigualdade tem a ver com os míseros salários dos trabalhadores em países como China e Índia, cujas rendas empurram para baixo o rendimento dos trabalhadores no resto do mundo e geram desemprego, já que as empresas “exportam” postos de trabalho do Ocidente ao Oriente. Não; a tecnologia é a principal fonte de desigualdade, dizem outros. São os robôs, os computadores, a Internet e, em geral, todas as máquinas que substituem os trabalhadores que causam desemprego e desigualdade.

É mais complicado e profundo que tudo isso, argumenta Thomas Piketty, o economista cujo substancial livro O Capital no Século 21 (em tradução livre para o português) transformou-se num surpreendente êxito mundial. Segundo Piketty, o capital (que equivale a riqueza e esta, por sua vez, a propriedades imobiliárias, ativos financeiros etc.) costuma aumentar numa velocidade maior do que o tamanho da economia. A renda produzida pelo capital (os alugueis das propriedades, os rendimentos dos investimentos, por exemplo) se concentra no grupo mais reduzido de pessoas do que os ganhos fruto do trabalho, que estão dispersos entre toda a população. Por isso, quando os rendimentos do capital sobem mais rapidamente do que os do trabalho, ocorre um aumento da desigualdade, já que os donos do capital acumulam uma maior proporção da renda. E tendo em vista que o crescimento da renda gerado pelo trabalho depende muito da expansão da economia como um todo, se esta não cresce ao menos no mesmo ritmo que os lucros do capital, a desigualdade econômica se aprofunda. Piketty resume esta explicação complicada assim: quando r>g, a desigualdade aumenta; r é a remuneração do capital e g a taxa de crescimento da economia. Segundo ele, a longo prazo a economia crescerá em média entre 1% e 1,5% ao ano, e a média do retorno ao capital subirá a uma taxa anual de 4% a 5%, o que tende a aumentar a desigualdade. Para evitar isso, Piketty recomenda um imposto global e progressivo sobre a riqueza, ideia que ele mesmo reconhece um pouco utópica, já que enfrentaria enormes obstáculos políticos e grandes dificuldades práticas.

A análise e as propostas de Piketty estão sendo amplamente debatidas, e este debate acaba de ampliar-se depois que o Financial Times questionou os dados nos quais o livro está baseado. Mas, como escrevi em minha coluna anterior, o inusitado interesse pelas ideias de Piketty se deve em grande medida ao fato de que a desigualdade tenha se tornado uma grande preocupação nos EUA. E este país tem uma capacidade única para contagiar o mundo com suas angústias. Assim, nações onde a desigualdade tem sido uma praga crônica, sem que isso despertasse grandes debates, agora foram contagiadas pelo fenômeno Piketty, o que é uma boa notícia. É importante que nesses países desapareça a complacência com as profundas desigualdades que os afligem. Mas é igualmente importante ter o diagnóstico claro. Na Rússia, Nigéria, Brasil ou China, a desigualdade econômica não é causada principalmente por r>g. Se deve à existência de muitos ladrões no Governo e no setor privado que podem roubar com grande impunidade. Parafraseando Piketty, nas sociedades onde c>h a desigualdade continuará aumentando: c é o número de funcionários públicos, líderes políticos e empresários corruptos dispostos a violar as leis para se enriquecer e h é o número de funcionários e políticos honrados. A desigualdade floresce em sociedades onde não há sistemas de incentivos, regras e instituições para que a corrupção não dependa somente de ter gente honesta no Governo, mas que também contam com maneiras de fazer com que o desvio de dinheiro público ou a venda de decisões do Governo a quem dá mais sejam condutas identificadas e punidas.

Piketty baseia sua análise em dados de cerca de 20 países, a maioria com renda elevada e com os menores índices de corrupção, de acordo com a lista de 177 nações compilada pela Transparência Internacional. Infelizmente, a maioria da humanidade vive em países onde o normal é c>h. E nesses lugares a falta de honestidade dos governantes e de seus aliados é uma importante fonte de desigualdade econômica.

 

justiça mãe ricos

Concentración de la riqueza. El libro El capital en el siglo XXI de Thomas Piketty

Por Bruno Susani

o efeito

Thomas Piketty, profesor de la Ecole d’Economie de Paris, acaba de publicar un libro importante sobre la desigualdad en la distribución del ingreso. Le Capital au XXIème Siècle, Ed. Le Seuil, 2013, apareció hace dos semanas en los Estados Unidos bajo el mismo título, Capital in the Twenty-First Century, Harvard, University Press, 2014. Paul Krugman señaló que esta obra cambiaba completamente la forma de abordar el problema de las desigualdades del ingreso en la teoría económica. La gran editorial universitaria de los Estados Unidos, que habitualmente brilla por la circunspección de las carátulas, cedió a la tentación e inscribió la primera palabra del titulo, “Capital”, en letras rojas y enormes que recordaban otro libro famoso.

Comencemos, ante todo, rindiendo homenaje al autor, ya que este libro de más de mil páginas en la edición francesa, 696 en la versión inglesa, con 160 gráficos y cuadros estadísticos es un libro de consulta, un trabajo gigantesco de compilación y tratamiento de datos sobre la distribución del ingreso en las economías de 26 países, de lo que resulta una suma estadística, una obra monumental antes que un best-seller. Thomas Piketty es, en la actualidad, el economista francés más prestigioso. Fue recibido el 15 de abril en la Casa Blanca, por el Council of Economic Advisers del presidente Barack Obama, y por el secretario del Tesoro de los Estados Unidos, Jack Lew. Al día siguiente, el autor participó en el Graduate Center en un debate en Internet (economistsview.type pad.com) y el sitio Amazon y The New York Times lo ubicaron, el 26 de abril de 2014, en el “top” de las ventas, con 60.000 ejemplares, bastante más que Games of Thrones.

En términos teóricos, recordemos que Simon Kuznets, Premio Nobel en 1971, uno de los padres, a la vez, de la introducción de la estadística en economía y de las cuentas nacionales, había observado en su libro Economic Growth and structure, que en los Estados Unidos, y en los países más industrializados de Europa durante la primera mitad del siglo, la parte del producto bruto captada por el último decil –el 10 por ciento de la población que gana más– había sensiblemente disminuido a partir de 1914. Piketty muestra en su libro que a partir de 1980, se observa un incremento de la parte del ingreso captado por ese sector de la población y que sobre el siglo que va desde 1914 al 2012, la parte del ingreso del 10 por ciento que gana más tiene una forma de U, baja entre 1914 y 1980 y vuelve a aumentar a partir de esa fecha.

En la primera fase la disminución de la parte del ingreso percibida por el 10 por ciento de los que ganan más no había, sin embargo, modificado un parámetro esencial: que el ahorro y la inversión eran realizados, como lo señaló Kuznets, solamente por el 5 por ciento más rico de la población. Eso hacía que la mejora de la distribución del ingreso, una disminución del coeficiente de Gini, no impidiera que hubiera una continuidad en la concentración del patrimonio en el sector más rico de la sociedad. Piketty muestra en este sentido que después de los años ’80, la parte del ingreso total que obtiene este sector, como así también el patrimonio, se ha incrementado, gracias a la disminución de los impuestos directos –vale decir, al ingreso– y a los derechos sucesorios. Es muy probable que dicha evolución haya sido similar en Argentina; que la parte del ingreso global obtenido por el 10 por ciento de los argentinos que ganan más, luego de disminuir durante el gobierno peronista, haya vuelto a incrementarse después del golpe cívico-militar de 1976, volviendo así a recuperar varios –quizás una decena– puntos porcentuales que había perdido durante el gobierno peronista.

La tesis

piketty

Piketty muestra y recuerda a los norteamericanos que los Golden Sixties fueron los años en los cuales las desigualdades sociales de patrimonio y de ingresos eran menos importantes que lo que son hoy. Si la parte del ingreso nacional que recibe el 10 por ciento que gana más bajó a partir de los años ’30, fue el resultado de la crisis y de las leyes rooseveltianas sobre los impuestos a la herencia y a las ganancias, cuando la tasa marginal de este último llegaba al 91 por ciento. Los editorialistas económicos ortodoxos de Buenos Aires lo considerarían hoy “confiscatorio”, lo cual conviene recordar es también la narrativa de la ultraderecha norteamericana, la cual parece gozar de una gran simpatía en las elites modernas y “democráticas” argentinas. Pero está bastante claro que en la Argentina si los medios hablan mucho de la pobreza es porque no desean hablar de la concentración de la riqueza ya que, obviamente, si hay muchos pobres es porque los ricos lo son demasiado. Si el libro del iniquity gurú ha tenido ese éxito en los Estados Unidos es justamente porque los norteamericanos comienzan a comprender que los homeless no surgen de la nada.

Los análisis realizados por Piketty y Emmanuel Sáez, profesor de la Universidad de Berkeley, muestran que las desigualdades no sólo se manifiestan en los ingresos cada vez más elevados del 10 por ciento que gana más, pero llegan a niveles escandalosos en el “top 1 por ciento”, el 1 por ciento formado por directivos de empresas y bancos que ganan fortunas.

La existencia de estos ingresos estrafalarios plantea interrogantes importantes a los economistas que van más allá de los debates emblemáticos sobre la justicia en una democracia. En primer lugar, surge el interrogante sobre la vigencia de las instituciones políticas democráticas, ya que éstas pueden verse alteradas y envilecidas por el dinero y el poder que éste otorga y así dejen de poseer su rol estabilizador. En segundo lugar, la concentración de la riqueza limita el crecimiento económico y de los ingresos, son un freno al crecimiento económico en la medida en que éste está asociado a una distribución del ingreso que permita la expresión de una demanda elevada.

La vulgata liberal justifica la existencia los altos niveles de ingresos de por lo menos dos maneras: por un lado, sostiene que los sueldos exorbitantes que se asignan a sí mismos los CEO de las grandes empresas y de los bancos son una remuneración normal habida cuenta de sus capacidades para dirigirlos, ya que logran los mejores resultados para los accionistas. Pero los estudios realizados no permiten ratificar este aserto y muestran que, muy a menudo, ocurre lo contrario. La crisis financiera de 2008 lo ha demostrado ampliamente. En segundo lugar, se sostiene que las altas ganancias de las empresas y las remuneraciones de los accionistas y de los dirigentes permiten invertir e incrementar la producción y el empleo y que, en última instancia, favorecen al conjunto de la sociedad. Esta es la justificación del capitalismo, pero la historia reciente muestra que tampoco es así. Las tasas de crecimiento en los países industriales son más bajas en el período post-1980 que aquéllas de la década de los años 1960, cuando la distribución del ingreso era menos injusta, lo cual muestra que las performances del capitalismo tienen poco que ver con las remuneraciones de los dirigentes y los accionistas o con una distribución muy desigual del ingreso.

La injusticia social genera ganadores, los que son los favorecidos, y perdedores, los que la padecen. Las desigualdades siderales en la distribución del ingreso pueden ser a veces condenadas porque son moralmente injustificables y es normal que la gente de buena voluntad se indigne frente a ellas, que generan a menudo situaciones atroces. Sin embargo, la condena moral de aquellos a quienes esto beneficia no es suficiente, ya que la teoría económica ortodoxa afirma que la distribución del ingreso es el resultado del “libre juego de las fuerzas del mercado” y que ésta es, siempre, la más adecuada y además la única solución eficiente y óptima, puesto que asegura el pleno empleo de los factores. Argumento que permite a los editorialistas económicos de los medios sugerir que las desigualdades son el precio que una parte de la sociedad (los pobres) debe pagar para asegurar una mayor eficiencia que favorece al conjunto de la misma.

Keynes demostró que este postulado es falso, puesto que el equilibrio existía en múltiples casos en los que hay factores de producción desempleados y que era más común encontrar los múltiples casos de equilibrios con desempleo que un equilibrio con pleno empleo. Evidentemente, la injusticia social no es una condición para la eficacia económica sino todo lo contrario.

La tesis de Piketty es que, actualmente, en Estados Unidos y en los países europeos, en materia de distribución del ingreso, una parte significativa de los salarios va a los detentores del capital y su tendencia no sigue, como lo afirma la teoría ortodoxa, la evolución de la productividad del trabajo.

Existe una relación evidente, que raramente es enseñada a los alumnos de la licenciatura en economía, que es bastante simple. Los agentes económicos que tienen los mayores ingresos poseen además los patrimonios más importantes. Piketty muestra en su libro que la concentración de los ingresos en estos últimos años está acompañada por una concentración de los patrimonios.

Si se analizara el caso argentino con la metodología de Piketty-Sáez, esto explicaría una parte del estancamiento económico argentino en las décadas de los ’80 y los ’90. Actualmente, en Argentina, con un PIB de alrededor de 500 mil millones de dólares y un patrimonio global que incluye las fábricas, los haberes en dólares, las cuentas corrientes en Argentina y en el extranjero, joyas, activos financieros, parque inmobiliario, la tierra, las maquinarias, etc., se puede estimar en 1,5 billones de dólares. Para que el 10 por ciento más rico obtenga el 30 por ciento del PIB, como aparece en la encuesta de hogares, la tasa de rendimiento del patrimonio tiene que ser del 10 por ciento, lo cual es una enormidad. Como lo señala Piketty, en los países industriales el crecimiento del patrimonio del 10 por ciento de los que ganan más es espectacular, pero no así el crecimiento económico. Vale decir que una parte significativa de estos ingresos excesivos no son invertidos sino esterilizados en gastos suntuarios o en bienes no directamente productivos. El autor sostiene que esto último es una indicación de que se ha salido de un capitalismo empresarial que produjo el extraordinario crecimiento económico durante el siglo XX y estamos entrando en una suerte de capitalismo patrimonial que recuerda aquel del siglo XIX.

La desigualdad

El incremento de la concentración del ingreso en el 10 por ciento que gana más y la tendencia a la concentración patrimonial tienen una gran importancia en la evolución económica, que había sido ya señalada por Harrod cuando formuló, en 1948, el primer modelo de crecimiento económico. El modelo, llamado del “filo de la navaja”, debía su nombre a la inestabilidad provocada por las variaciones de la demanda efectiva que, como lo explicaba Keynes, tiene que ver con la concentración del ingreso. Los que ganan más ahorran más y un exceso de ahorro, al que se le agregan expectativas negativas de la inversión, conduce a la caída de la demanda. En teoría económica pura, bajo ciertas condiciones e hipótesis, la evolución económica se puede describir a través de la igualdad g=r, donde g es la tasa de crecimiento y r la tasa de crecimiento del capital en el sentido indicado como conjunto del patrimonio. Piketty sostiene que esta igualdad ya no se verifica, ya que actualmente g < r, lo cual quiere decir que la tasa de crecimiento es inferior al incremento del capital, o dicho de otra manera, que el incremento patrimonial no es utilizado para incrementar la inversión productiva. Esto es bien conocido en Argentina, donde una parte de las ganancias del 10 por ciento que gana más se “evapora”, ya que es expatriada o guardada en dólares, pero no invertida para incrementar el acerbo del capital productivo. Pero eso es una vieja manía de las clases poseedoras del patrimonio en este país.

Permanecer, caminhar, alegrar-se: palavras de ordem do Papa Francisco

Três verbos como orientação no caminho da vida: permanecer, caminhar, alegrar-se. Esta a proposta feita hoje pelo Papa Francisco a milhares de membros da Ação Católica Italiana, num efusivo encontro neste sábado, no Vaticano, na conclusão da 15.a Assembleia nacional que decorreu desde 30 de abril, tendo como tema “Pessoas novas em Cristo Jesus, corresponsáveis da alegria de viver”.
Primeiro verbo proposto pelo Papa: permanecer. “Convido-vos a permanecer com Jesus, a gozar da sua companhia. Para serdes anunciadores e testemunhas de Cristo, ocorre antes de mais permanecerdes perto d’Ele”.
Segundo verbo: caminhar. “Caminhar pelos caminhos das vossas cidades e aldeias e anunciar que Deus é Pai”. Encontrar o homem onde quer que se encontre, ali onde ele sofre e espera, escutando as suas verdadeiras interrogações, os desejos do seu coração.
Finalmente, alegrar-se, rejubilar. “Exultar sempre no Senhor! Ser pessoas que cantam a vida, que cantam a fé, pessoas capazes de reconhecer os próprios talentos e os limites, e de ver, mesmo nos dias mais sombrios, os sinais da presença do Senhor”.E o Papa contextualizou: “No atual contexto social e eclesial, vocês, leigos da Ação Católica, são chamados a renovar a ação missionária, aberta aos horizontes que o Espírito indica à Igreja, como expressão de uma nova juventude do apostolado laical. As paróquias precisam do seu entusiasmo apostólico, da sua plena disponibilidade e do seu serviço criativo”.

 

Isto significa, explicou o Pontífice, assumir o dinamismo missionário para que atinja a todos, sobretudo os que estão mais distantes e os mais fracos, esquecidos pela sociedade. Trata-se de abrir as portas para deixar Jesus sair pelas ruas.

 

 

Violência em silêncio

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Deitados às cinzas das sombras dos prédios.
Sob a punição de seus medos
No relento do descaso
Onde as ruas são seus laços
Suas identidades desfeitas por cédulas de abandono
Aprisionados na dor da violência
De devassos governantes com viseiras do poder
Violência da alma, da mente
Não há armas
Apenas corpos sedentes
Do amor, do calor
Cansados da ausência do ser
Sufocados pela presença do ter
Na foto vejo um pouco de mim
e vejo um pouco de você.

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FOTO: Weslei Barba – Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Ariana Lackshmi – Fotógrafos Ativistas

AUDIODESCRIÇÃO: Dois moradores de rua estão próximos a um monumento localizado na região da Sé. Um deles está sentado com a mão no rosto e o outro está deitado. No fundo, há alguns prédios antigos. Foto em preto e branco.

fotografia violência