Troféu de escravidão contemporânea

Trabalho Escravo Terceirizado? ‘Não-Era-Comigo!’

por Rodrigo Trindade de Souza[1]

Recentemente, houve mais um flagrante de trabalho escravo em confecção paulista contratada por marca de roupas chiques. Dessa vez, cinco bolivianos foram resgatados. Ali, todos – incluindo menina de 14 anos – trabalhavam mais de 12 horas diárias e viviam em condições degradantes, “situação famélica”, resumiu um dos fiscais.

As “estórias” já são antigas, se repetem e não têm nada de bonito. Costumam ser pequenas empresas terceirizadas que chamam homens e mulheres de baixa instrução e praticam diversas ilegalidades para poder oferecer preços menores.

Mas há outra reincidência – a da justificativa. Em nota, a contratante afirmou que “a empresa cumpre regularmente todas as normas do ordenamento jurídico “. Ou seja, é culpa da terceirizada, não via, não fiscalizava, “não-era-comigo”.

A desculpa também não é nova. Podia citar Pilatus, mas pulemos vinte séculos. Em Nuremberg, os nazistas falaram coisas parecidas: matança industrial de gente não era bem o meu setor, nunca perguntei sobre os vagões, “não-era-comigo”. Nos atuais processos de corrupção, donos de empreiteiras adoram dizer que eram gerentes irresponsáveis os molhadores de mãos, “não-era-comigo”.

É contigo, sim.

Terceirização inconsequente não é necessidade irresistível de quem se dispõe à sofrida tarefa de ser empresário. Terceirizar é opção administrativa semilegalizada que, essencialmente, serve para melhorar rentabilidade. Muito bem querer aumentar o lucro, mas pensemos em meios mais saudáveis.

Serviço terceirizado paga salários inferiores, produz muito mais acidentes, inclusive com óbitos, e gera imensidão de processos trabalhistas. Isso sem falar no troféu de escravidão contemporânea.

Hora de assumir o risco de ter dedinhos decepados e infâncias reduzidas como itens das etiquetas. Também aceite precarização de direitos, abarrotamento do Judiciário e amplo inadimplemento de dívidas trabalhistas no objeto social. Isso tudo, sem falar no troféu da exploração de escravos contemporâneos.

Apenas não diga “não-era-comigo”.

____________________________
[1] Professor e Presidente da AMATRA IV – Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 4ª Região.

Anúncios

EUA apoiam indiretamente o impeachment de Dilma

“Não se trata de um golpe militar, mas de um golpe institucional, cujo instrumento principal é o Judiciário, através da Operação Lava-Jato, que é dirigida por um juiz que estudou e foi treinado nos EUA, o Juiz Sérgio Moro, com a cumplicidade do Supremo Tribunal Federal, que o deixa fazer o que bem entende”.

 

 

O sociólogo Júlio Turra, diretor-executivo da CUT – Central Única dos Trabalhadores, concedeu entrevista à emissora de TV Telesur, da Venezuela, em que acusou os EUA de apoiar, indiretamente, o que considera golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff. Transcrito do Pátria Latina

Para Júlio Turra, que confirmou para a Sputnik Brasil os termos de sua entrevista à emissora venezuelana, a presença dos EUA por trás das articulações que levaram à votação do pedido de impeachment no domingo, 17, começou a se tornar visível a partir das denúncias do ex-técnico de informações da NSA, Edward Snowden, de que a Agência de Segurança Nacional vinha espionando a Presidenta Dilma Rousseff, seus ministros e pessoas próximas a ela, além de grandes empresas brasileiras como a Petrobras.

Turra disse ainda que o apoio dos EUA ao que chama de golpe ocorre de forma indireta, porém deixando claro que interessa ao país o enfraquecimento de uma grande empresa como a Petrobras e que à frente do Governo estejam políticos que não sigam orientação de esquerda.O diretor-executivo da CUT também confirmou que na sexta-feira, no sábado e no domingo (os três dias da sessão da Câmara sobre o impeachment) a entidade participará de várias manifestações em todo o país, garantindo apoio e solidariedade a Dilma.

Júlio Turra reitera que a participação dos EUA na tentativa de impedimento de Dilma Rousseff “é um apoio discreto, um apoio por trás das coxias, mas que se evidencia numa série de atitudes do Governo norte-americano”.

“Recentemente, Barack Obama visitou Buenos Aires e fez questão de dar uma declaração sobre o Brasil, dizendo que tinha confiança nas instituições para resolver a crise, ao mesmo tempo em que elogiava o Macri como modelo para toda a América do Sul – Mauricio Macri, então recém-eleito presidente da Argentina contra o candidato [Daniel Scioli] de Cristina Kirchner. Considerando que o golpe no Brasil é um golpe, entre aspas, institucional – não se trata de um golpe militar, mas de um golpe institucional, cujo instrumento principal é o Judiciário, através da Operação Lava-Jato, que é dirigida por um juiz que estudou e foi treinado nos EUA, o Juiz Sérgio Moro, com a cumplicidade do Supremo Tribunal Federal, que o deixa fazer o que bem entende” – explica Júlio Turra.

Segundo ele, desde 2013 as revelações de Edward Snowden mostraram que a Agência Nacional de Segurança dos EUA, a NSA, monitorava a Presidenta Dilma Rousseff e a Petrobras, o que, na época, gerou um incidente diplomático. A presidente suspendeu uma viagem que tinha agendada para Washington no final de 2013.

“A Operação Lava-Jato vem desde 2012. Em 2013 a Agência Nacional de Segurança dos EUA estava monitorando a presidente e a Petrobras, e a Operação Lava-Jato é toda em cima de corrupção envolvendo a Petrobras, que é a maior empresa do Brasil, com controle estatal. Obviamente que quebrar a Petrobras interessa às multinacionais americanas do petróleo, que têm fiéis seguidores no Brasil, como o Senador José Serra, do PSDB, que é autor do projeto do fim do regime de partilha na área do pré-sal. Ao mesmo tempo, ele é um dos paladinos do impeachment, e já tinha declarado em 2009 a um representante da multinacional Chevron que se ganhasse a eleição de 2010 reverteria a regra da partilha do pré-sal. Felizmente ele não ganhou, ganhou a Dilma” – afirma Turra.

Ele conta ainda, que na própria Operação Lava-Jato, o envolvimento dos procuradores do Ministério Público Federal do Brasil com autoridades dos EUA mostra que há uma articulação entre eles. Nas suas palavras, o jornal ‘Valor Econômico’ de 4 de abril anunciou que o Departamento de Justiça dos EUA investiga a utilização do sistema financeiro lá dos EUA para o pagamento das chamadas propinas no Brasil, e essa investigação está em ligação direta com a força-tarefa do Ministério Público que atua no Paraná, que é o mesmo local onde o Juiz Moro é juiz de Primeira Instância.

Operação Lava Jato completa um ano

Turra conta que pelo menos dois delatores da Lava-Jato viajaram entre janeiro e fevereiro deste ano aos EUA para responder à investigação do Departamento de Justiça norte-americano. E o objetivo, segundo o ‘Valor Econômico’, era traçar eventuais conexões americanas com os desvios da Petrobras.O diretor-executivo da Central Única dos Trabalhadores conclui sua entrevista à Sputnik Brasil dizendo que “estas são as evidências de que há uma pressão combinada de instituições dos EUA com essa Operação Lava-Jato no Brasil”.

Rousseff no está acusada en el escándalo de corrupción

La plaga de la corrupción

 

El NUEVO Herald/ Miami

JUNTA EDITORIAL


Mientras Brasil se embarca en el difícil proceso de buscar la salida de la presidenta Dilma Rousseff de su cargo, hay que recordar a los legisladores que cualquier movida hacia una impugnación debe ser por una grave violación de la ley, no por política. Aquí en Estados Unidos sabemos algo de eso.

Claro, no hay comparación entre las acusaciones o las situaciones que afrontó el ex presidente Bill Clinton, impugnado por la Cámara de Representantes hace casi 20 años pero que sobrevivió un juicio en el Senado, y las que encara Rousseff.

A Clinton lo acusaron de una relación impropia con una becaria de la Casa Blanca y de mentir bajo juramento sobre asuntos personales. A Dilma la acusan de violar regulaciones sobre finanzas del Estado, un truco presupuestario para ocultar un creciente déficit.

Son dos casos completamente distintos, y solo tienen en común el ímpetu político detrás del proceso de impugnación.

Clinton tuvo una conducta que no se espera en un presidente. Pero los republicanos que lo acusaron nunca lograron convencer a un público escéptico de que lo hacían por el interés nacional, y no por intereses políticos egoístas. El público tampoco consideró que las acciones de Clinton fueran tan terribles como reiteraban los republicanos.

Rousseff jugó con las finanzas públicas. Quería mejorar sus posibilidades de reelección en el 2014 y tomó prestados $11,000 millones de los bancos estatales para costear populares programas sociales creados para ayudar a los pobres, que forman la base de su partido.

Los expertos en leyes y derecho constitucional de Brasil tienen opiniones divergentes sobre si esa acción es motivo para que Rousseff salga del Palacio de Planalto. Los senadores deben considerar bien el tema al votar esta semana sobre la posibilidad de un juicio político.

Pero el verdadero problema no es la maniobra financiera que hizo la Presidenta, sino más bien la crisis de corrupción que azota a Brasil. Una enorme investigación de la corrupción ha implicado a unos 50 políticos y a varios líderes empresariales.

Rousseff es una de los pocos líderes políticos de alto rango que no está acusada de corrupción. Pero sí lo está Eduardo Cunha, presidente de la Cámara de Diputados de Brasil, el hombre al frente del proceso de impugnación de la Presidenta. Lo están investigando por lavado de dinero y por aceptar sobornos. Muchos acusados como él están entre los legisladores que van a decidir el futuro de la Presidenta.

Luego está el vicepresidente Michel Temer, un personaje político que disgusta al público y que reemplazaría a Rousseff, por lo menos durante el juicio en el Senado. Los testimonios lo implican, junto a aliados cercanos, en el escándalo de corrupción en Petrobras, la petrolera estatal.

Con la impugnación de la Presidenta, los políticos corruptos de Brasil tienen la oportunidad de ocultar sus propios delitos de la vista del público. Rousseff sería un chivo expiatorio para aplacar la sed de justicia de la gente, una persona a la que puedan culpar de los males del país.

Rousseff puede ser culpable de administrar mal la economía, pero no forma parte del escándalo de corrupción.

La única manera en que Brasil puede salir fortalecido de este lío es seguir confiando en las instituciones democráticas para llevar a los corruptos ante la justicia. Si se prueba que Rousseff cometió infracciones, es grave, pero la impugnación es un castigo desproporcionado por administrar mal el presupuesto.

Los brasileños deben ir tras los ladrones y decidir cuál será la suerte de los políticos corruptos y de los incompetentes.

EDITORIAL

Read more here: http://www.elnuevoherald.com/opinion-es/en-nuestra-opinion/article73452887.html#storylink=cpy

 

 

 

 

POBRE BRASIL El truculento Gilmar Mendes asume la presidencia del Tribunal Superior Electoral. Su voto está más cantado que himno nacional en fecha patria

El mandato de Michel Temer será alcanzado por un golpe institucional, conducido por un bucanero llamado Eduardo Cunha, que preside la Cámara de Diputados frente al injustificable silencio del Supremo Tribunal Federal, donde es reo. No hay pruebas de que Dilma Rousseff haya cometido crimen de responsabilidad, única justificación prevista en la Constitución para destituir a un presidente

 

 

Por Eric Nepomuceno
Página 12/ Argentina 

Luego del deprimente e indecoroso espectáculo ofrecido a millones de espectadores por los honorables señores diputados brasileños el domingo 17, llegó la hora de sus excelencias, los magistrados del Tribunal Superior Electoral, dar claras muestras de que la justicia es, en el Brasil de hoy, materia volátil y susceptible de altísima maleabilidad.

A ver: luego de la victoria de la candidatura Dilma Rousseff-Michel Temer en las presidenciales de octubre del 2014, los derrotados entraron, en el Tribunal Superior Electoral, con cuatro acciones pidiendo la impugnación del resultado de las urnas. El argumento básico: irregularidad en las cuentas de la campaña victoriosa y uso de dinero ilegal, injustificado e injustificable.

Curiosidades que nadie se animó a explicar: una misma empresa donó al derrotado Aécio Neves y a la dupla vencedora. El dinero destinado a Neves era legal y de origen legítimo, pero el destinado a la campaña victoriosa era parte del esquema de coimas cobradas en contratos ilegales con la Petrobras.

Pese al absurdo, no se investigarán las cuentas de los derrotados transformados en denunciantes. El juicio está en tramitación, y si el TSE llega a la conclusión de que efectivamente hubo irregularidades en los gastos de campaña, podrá determinar la destitución de Dilma Rousseff y su vice, Michel Temer, y convocar nuevas elecciones.

Hace dos semanas, y en pleno auge de la conspiración para traicionar a la mandataria, entregarla a la furia de las hienas de la Cámara de Diputados y asumir, garboso, la presidencia sin haber obtenido un sólo voto personal, Michel Temer entró con un pedido junto al TSE, para que hubiese “desmembramiento de las cuentas de campaña”.

En su argumentación presentada a las máximas instancias de la Justicia Electoral, el impávido y melifluo Michel Temer asegura que su partido promovió “recaudaciones legales, con movimientos en cuenta corriente específica y destinación legal indudosa”. Neologismos aparte, quiere decir que su partido plagado de acusaciones de corrupción a lo largo de su nada noble historia es honesto a no más poder. Sería, pues, injusto correr el riesgo de ser condenado “por arrastre, debido a irregularidades en las cuentas de la campaña encabezada por Dilma Rousseff”.

Lo más asombroso, sin embargo, es que se detecta claramente una tendencia, entre la mayoría de los siete integrantes del Tribunal Superior Electoral, a aprobar esa tesis descabellada y descarada. La jurisprudencia del TSE muestra que jamás se admitió desmembrar cuentas de campaña, pero ya se sabe que para todo, bajo el cielo, hay una primera vez.

Tres de esos magistrados integran también el Supremo Tribunal Federal, instancia máxima de la justicia, y se consagraron en el papel de jueces facciosos: en lugar de proferir votos y sentencias, lanzan discursos incendiarios contra el gobierno, Dilma, Lula y el PT, no necesariamente en este orden.

El más truculento de ellos, Gilmar Mendes, asume ahora en mayo la presidencia del Tribunal Superior Electoral. Su voto está más cantado que himno nacional en fecha patria.

En conversas informales, cuidadosamente filtradas a los grandes medios hegemónicos de comunicación, adalides del golpe y envenenadores de la opinión pública, argumentan –pidiendo, claro, un anonimato ridículo– que es esencial salvar el ‘mandato’ de Michel Temer.

El TSE tiene, acorde a esa versión esdrújula, un papel decisivo para evitar una “crisis de gobernabilidad en el país”, que coincidiría con “el trauma del impeachment”.

El mandato de Michel Temer será alcanzado por un golpe institucional, conducido por un bucanero llamado Eduardo Cunha, que preside la Cámara de Diputados frente al injustificable silencio del Supremo Tribunal Federal, donde es reo. No hay pruebas de que Dilma Rousseff haya cometido crimen de responsabilidad, única justificación prevista en la Constitución para destituir a un presidente.

En la patética sesión en que se aprobó la apertura de su juicio político, 29 diputados votaron “por la familia”, 27 “por Dios”, uno por “mi hija”, otro “por mi nieta”, otro “para impedir el cambio de sexo en los niños” y la lista de absurdos es larga y nauseabunda. Poquísimos mencionaron los supuestos crímenes de responsabilidad que habrían sido cometidos por la presidenta.

El Senado seguramente abrirá el juicio, que se extenderá por hasta 180 días. En ese tiempo, Michel Temer asumirá la presidencia.

Si por coincidencia en ese período el Tribunal Superior Electoral impugna el resultado de 2014, él estaría liquidado junto a Dilma Rousseff. De ahí la necesidad de protegerlo.

Triste, ofensiva ironía: a la hora de destituir a una mandataria por algo que ella no cometió, ningún magistrado se preocupó con la “crisis de gobernabilidad” o con “el trauma del impeachment”.

Permitir que un juicio político que infringe las reglas esenciales de la justicia –demostrar la culpa del acusado– es algo aceptable. Inaceptable es dejar que el vice que traicionó a la presidente y usurpará su puesto corra algún riesgo jurídico.

Pobre país.

En el Planalto, con Dilma

 
Por Pablo Gentili *
Dilma Rousseff sonreía y se emocionaba con cada discurso. Aplaudía cada declaración con entusiasmo y abrazaba a quienes leían los manifiestos de apoyo. Cuando comenzó su intervención de agradecimiento, fue interrumpida por el canto que unifica a todos los movimientos y partidos que hoy en Brasil se movilizan por la democracia: “Nâo vai ter golpe. Vai ter luta”. No habrá golpe. Habrá lucha. Su rostro brilló conmovido cuando recordó que se estaban cumpliendo 52 años del golpe militar de 1964. Dijo que el desafío continuaba siendo luchar por la justicia social, por la inclusión y por los derechos históricamente negados a los más pobres.

Así fue ayer la ceremonia realizada en el Palacio del Planalto, la Casa Rosada de Brasil, en que la presidenta jaqueada por el riesgo de juicio político recibió a intelectuales, artistas y personalidades de la cultura que se movilizan en la defensa del estado de derecho y de la democracia en todo el país.

La mandataria brasilera recogió muestras de apoyo a su gobierno por parte de organizaciones científicas, académicas y movimientos de derechos humanos. Como secretario ejecutivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, CLACSO, estuve presente y compartí la solidaridad con el Grupo Tortura Nunca Más; la Asociación Brasilera de Ciencia Política, la de Antropología, la de Psicología y entidades docentes de diversas universidades públicas; el Foro 21, un espacio de articulación de intelectuales y luchadores sociales; asociaciones de periodistas, de artistas, directores de teatro y de cine, así como de algunas de las más destacadas figuras de la música popular brasilera. Hablaron la cantante Beth Carvalho, la actriz Leticia Sabatella y la cineasta Anna Muylaert, directora de uno de los filmes que mejor retrata las transformacione s democráticas del Brasil en esta última década, ¿A qué hora ella vuelve? La prestigiosa economista Maria da Conceiçao Tavares y el actor norteamericano Danny Glover, entre otros, grabaron mensajes especiales para el acto.

Rita Segato, reconocida dirigente feminista y profesora de la Universidad de Brasilia, fue la encargada de entregar a Dilma Rousseff la declaración de solidaridad del Comité Directivo y de la Secretaría Ejecutiva de Clacso. En ella, las más de 500 instituciones que componen el Consejo en 40 países del mundo, expresan su apoyo al estado de derecho y su rechazo al golpe en Brasil.

La declaración observa que, “en Brasil, los principios que deben guiar el ejercicio de la justicia en una democracia republicana han sido maculados por recursos arbitrarios y selectivos producto de discrecionales actos de la autoridad judicial, los que se expresan en filtraciones periodísticas y operaciones policiales divulgadas por algunos medios de comunicación como despreciable recurso de linchamiento mediático, creando factoides políticos dirigidos exclusivamente al Partido de los Trabajadores y al gobierno de la presidenta Dilma Rousseff”.

Destaca también que, “la presidenta de la república ha sido atacada con acciones judiciales arbitrarias y acuerdos políticos revanchistas, que sólo buscan, por los medios y las formas que sean posibles, impedir que concluya el mandato que le fuera investido por el pueblo brasileño”.

La declaración de Clacso alerta que “nuestras democracias, duramente conquistadas gracias a la movilización y las luchas populares, no pueden subordinarse a intereses autoritarios que surgen y se perpetran a la sombra de un creciente fascismo social”. Concluye realizando un llamado a la solidaridad internacional, observando que “el riesgo de ruptura de la legalidad y la institucionalidad democrática por una asociación entre políticos derrotados en las últimas elecciones, sectores del Poder Judicial y los grupos monopólicos que controlan la prensa nacional, no pueden comprometer el futuro de Brasil”.

El objetivo, dentro y fuera de Brasil, es evitar un nuevo golpe a la democracia en América Latina.

* Secretario Ejecutivo de Clacso.

BRASIL Impasse, antes del diluvio

Raúl Zibechi
Brecha

Tras dos semanas infartantes, las vacaciones de Semana Santa parecen haber traído cierta calma, un bálsamo para un gobierno sitiado. Hasta que alguien, muy probablemente el juez Sergio Moro, desenfunde nuevamente la espada y todo vuelva a encabritarse.

A falta de hechos concretos, abundan los rumores. Unos dicen que Lula desistiría de presidir el gabinete, acorralado por 13 acciones en su contra en el Supremo Tribunal Federal, que deberá pronunciarse al respecto la próxima semana. O sea que ya no es sólo el juez Sergio Moro el que tiene contra las cuerdas al ex presidente brasileño, sino la mayor instancia judicial del país, donde la mayor parte de los jueces fueron nombrados bajo los gobiernos del PT.

Otras versiones aseguran que en Brasilia se estaría llegando a tejer acuerdos entre la oposición socialdemócrata (Psdb) y el hasta ahora oficialista Pndb para un eventual gobierno que presidiría el actual vice, Michel Temer. Aunque se necesitan dos tercios de la Cámara para destituir a Dilma Rousseff, no son pocos los que estiman que se podría alcanzar esa cifra. En todo caso el proceso de impeachment es largo, aunque la comisión encargada de analizarlo ya fue nombrada.

En los hechos, la apuesta de Dilma y del PT de colocar a Lula en el gabinete como principal articulador para salir de la crisis se reveló un completo fracaso. Parece evidente, en contra de lo que sostienen los analistas de izquierda, que el ex presidente perdió su aureola. Pocos quieren aparecer de la mano de un futuro preso por corrupción. Hasta Frei Betto, amigo personal de Lula y ex integrante de su gobierno, dio un paso al costado y destacó que resulta sospechoso que el PT no haya expulsado a ninguno de los militantes procesados en la Operación Lava Jato.

OEA entra en disputa

Mientras la operación de la justicia lleva arrestadas a 133 personas y ha encarcelado a algunos de los más destacados y ricos empresarios del país, pertenecientes a 16 compañías (entre ellas Camargo Correa, Oas, Utc, Odebrecht, Mendes Junior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa y Galvão Engenharia), y a políticos de numerosos partidos oficialistas y opositores (entre ellos PP, PT, Pmdb, Psdb y Ptb), el país se encuentra en una cuesta abajo que parece imparable.

Una de las personas más criticadas y elogiadas en los últimos días fue el juez Moro. Los análisis más sensatos dicen que su gestión es la oportunidad para llevar decoro a la política al destripar los mecanismos de financiación de los partidos, cuyos fondos provienen del sector privado y de trasvases más que dudosos. En ese sentido, la Operación Lava Jato sería un avance republicano tan necesario como urgente. Sin embargo, la difusión de conversaciones telefónicas entre Lula y Dilma horas después de que el ex presidente fuera nombrado al frente del gabinete dio alas a quienes sostienen que en Brasil está en curso un golpe. Debe decirse que esta tesis resulta más que confusa y poco sustentada, toda vez que sus mentores no dijeron una sola palabra cuando eran procesados los empresarios y algunos dirigentes políticos, pero pusieron el grito en el cielo cuando llegó el turno de Lula.

En una situación de honda polarización, sorprendió la declaración del secretario general de la Oea, Luis Almagro, quien el viernes 18 se pronunció en contra de las actuaciones del juez Moro. “El Estado de derecho exige que todos seamos responsables e iguales ante la ley. Nadie, y quiero decir nadie, está por encima de la ley”, dijo Almagro. Por si quedaban dudas, agregó que “ningún juez está por encima de la ley que debe aplicar y de la Constitución que garantiza su trabajo. La democracia no puede ser víctima del oportunismo, sino que debe sostenerse con la fuerza de las ideas y de la ética”.

Aún es muy pronto para interpretar lo que está sucediendo en Brasil: si un proceso de limpieza de carácter republicano o una simple venganza anti PT, o ambas cosas a la vez, ya que es muy probable que algo que empezó como una operación legal esté siendo utilizado, y desviado, para derribar un gobierno.

Cuestión de clase

La situación brasileña cambia de día en día y, en ciertos momentos, de hora en hora. Esto quiere decir que es muy difícil pensar que haya una mano negra detrás del telón que esté orientando las jugadas con cálculos fríos. Así razona hoy la izquierda oficialista, aunque muchos datos desmienten estas apreciaciones.

En el lado opuesto, nadie puede creer en la sinceridad de dirigentes del Pmdb y del Psdb que están acusados de corrupción y que en los gobiernos de los estados utilizan mecanismos idénticos a los del PT en el gobierno. Todo indica que la Operación Lava Jato no va a terminar con la corrupción si bien lo más seguro es que liquide al PT y al gobierno. Esto avala la tesis de quienes afirman que estamos ante un golpe.

“Nos estamos hundiendo”, escribió hace algunas semanas el ex ministro de Hacienda Antonio Delfim Netto, ministro de la dictadura y ahora simpatizante de Dilma y Lula. Delfim Netto destaca la perplejidad que le produce la situación del país. Recuerda que “en los últimos cinco años crecimos 5 por ciento, mientras el mundo creció 18 por ciento y los emergentes 28 por ciento” (Valor, 15-XII-15). El país se hundirá si no recupera la gobernabilidad muy rápido, dice ahora el ex ministro.

Una legión de analistas compara la situación actual con la que llevó al suicidio de Getúlio Vargas en 1954. Aunque hay elementos comunes, apunta el historiador José Murilo de Carvalho, ya que Vargas era acusado “por sectores de la clase media de tolerar prácticas corruptas, hay una gran diferencia, que es la presencia activa de los militares en 1954 que forzaron la salida de Vargas”. “Hoy el conflicto es civil y nacional”, sostiene (BBC Brasil, lunes 21).

Para el historiador, como para tantos brasileños, uno de los principales problemas es la polarización y el triunfo de la irracionalidad. “La radicalización política y la intolerancia llegaron a un punto peligroso. No hay más debate, apenas griterío. En este escenario dominado por las pasiones todo puede suceder, incluso un serio conflicto social.”

Una encuesta realizada a los manifestantes de la avenida Paulista de San Pablo en los actos del domingo 13 revela algo de esto. El 77 por ciento eran titulados superiores y un porcentaje idéntico son blancos, 63 por ciento perciben ingresos equivalentes al menos a cinco salarios mínimos y tienen un promedio de 45 años, según Datafolha (Carta Capital, viernes 18).

Un estudio de la consultora Data Popular realizado en enero, con 3.500 entrevistados en 146 ciudades, reveló una de las mejores fotografías del Brasil actual: sólo el 3 por ciento de los consultados aceptan que son corruptos, pero el 70 por ciento admiten que realizan prácticas corruptas, como mentir en el impuesto a la renta o sobornar guardias.

La guinda del pastel la puso el juez federal Catta Preta Neto, quien derogó el nombramiento de Lula como ministro. En su perfil de Facebook el juez colocó sin empacho fotos suyas y de su familia participando en las manifestaciones contra el gobierno, el 7 de marzo, y escribió: “Ayude a derribar a Dilma y vuelva a viajar a Miami y Orlando. Si ella cae, el dólar bajará” (Carta Capital, viernes 18).

Como señala el sociólogo Jessé Souza, “la llamada clase media es la fuerza de choque de los adinerados”. Ciertamente. Si Dilma es derribada, lo que vendrá puede ser peor aún, en un país donde se evaporó la hegemonía y será difícil restablecer el consenso.

http://brecha.com.uy/

Terrorismo estatal, tortura e morte, quatro poemas de Talis Andrade

VALLE DE LOS CAÍDOS

Nas faldas da serra
de Guadarrama
Francisco Franco
ergueu majestoso cemitério
para a continuação
do pomposo reino
dos cadáveres mumificados

Em Guadarrama
mandou enterrar
velhas desamadas damas
de uma nobreza fantasma
generais e sacerdotes
angelicais torturadores
da Espanha de Torquemada

Em Guadarrama
o pequeno suserano
mandou enterrar
melancólica corte
de fanáticos seguidores
megalomaníaco intento
de no inferno possuir
os serviços prazerosos e sujos
de uma legião de servos
sevos aduladores

valleyofthefallen

.

OPERAÇÃO CONDOR 

1

Em uma ceia demoníaca
os generais do Cone Sul
aprovaram a Operação Con
dor cujas asas agourentas
selam a noite com chumbo

O conúbio dos generais
arranca do calor dos lares
artistas e intelectuais
para os interrogatórios imbecis
de cegos vampiros
as cabeças lavadas
nas apostilas da CIA
os cérebros curetados
pelas palavras-ônibus
dos pastores eletrônicos

2

Em sombrios porões
os massagistas atestam
os instrumentos de suplício
os massagistas adestram
os toques de fogo
arrancando unhas e gritos
espicaçando as últimas palavras
os nomes e codinomes
de um exército de fantasmas
um exército apenas existente
nas doentias mentes dos agentes

3

Em refrigerados gabinetes
os técnicos em interrogatórios
e informações estratégicas
trabalham noite e dia
na burocracia cívica
de selecionar os copiosos
relatórios dos espias
decifrar os depoimentos
tomados sob tortura
depoimentos escarnificados
na escuridão dos cárceres
depoimentos cantados
no limiar do medo
confissões soluçadas
nas convulsões da morte

carlosllatuffcondor

.

            O PODER 

A justiça legaliza
a tortura
A igreja santifica
a tortura

Em uma ditadura
tudo se justifica
com uma nova lei
Em uma ditadura
tudo se abençoa
com uma missa

Em uma ditadura
apenas existem
os cúmplices
e os mortos

tortura

O AGIOTA

A cobrança um jogo
que requer paciência
rechego

Do agiota a obsessão

o desfrute da persistência
na perseguição

a destreza
de brincar de gato
coa presa

o prazer de excruciar
matar de pouquinho
bem devagarinho
como se fosse um carinho

O agiota suplicia
pelo gosto de sangue

Nos tempos de ditadura
apresenta-se como voluntário à polícia
para servir nos calabouços da tortura

Não é aferro de fanático
O agiota não tem bandeiras
não tem pátria nem deus
O agiota um cadáver que ama os cadáveres

A tortura um contato erótico
As lágrimas o sangue
a urina o excremento
são para o sevicia-
dor cheiros sabores
afrodisíacos alimentos
Quanto mais remorseado o corpo
sangrada a carne
intenso o desejo
o prazer

Os Agiotas, do pintor holandês Marinus Van Reymerswaele (1490-1546)

Os Agiotas, do pintor holandês Marinus Van Reymerswaele (1490-1546)

Poemas de Talis Andrade. Do livro inédito Selos do Apocalipse 

.