ALMA PENADA


por Talis Andrade

Por que este pressentimento
de morte não se afasta
Estranha inimiga em constante tocaia
a morte está dentro e fora do nosso corpo

Será a morte uma amiga cuja ajuda se pede
quando já não se suporta a dor
que flagela o corpo
a dor que atormenta a alma

Este pressentimento de morte próxima
será apenas o medo do que está além
da porta fechada
por ilusória segurança
Por que o medo
se jamais veremos a morte
se as mãos frias
nos fecham os olhos
Nunca mais um dia de sol

Quantas oportunidades perdidas
de caminhar pela praia
pelos jardins
pelos vales verdejantes
Nunca mais a contemplação dos lírios no campo
Nunca mais

Que valem estas flores que me jogam no caixão
que desce na cova rasa para ser coberto de terra
Terra que é posse
Meu único chão
até que reine a putrefação
Terra que será ocupada
por outro sem terra

Se o corpo está morto
por que o medo
o cadáver deixe a sepultura
para uma noite de assombração
Que a alma apareça
para agourar
te buscar
Alma penada
de saudade
Alma perdida
na solidão


 


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