Independência ou morte


nise 1

Tóquio tem festival de cinema? No Brasil, cada vez mais culturalmente dominado, 99 por cento dos filmes exibidos são estadunidenses.

Pelo que se vê na mídia, apenas existe o Oscar. Uma premiação transmitida, mundialmente, pelos países satélites do Tio Sam.

Tio Sam, outro nome famoso e temido e adorado, principalmente pelos que usam o dólar como moeda nacional e/ou no mercado paralelo.

Toda dominação de um império começa pela imposição de sua Cultura, primeiro passo decisivo para conquistar um povo, um país.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, fundada em Los Angeles, Califórnia, em 11 de maio de 1927, concede 25 prêmios anualmente, e apenas um para filme estrangeiro. Portanto, constitui um meio de propaganda exclusiva dos filmes produzidos nos Estados Unidos.

Brasil recebeu 13 indicações, nenhuma venceu o prêmio de melhor filme estrangeiro. O Oscar continua tão proibido para o Brasil quanto o Nobel. Isso faz parte da conspiração colonialista.

Por que de repente a mídia brasileira destaca o Festival Internacional de Cinema de Tóquio?

Simples, Nise – Coração da Loucura, estrelado por Glória Pires, ganha os prêmios de melhor longa e de atriz.

A “desconhecida” Nise da Silveira
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O diretor Roberto Berliner destacou que a alagoana Nise (1905-1999) foi sua “heroína” e disse que ela não era muito conhecida quando começou a fazer o filme, há três anos. “Era minha responsabilidade mostrar a história dela para o mundo”.

Denunciada por uma enfermeira, pela posse de livros marxistas, Nise foi presa durante a Intentona Comunista, em 1936, no presídio da Frei Caneca por 18 meses. Onde se encontravam presos a mulher de Prestes, Olga Benário, Eneida, amiga do editor deste blogue, e Graciliano Ramos, que transformou todas essas encantadas (escondidas) heroínas personagens de Memórias do Cárcere, um livro que continua propositadamente desconhecido, apesar de ser um clássico da literatura escrita em português.

De 1936 a 1944, Nise permanece com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do serviço público por razões políticas. Durante seu afastamento faz uma profunda leitura reflexiva das obras de Spinoza, material publicado em seu livro Cartas a Spinoza em 1995.

O filme começa quando Nise sai das masmorras do ditador Getúlio Vargas, quando volta a trabalhar num hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro e se recusa a empregar o eletrochoque e a lobotomia no tratamento dos esquizofrênicos. Isolada pelos médicos, resta assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma revolução regida por amor, arte e loucura.

Ninguém vai assistir o filme
Glória Pires no papel de Nise

Glória Pires no papel de Nise

Os cinemas brasileiros apenas exibem filmes estadunidenses. Na terra do único. Apenas um pintor (Portinari), um romancista (Machado de Assis), um poeta (Castro Alves, porque nomeia uma praça onde se exibem os trios elétricos no final do carnaval da Bahia), um teatrólogo (Nelson Rodrigues, pela obscenidade), um arquiteto (Oscar Niemeyer). Esqueceram os cineastas, os compositores, respectivamente derrotados pelos premiados com o Oscar, e pelos festivais tipo Rock in Rio.

No Brasil sem bibliotecas, ir  a um cinema e assistir um filme nacional é o mesmo que procurar um autor brasileiro em uma livraria.

O fim da cultura hoje atinge seu ponto mais alto na atual campanha pessimista, derrotista da mídia. Destacam os bispos brasileiros em mensagem divulgada no último dia 30: “propaganda derrotista” gera “pessimismo contaminador”.

Na nota, a CNBB manifesta-se a respeito do momento de crise na atual conjuntura. “A permanência e o agravamento da crise política e econômica, que toma conta do Brasil, parecem indicar a incapacidade das instituições republicanas, que não encontram um modo de superar o conflito de interesses que sufoca a vida nacional, e que faz parecer que todas as atividades do país estão paralisadas e sem rumo”, declaram os bispos.

Para a entidade católica, a frustração presente e a incerteza no futuro somam-se à desconfiança nas autoridades e à propaganda derrotista, gerando um pessimismo contaminador. “Porém, equivocado, de que o Brasil está num beco sem saída”. Os bispos alertam para que a população não se deixe tomar pela “sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre” (Papa Francisco – Alegria do Evangelho, 85).

O filme Nise foi produzido em 2012, e ainda não conseguiu ser lançado comercialmente.

Comentários a: "Será que existe festival de cinema em Tóquio? Quem é mais famosa Nise da Silveira ou Glória Pires?" (1)

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