Independência ou morte


Os sete segundos iniciais são a chave para uma primeira impressão

primeiro encontro

por PATRICIA PEYRÓ JIMÉNEZ

Contamos com sete segundos e apenas uma oportunidade, segundo a famosa coach internacional Carol Kinsey Goman, para causar uma primeira boa impressão. Não acontece todos os dias, mas frequentemente, e, hoje, precisamente, pode ser o dia em que você vai conhecer essa pessoa especial para quem tem que parecer deslumbrante.

Vamos estabelecer uma pergunta clara: Como é possível agradar? Embora a famosa frase que diz que a primeira impressão é a que conta soe como um slogan publicitário, possui uma boa dose de verdade, ou pelo menos é a melhor fórmula para abrir caminho entre duas pessoas. Essa é a ideia sustentada pelos profissionais de Ciências do Comportamento, como Goman, que treina, todos os dias, altos executivos e políticos e que dá palestras sobre empatia, liderança e linguagem corporal.

MIREIA PÉREZ

MIREIA PÉREZ

Ela descreve o instante em que conhecemos alguém da seguinte forma: “No momento em que um desconhecido olha para você, o cérebro dele começa a trabalhar criando milhares de associações para se perguntar se você é uma pessoa confiável ou se, pelo contrário, deve ter receio”.

Em resumo, logo após conhecer alguém, ativamos um nível primário com o qual nos questionamos se é amigo ou inimigo, e nos preparamos para agir baseados nisso. O conceito se estuda também sob o termo relatedness, que se refere ao “o grau de pertencimento a um grupo social”, modelo desenvolvido por David Rock dentro de sua teoria sobre a neuroliderança, por meio da qual explica como, por exemplo, um simples aperto de mãos, ou gestos como dizer os nomes e falar sobre um tema comum, podem produzir ocitocina (hormônio vinculado à confiança e ao amor), e, portanto, favorecer a conexão com outra pessoa.

O fato de alguém te escutar produz uma sensação de prazer ilimitada no cérebro, semelhante à causada pela comida e pelo dinheiro

No entanto, à revelia de indicadores sociais inofensivos, o corpo gerará uma resposta de ameaça. “Logo após conhecer alguém, isso é o que buscamos: saber se é ou não um dos nossos”. O fato de gostarem de você dependerá, em grande parte, de baixar as defesas do outro desde o princípio, algo que se pode conseguir com alguns truques simples, como os que ensina a trabalhar, durante as sessões que dá, a neurocoach e trainer, co-fundadora da The School of Change, Adelina Ruano.

1. Arrume-se bem e exiba sua criança interior. Um estudo realizado pelo departamento de psicologia da Universidade de York no ano 2014 determinou a importância dos traços faciais nas primeiras interações. Assim, quando nos fixamos na imagem de um rosto, formamos rapidamente juízos de valor sobre a personalidade e o caráter da pessoa, e a categorizamos como amável, confiável ou competente em função da forma de suas maçãs do rosto, da separação dos olhos e do tamanho das sobrancelhas. Os pesquisadores concluíram que o físico pode explicar até 58% da variação das primeiras impressões. E (disso já suspeitávamos) as pessoas bonitas e de feições pueris causam uma melhor primeira impressão que os menos felizardos e de aparência mais madura.

2. Sorria. Por uma enorme quantidade de razões, relaxa o ambiente e causa empatia. Esse sentimento é provocado pelos neurônios espelho, chamados assim pelo pesquisador italiano da Universidade de Parma Giacomo Rizzolatti, que os descobriu, por acaso, estudando o cérebro dos macacos. Eles explicam fenômenos como por que a risada é contagiosa, e, inclusive, os processos de empatia, já que se ativam, também, em nível mental e representacional, sem a presença de terceiras pessoas, e permitem conectar com o outro no plano das sensações e emoções. Em palavras de seu descobridor, “os neurônios espelho demonstram que somos seres sociais”, e, portanto, se entende que a empatia é uma qualidade funcional e evolutivamente desejável. Se você sorrir, seu interlocutor também o fará.

Uma vez superada essa primeira (e boa impressão) gerada em poucos segundos, convém reforçá-la através de uma boa conversa, durante a qual sobressaia a ação de escutar de maneira ativa e empática. Essa é uma ideia desenvolvida por Robin Baker, chefe do Programa de Análise de Conduta do FBI (principal ramo de investigação criminal do Departamento de Justiça dos EUA) e autor do livro It’s Not All About Me: The Top Ten Techniques for Building Quicly Rapport With Anyone.

Seu conselho número um é “buscar os pensamentos e opiniões da outra pessoa sem julgá-los” e mostrar um genuíno interesse pelo que contam. Isso funciona porque os seres humanos gostam de falar sobre si mesmos. Encontrar audiência produz, portanto, uma ilimitada sensação de prazer no cérebro, “similar à causada pela comida e pelo dinheiro”.

E aqui abrimos um parêntese necessário para explicar o que quer dizer escuta ativa, já que não basta ouvir e se desligar. Além de não interromper, é preciso fazer gestos que indiquem que se está ouvindo, como assentir com a cabeça, perguntar e inclusive repetir ou resumir o que o outro disse.

Com isso, estamos gerando rapport, como explica a coach Adelina Ruano. E o que significa essa palavra? “É algo que vai um passo além da confiança básica, e serve para ter influência em uma relação”, responde. Embora se pareça à empatia, não é exatamente o mesmo, esclarece: “Chamamos de rapport a qualidade de uma relação quando existem respeito e influência mútuos”.

Duas pessoas tem rapport quando existe uma sintonia entre elas, no sentido de que se aceitam e de que estão abertas e receptivas em sua comunicação. Embora criá-lo seja algo natural que fazemos de forma inconsciente, deixamos esse item de lado quando estamos preocupados ou sem tempo. Por isso, “é uma habilidade que se pode treinar, incidindo fundamentalmente em criar sincronia e um bom swing em relação à linguagem não verbal”, conclui Ruano.

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