A literatura brasileira perde três criadores em seis dias


‘VIVA O POVO BRASILEIRO’

BRA^BA_COR imortal

por Marcia Carmo/ El Clarin

 

 

A morte do escritor paraibano Ariano Suassuna, de 87 anos, nesta quarta, 23 de julho, após o falecimento do escritor baiano João Ubaldo, aos 73 anos, na sexta, 18, e do mineiro Rubem Alves, de 80 anos, no sábado, 19, causou comoção entre artistas, escritores e leitores nas redes sociais. Os personagens que criaram retrataram algumas das várias faces do Brasil.

Suassuna deixou livros e obras de teatro, TV e cinema que ajudam a entender, principalmente, o nordeste brasileiro. Uma região com uma cultura popular riquíssima da linguagem, aos gestos, história, gastronomia e outros costumes. Entre seus clássicos está “O auto da compadecida”, que é uma peça teatral escrita em 1955 e que em 2000 virou filme estrelado pela atriz carioca Fernanda Montenegro.

A obra é cômica e ao mesmo tempo dramática – outras características do nordeste brasileiro, onde muitas vezes nas casas, à sua maneira, riem mesmo diante de uma desgraça.

E foi a vida nordestina – até os 15 anos no estado da Paraíba e depois em Recife, em Pernambuco -que deu o combustível para Suassuna. Ele inovou. Criou também o Teatro Nacional do Nordeste, em 1960, e integrou a Academia Brasileira de Letras (ABL), inaugurada por Machado de Aiss em 1897.

Ali, na ABL, no centro do Rio de Janeiro, foi velado Ubaldo. Colunista do jornal O Globo, morava no Rio, e tinha o dom do observador bem humorado que retratava em seus textos.

Luxúria

Ele escreveu sobre a luxúria no livro ‘A Casa dos Budas Ditosos’, traduzido para o espanhol, onde uma baiana fogosa de 68 anos pratica seu erotismo numa vida apaixonada no Rio de Janeiro.

Ubaldo foi também o autor do clássico ‘Viva o povo brasileiro’, outro traduzido para o espanhol, que mistura realidade, ficção, heroismo, drama e comédia em diferentes etapas, passando pelo século XIX, com, por exemplo, a Guerra do Paraguai e a Guerra de Canudos, na Bahia.

Em outra vertente da literatura brasileira, Rubem Alves era teólogo, psicanalista, educador e autor de livros infantis. Ele é apontado como uma das sementes da Teologia da Libertação.

Para ele, a alegria era a essência da educação – algo que com seus estilos particulares bem entendiam e traduziam Suassuna e Ubaldo. “Matar padre dá um azar danado. Sobretudo para o padre”, diz um dos seus personagens em o Auto da Compadecida.

Mas provavelmente essa aqui foi uma das mais frases de Suassuna mais lembradas nas redes sociais nesta quarta. “O otimista é um inocente. O pessimista um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”

otimista

O Pensador

Faleceu na manhã deste sábado (19), às 11h50, o escritor Rubem Alves, aos 80 anos. A informação foi confirmada ao UOL pela assessoria de imprensa do Hospital Centro Médico de Campinas, onde Rubem estava internado desde o último dia 10 de julho.

Segundo o hospital, Rubem veio a óbito por falência múltipla dos órgãos. Ele estava na UTI por apresentar insuficiência respiratória devido a uma pneumonia. O escritor, psicanalista, teólogo e educador era considerado um dos maiores pensadores contemporâneos da educação no Brasil.

amor

Nascido em 15 de setembro de 1933 na cidade mineira de Dores da Boa Esperança, e autor de uma bibliografia de mais de 120 títulos, Rubem Alves é conhecido por sua grande contribuição à educação e por seus livros infantis.

Quando jovem estudou no seminário Presbiteriano do Sul, um dos mais conhecidos da América Latina, e tornou-se pastor de uma comunidade no interior de Minas Gerais. Acusado de subversivo pelo governo militar por pregar melhores condições de vida através da religião, e ficou exilado até 1968 nos Estados Unidos.

Em 1969 ingressou na Faculdade de Filosofia de Rio Claro, onde lecionou até 1974, quando foi para a Filosofia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde fez a maior parte da sua carreira acadêmica até se aposentar nos primórdios da década de 1990. Fez um curso para formação em psicanálise nos anos 1980 e manteve sua clínica até 2004.

rubem

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