Com olhos apagados e mãos que nem nervosos passarinhos


Reunião de Família

bela-abody-nagy-generaciones

por Sylvia Plath
Tradução de Gian Le Fou

Lá fora na rua eu escuto
Uma porta de carro bater; vozes para um ouvido astuto
Trechos estranhos de conversas
E sapatos tiquetaqueando na travessa
A campainha rasga o sol vespertino
Com unhas de navalha;
Uma pausa imperceptível.
O barulho embotado dos meus pulsos
Luta contra um silêncio que se esgota
Alguém de dentro abre a porta.
Ó, ouça os sons das pessoas que se encontram —
As gargalhadas e os gritos dos que se amam:

Eternamente gorda e sem ar
Um beijo gorduroso em cada bochecha
Da tia Guiomar;
Olhe lá, lá está a rosadinha, que vive dando gritinhos
Prima Jane, a solteirona
Com olhos apagados
E mãos que nem nervosos passarinhos;
Enquanto isso, parecendo madeira estilhaçada, tio Paulo
Atravessa a sala
E com sua voz desagradável
Conta detestáveis piadas.
O sobrinho mais novo geme irritavelmente
E baba na fila de doces como um demente.

Como um mergulhador numa região elevada
Eu fico em pé no último degrau da escada
Um redemoinho diz que vai me dar sorte,
Eu me despeço da minha identidade
E mergulho para a morte.


Tela Gerações – Bela Abodi Nagy

Veja vídeo do poema e o texto original

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