Moacir Japiassu, Joel Silveira, Rubem Braga e a Tribuna da Imprensa: A Poesia é necessária


Publica a Tribuna da Imprensa:

Uma certa quantidade de gente à procura de gente

Lembre-se de Rubem Braga e divulgue que a poesia é necessária. O jornalista Joel Silveira passou a fazer isso, quando nosso amigo Braga morreu, e agora somos nós que seguimos a trilha desses dois mestres.

Conheça hoje um extraordinário poema do poeta e pintor português Mário Cesariny (1923/2006).

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UMA CERTA QUANTIDADE

Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade

Soma:
uma paisagem extremamente à procura
o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)
e o problema do quarto-atelier-avião

Entretanto
e justamente quando
já não eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito estúpidos
pois uma e outra coisa eles são
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá

E resulta que também estes andavam à procura
duma certa quantidade de gente
que saía à procura mas por outras bandas
bandas que por seu turno também procuravam imenso
um jeito certo de andar à procura deles
visto todos buscarem quem andasse
incautamente por ali a procurar

Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro

Mário Cesariny, in “Pena Capital”

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 Transcrevo coluna do Jornal da ImprenÇa de Moacir Japiassu. Que sempre começa com um poema.
Japiassu está no time dos grandes jornalistas que amam a poesia. Uma presença que substitui os fechados suplementos literário dos jornalões, que a partir do golpe de 64 decidiram declarar morte aos poetas.
Poesia não combina com ditadura.
Transcrevo a parte.

Alberto Dines: assessor de imprensa de políticos não pode ser tratado como jornalista

por Moacir Japiassu

Opinião do jornalista é destaque da edição desta semana do ‘Jornal da ImprenÇa’, coluna editada por Moacir Japiassu e publicada  no C-SE às sextas-feiras


O relógio estende o próprio tempo
e revela seu segredo,
mastiga os minutos em silêncio
e acompanha o ressonar da noite.
(Celso Japiassu in Um traço desenhado pelo vento.)

 

Jornalista histórico, Mestre de todos nós, o considerado Alberto Dines escreveu no Observatório da Imprensa:

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que examina as atividades e conexões do empresário-contraventor Carlos Cachoeira esbarrou novamente em um profissional de comunicação, o radialista Luiz Carlos Bordoni, que nos últimos 14 anos trabalhou em campanhas eleitorais para o atual governador goiano, Marconi Perillo (PSDB).

(…) a mídia, desnorteada como sempre, oferecia farta cobertura dos bate-bocas sempre apresentando a testemunha como “jornalista”.

O problema não é Bordoni, é a sua identidade profissional. Em países onde a imprensa é rigorosa e conserva um mínimo de autoestima, jornalistas (ou radialistas) não trabalham para candidatos. Quem faz isto são as empresas de relações-públicas, marketing político e assessorias de comunicação devidamente caracterizadas.

(…) Jornalista (ou radialista) faz a cobertura de eleições, não presta serviços a candidatos. Jornalistas (ou radialistas) têm compromissos com os respectivos leitores (ou ouvintes), assessores só prestam contas aos contratantes. Ambos produzem informações: as dos jornalistas devem ser rigorosamente objetivas, as dos assessores também podem ser objetivas, desde que atendam antes aos interesses dos pagantes.

Leia aqui a íntegra do artigo que deixou o pessoal mais agitado do que gato em dia de faxina.

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Celso Japiassu

Leia no Blogstraquis a íntegra do poema cujo fragmento encima a coluna. Faz parte de um novo livro que o poeta entalha e cinzela como o escultor à sua obra.

 POEMA DE CELSO JAPIASSUUM TRAÇO DESENHADO PELO VENTODeita o dia e a escuridão
define a silhueta de um retângulo.
Meninos assombrados investigam
as bordas do sono.Tecido na vertigem,
o espaço dos bordados aparece
enquanto insetos se movem
e o quarto absorve os movimentos.

O relógio estende o próprio tempo
e revela seu segredo,
mastiga os minutos em silêncio
e acompanha o ressonar da noite.

O afogado respira, move-se no ar,
os gestos aproximam-se de um rosto
e a escuridão marca o ritmo da fala,
cerra seus olhos e toca sua boca.

Os meninos andam sobre as cores
que tingem o caminho das águas
e lambem as gotas de orvalho
represadas nas pétalas de um lírio.

Relêem confissões, a tempestade
os adormece, eles percorrem labirintos
enquanto assistem ao despertar do dia
num traço desenhado pelo vento.

 

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